568 – Sexta-Feira 13 Parte 7 – A Matança Continua (1988)

POSTER-FRIDAY-THE-13TH-PART-VII-THE-NEW-BLOOD

Friday the 13th Part VII: The New Blood

1988 / EUA / 88 min / Direção: John Carl Buechler / Roteiro: Daryl Haney, Manuel Fidello / Produção: Iain Paterson; Barbara Sachs (Produtora Associada); Frank Mancuso Jr. (Produtor Executivo) / Elenco: Lar Park-Lincoln, Terry Kiser, Kevin Spirtas, Susan Jennifer, Sullivan, Heidi Kozak, Kane Hodder

Sexta-Feira 13 encontra Carrie – A Estranha! Eu fico imaginando a reunião dos executivos da Paramount tentando espremer o bagaço da laranja chamada Jason Voorhes e tendo a ~brilhante ideia de meter uma menina com poderes telecinéticos para enfrentar o famoso serial killer. Alguém achou que isso poderia dar certo de verdade?

Pois bem, Sexta-Feira 13 Parte 7 – A Matança Continua decreta de vez o fim da franquia que já deveria ter acontecido muito antes (lembre-se que a quarta parte foi batizada de Sexta-Feira 13 – O Capítulo Final). Ainda que o anterior Sexta-Feira 13 – Parte 6 – Jason Vive seja dos mais bacanas da cinesérie, falando o português claro, essa sequência é uma verdadeira BOSTA!

E assim, não dá nem para rolar um guilty pleasure, como até acontece em alguns outros Sexta-Feira 13. Tudo bem, ele pode ser melhor que a parte 5 ou a parte 9, mas aí também é nivelar por baixo. Simplesmente é impossível engolir o roteiro ridículo escrito por Daryl Haney e Manuel Fidello com a tal personagem Tina Shepard (a loirinha gata Lar Park-Lincoln) e a tosca ideia de seus poderes psíquicos, na tentativa de dar um toque diferente na matança desenfreada de Jason (que aqui chega ao número de 16 corpos).

Mas se tem uma coisa que se deve tirar o chapéu é o visual do personagem, vivido pela primeira vez pelo dublê Kane Hooder, e que foi uma espécie de divisor de águas do morto-vivo, consolidando de vez seu status de “verdadeira força incontrolável”. O maluco toma tiro, pancada, é eletrocutado, enforcado, recebe uma saraivada de pregos, afogado, queimado vivo, explode, e ainda assim está lá em pé para continuar sua caçada implacável.

Amoladoooooor

Amoladoooooor

Isso sem contar o excelente trabalho de maquiagem, comandando pelo próprio diretor John Carl Buechler (gabaritado ao cargo por ter dirigido nada mais nada menos que Troll – O Mundo do Espanto. Se você não percebeu, estou sendo sarcástico) que nos apresenta um Jason completamente apodrecido, com a roupa esfarrapada e até com sua costela à mostra. É uma espécie de “Jason definitivo”. Quando ele aparece sem máscara, todo putrefato, é um dos momentos altos da película. Só não entendo mesmo como e por que ele respira, mas tá tudo beleza.

Mas, mesmo com todo o visual incrível do assassino da mamãe Pamela, o roteiro (mais uma vez ele) consegue estragar absolutamente tudo. Vamos lá, a pequena Tina, que mora ali nas imediações de Crystal Lake vê seu pai e sua mãe se desentendendo, o sujeito já tem histórico de bater na esposa, e a pequena foge para o lago, entra num barco e usa seus poderes de Jean Grey para arrebentar o píer e seu pai cair na água, resultando em sua morte por afogamento.

Dez anos se passam e ela volta ao local com sua mãe para uma terapia intensiva com o escroto psiquiatra Dr. Crews (Terry Kiser), uma vez que ela ficou atormentada com o acontecido e vive entrando e saindo de instituições. Paralelo a isso, uma galera zé droguinha e promíscua está fazendo uma festa na cabana ao lado, presas preferidas de Jason. Um dia, Tina putinha com o Dr. Crews, corre até a beira do lago, usa seus poderes e adivinhe? Era lá que Jason estava acorrentado a uma pedra, deixado por Tommy Jarvis no final do filme anterior, e eis que ela traz o maníaco brucutu de volta à superfície, que irá matar absolutamente todos em seu caminho.

Um dos grandes problemas de Sexta-Feira 13 Parte 7 – A Matança Continua está justamente aí. A promessa e a intenção eram de que esse seria o filme mais violento da série, e as mortes seriam as mais brutais e gráficas de toda a franquia. Porém, para evitar uma classificação X do MPAA, dezenas de cortes tiveram de ser feitos, durante as nada menos que NOVE vezes em que foi submetido ao órgão censor. Resultado, o longa ganhou um R, foi o mais mutilado da série e absolutamente TODAS as mortes são em off screen, o que funciona como um verdadeiro coito interrompido. Mas como nunca foi lançada uma versão uncut ou do diretor mesmo depois de todos esses anos, não adianta ficar pensando em um mundo hipotético: ah, mas era para ser o mais violento, mais gore, foi prejudicado pela censura, etc. What you see is what you get!

Costela de Adão

Costela de Adão

Sem as mortes violentas e criativas com todo tipo de equipamento (até mesmo um apito!!!!) saltando aos olhos (salvando-se apenas o antológico assassinato onde Jason arrebenta uma garota dentro de um saco de dormir contra uma árvore com toda força) o que sobra é um filme patético. As batalhas telecinéticas de Tina com o vilão indestrutível são tão repetitivas que beiram a exaustão. A garota usa o poder da mente, atira alguma coisa no assassino, ele cai e logo depois volta. E assim se repete insistentemente até seu final vergonhoso.

ALERTA DE SPOILER: Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Eis que no embate final, na ponte sobre o lago, mais uma vez Tina usa seus poderes e não é que, pasme, ela consegue trazer o PAI DELA MORTO HÁ DEZ ANOS debaixo d’água (ou sua projeção psíquica, astral, ou o diabo que o valha, o que não adiantaria NENHUMA mínima explicação decente em todo universo), que enfia uma corrente em Jason e o arrasta novamente para as profundezas. Dá até vontade de chorar da cara de pau dos envolvidos que bolaram um final tão idiota e inverossímil.

Mas poderia ser pior. Naqueles tempos, a Paramount e a New Line já costuravam o tal crossover entre Jason Voohrees e Freddy Krueger, que aconteceria exatamente neste filme. Porém eles não conseguiram chegar a um acordo, a ideia foi colocada de lado (botando a super Tina no lugar do tostadinho para combater o cadáver ambulante) e como bem sabemos, a vergonha alheia só chegou às telas em 2003 quando a New Line já era detentora dos direitos dos dois personagens.

Sexta-Feira 13 Parte 7 – A Matança Continua só prepara ainda mais o terreno acidentado da ladeira abaixo que a franquia do assassino slasher mais fodão de todos seguirá no decorrer dos anos. E vale uma menção honrosa nesse post para o fã do horror Luiz Beagle, que comenta bastante aqui no blog e fez uma defesa fervorosa do filme na resenha da sexta parte, por conta dos famigerados cortes. E ele ainda indica assistir ao making of que você pode encontrar legendado no Youtube aqui. PS: Mas já mudou de ideia depois de revê-lo, como o mesmo explica nos comentários abaixo…rs.

Sou feio mas tô na moda!

Sou feio mas tô na moda!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Sexta-Feira 13 Parte 7 – A Matança Continua está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

15 Comentários

  1. luiz beagle disse:

    Valeu pela lembrança,realmente defendi ele com unha e dentes,porém resolvi rever depois e caiu brutalmente no meu conceito a culpa é sua KKKKKKKKKKKKKKK

    Mas falando sério tem menos de um mês que eu revi o filme e percebi buracos gigantes no roteiro,o elenco de coadjuvantes totalmente barrados no baile e o final broxante (poderia ter terminado na explosão acabando de vez com o jason), mas uma coisa tem que se admitir essa parte tem o melhor visual do jason!

    ah se se você acha esse aqui ruim se prepare para a parte 8 tb vi mês passado e fiquei com uma cara de WTF de tanta ruindade…

  2. “e como bem sabemos, a vergonha alheia só chegou às telas em 2003 quando a New Line já era detentora dos direitos dos dois personagens.”

    Pois eu acho crossover bem melhor que este filme aí, que os que vc citou no texto (com exceção do 6), que o de Manhattan, que o X,e do que os remakes. Pelo menos é um filme que tenta respeitar as duas franquias agrupando elementos caracteristicos de cada personagem.

    Depois vc dá uma lida no texto que eu escrevi sobre o novo Débi e Lóide que fala justamente disso (Ok, tô fazendo auto-jabá, mas acredite tem a ver com esse conceito).

  3. Andrigo Mota disse:

    filme fodao. Jason rules e ainda putrefato

  4. Papa Emeritus disse:

    Eu alugava muito essa Parte 7 na locadora. Só por causa do visual do Jason (e de alguns peitinhos que aparecem, hehehe). Mas com o tempo também acabei enjoando. Mas ainda assim acho a abertura do filme (com o narrador falando um pouco da história do Jason) bem legal. Acho que dos filmes de Sexta-Feira 13 com o Kane Hodder esse é o que mais vezes assisti. Só que simplesmente não desce mais.

  5. mnason disse:

    O roteiro ja estava gasto,tb nao gostei nada desse negocio de garota paranormal,o sexto filme foi criticado pelo humor negro,ja este,a unica coisa boa do filme foi a maquiagem e o aspecto visual,a fotografia `e boa,ma so ….deixa muito a desejar…tentaram de tudo Jason demonio no goes to hell,Jason alien X….Jason e freddy,vi um video no youtube que algumas pessoas foram responsaveis por essas besteiras que filmaram,dizem q o diretor do X um asiatico,nunca tinha visto um filme Sexta Feira 13.Em 2015 Sexta Feira volta as telas,dizem q sera o diretor de V/H/S,volta ao enredo antigo jovens,sexo e mortes.Espero o Acampamento,Jason e um bom roteiro.

  6. O 8 é de foder! Tem Manhattan no subtítulo, mas a galera só chega lá nos últimos 15 minutos!

  7. […] com o execrável Sexta-Feira 13 Parte 7 – A Matança Continua, e segue ladeira abaixo, resultando na pior bilheteria da série até então (pouco mais de 14 […]

  8. Braiam Carati disse:

    Eu realmente esperava mais da parte 7. Fiquei anos procurando pela parte 7 e quando assisti eu me decepcionei. Isso porque até a parte 6 (tirando o 5) estava indo tudo bem, a cada novo filme um novo “avanço”, mas esse filme não tem muita novidade. Eles não poderiam fazer com que o Jason apenas matasse as pessoas, teriam que dar um novo inimigo a ele (ou algo mais interessante) para que superasse o 6. Deram essa mocinha com poderes. A história não é muito interessante, sem falar das contradições. Mas é um filme aceitável, dede que, de preferência, esqueça a lógica.

  9. […] a ausência de Jason em Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo, a garota telecinética de Sexta-Feira 13 Parte 7 – A Matança Continua ou todos os absurdos e pataquadas do serial killer em Manhattan em Sexta-Feira 13 Parte 8 – Jason […]

  10. […] de medo? E como ele sairia de lá quando a minazinha telecinética o traz de volta a vida em A Matança Continua, se o sujeito tem um cagaço incontrolável de água? Nem preciso falar de como ele chegou […]

  11. […] Uma curiosidade é que alguns filmes da cinesérie Sexta-Feira 13, utilizavam o nome de músicas de Bowie como working title, para desviar atenção, como “Crystal Japan” (Sexta-Feira 13 – Parte 3), “Repetition” (Sexta-Feira 13 – Parte 5 – Um Novo Começo), “Aladdin Sane” (Sexta-Feira 13 – Parte 6 – Jason Vive) e “Birthday Bash” (Sexta-Feira 13 Parte 7 – A Matança Continua). […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: