573 – Abismo do Terror (1989)

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DeepStar Six

1989 / EUA / 105 min / Direção: Sean S. Cunnigham / Roteiro: Lewis Abernathy, Geof Miller / Produção: Sean S. Cunningham, Patrick Markey; Mario Kassar, Andrew G. Vajna (Produtores Executivos) / Elenco: Taurean Blacque, Nancy Everhead, Greg Evigan, Miguel Ferrer, Nia Peeples, Matt McCoy, Cindy Pickett

Já escrevi aqui no blog sobre diversos filmes de minha infância em que aconteceu praticamente a mesma coisa: assisti na Tela Quente, depois se perdeu no limbo da memória, com apenas alguns fragmentos de cenas, o nome foi esquecido por completo e só consegui redescobri-lo anos mais tarde por conta da Internet. Abismo do Terror é mais um desses.

Sempre me lembrava da história de um artrópode (foi a primeira vez que ouvi a palavra “artrópode”) gigantesco atacando um base submarina e também do sujeito que morria esmagado pelos efeitos da descompressão ao tentar voltar à superfície (foi a primeira vez que descobri os efeitos da descompressão). Mais tarde pude assisti-lo novamente e saquei duas coisas:

A primeira é que a direção era de Sean S. Cunningham, ninguém mais, ninguém menos que o criador de Sexta-Feira 13. A segunda é que certos filmes não deveriam ser revistos e viver para sempre no seu intocado imaginário pueril, porque Abismo do Terror é um sci-fi B, mas com B maiúsculo, e aquele artrópode, ah, aquele artrópode que me fascinou na juventude, parece mais obra de um Roger Corman só com um pouquinho (tiquinho assim, ó) mais de grana.

Todo mundo em pânico!

Todo mundo em pânico!

Outro detalhe curioso quando revi é que na lata veio a suposição: mas é uma cópia deslavada de O Segredo do Abismo, de James Cameron. Mas eis que não, pois na verdade, Abismo do Terror foi lançado alguns meses antes. Na verdade MESMO, ambos os roteiros foram escritos simultaneamente (e ainda tem Leviathan, também de 1989, que é na mesma pegada) e Cameron e Lewis Abernathy, escritor deste aqui, eram amigos. O “Rei do Mundo” até pediu para o parça atrasar o lançamento do filme para ambos não competirem, mas o muy amigo tocou um foda-se, seguiu em frente com seu projeto e gerou uma treta entre os dois, resolvida somente anos mais tarde.

Enfim, modinha na época, o lance de colocar humanos em perigo em uma estação no fundo do oceano não deu muito certo nesse caso aqui (e falando de bilheteria, nem em Leviathan e nem no filme de Cameron). E olha que acho uma ideia tão bacana quanto os filmes espaciais, pela mesma sensação de claustrofobia e perigo iminente. No caso, a estação DeepStar Six foi incumbida pela marinha americana de descobrir um local subaquático para instalar uma base de mísseis submersa, afinal, nunca se sabia o que os petralhas, ops, comunistas, podiam aprontar e a missão deles era trabalhar para garantir um mundo melhor.

Mas ao encontrar um local inexplorado no fundo do oceano, uma imensa caverna é descoberta, e obviamente uma criatura dada como extinta há milhões de anos faria dali seu lar. Um acidente libera esse crustáceo que começará a fazer suas vítimas. Após algumas perdas trágicas, o grupo recebe ordens para realizar a descompressão e submergir. O ganancioso Van Gelder (Marius Weyers) exige que os mísseis passem por um procedimento de segurança, mas o descompensado Snyder (Miguel Ferrer) acaba detonando-os, e a onda de choque atinge a estação submarina com tudo, causando avarias irreparáveis, fazendo com que os demais tripulantes fiquem presos no local, e para piorar, com oxigênio acabando e com o resfriamento do reator danificado, tudo irá explodir dali a poucas horas.

O escafandro e o artrópode

O escafandro e o artrópode

Tentando consertar a cagada e se safarem é que o monstro marinho consegue adentrar o local. Mudando constantemente de proporção, diga-se de passagem, pois inicialmente a criatura era gigantesca, daquele tipo monstro abissal, sabe? Mas de repente ele passa por uma escotilha e fica ali escondidinho embaixo d’água dentro do compartimento submerso. Snyder continua sendo o rei da presepada, matando Van Gelder com uma lança que explode seu peito e depois fugindo em disparada pela cápsula de escape sem o processo de descompressão, virando sopa.

No final das contas sobra o tosquíssimo casal sem a menor empatia e dono das atuações mais sofríveis, McBride (Greg Evigan), o herói, e Laidlaw (Taurean Blacque) a garota grávida em perigo, que precisam sair do local antes que tudo vá pelos ares (quer dizer, pelos mares…) e sobreviver ao ataque do caranguejo gigante de borracha tosco que muda a todo momento de tamanho. Olha, é uma pérola!

Até aquele costumeiro clima de suspense desse tipo de produção, com o apelo do fantástico, vai se mantendo por Cunningham o máximo que dá. Mas uma hora, o vilão teria que dar as caras, e aí, sacumé. Decente mesmo é quando o sujeito é devorado pela metade pelo bicho e fica dentro de uma roupa de mergulho e escafandro, pendurado de um lado para o outro com sangue gotejando. E o efeito da pressão explodindo o outro caboclo (mesmo que o espatifar final seja em off screen, infelizmente).

Então Abismo do Terror fica mesmo a título de curiosidade. E para aqueles que se lembram de sua exibição no horário nobre dos filmes da Rede Globo às segundas-feiras nos anos 90 e tem sua memória saudosista constantemente traída.

Siri na lata

Siri na lata

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Abismo do Terror não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

7 Comentários

  1. Marcus Vinícius disse:

    Ameaça em ambiente submarino é um clássico, pois é um ambiente onde um errinho e você se afoga, sendo assim está sempre cercado numa redoma claustrofóbica (um submarino, uma base submersa), e aí entra uma criatura que persegue você por todo esse ambiente fechado de onde fica difícil sair. Muito parecido com o clima que se cria em Ele: O Terror que Veio do Espaço ou mesmo Alien: O Oitavo Passageiro.

  2. Marcus Vinícius disse:

    Ah, eu vi Bacalhau, e não sei do que se reclama nessa dádiva da paródia. Um filme correto, que acertadamente nunca se leva a sério, e mantém suas sacanagens no seu alvo de sátira, Tubarão. Achei muito melhor que paródias pobres e perdidas em escatologia desnecessária como Inatividade Paranormal, dos Wayans, ou filmes do Jason Friedberg e Aaron Seltzer (Espartalhões, Deu a Louca em Hollywood, Uma ComédiaNada Romantica).

    • Oi Marcus Vinícius. Verdade, muito melhor que essas paródias que você citou, que são péssimas. Sim, Bacalhau é galhofa, nunca se leva a sério, isso é louvável. Eu deu várias risadas. E por isso rendeu o Horrorcast, para sacanear a sacanagem. Não é reclamar, é o trampo e a proposta que fazemos no Horrorcast.

  3. Marcus Vinícius disse:

    Compreendo agora, é que eu confundi sua análise como sendo um filme que não valesse a pena assistir, como Carrie de 2002. Obrigado por responder.

  4. […] meu post sobre Abismo do Terror? Lá falei que o ano de 1989 foi o ano dos filmes submarinos de terror/ficção científica. Além […]

  5. Shirley Paiva disse:

    Tempos do VHS! Saudade das eternas locadoras.

  6. Luis Salves disse:

    Clássicos que não voltam mais, acho que perderam a a imaginação la e, Hollywood ou se venderam, sei lá! Bons tempos de VHS e classicos legendados. Sci Fi não se pode produzir com computação gráfica, tem que ser trash, como escola de samba do grupo de acesso. 🙂 Rsrs Faço uma coleção de filmes Sci Fi lá no Face, Luis Salves, e louvo s produções 50,60,70 e 80. Abraços!

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