576 – Cemitério Maldito (1989)

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Pet Sematary

1989 / EUA / 103 min / Direção: Mary Lambert / Roteiro: Stephen King (baseado em seu livro) / Produção: Richard P. Rubinstein; Mitchell Galin (Co-produtor); Ralph S. Singleton (Produtor Associado); Tim Zinnermann (Produtor Executivo) / Elenco: Dale Midkiff, Denise Crosby, Fred Gwyne, Brad Greenquist, Miko Hughes

 

Stephen King em toda a história foi certamento o escritor que mais sofreu com péssimas adaptações de seus livros para o cinema. A maioria delas são completas bombas! Cemitério Maldito é exatamente uma das exceções, tendo ficado redondinho. E também é mais um caso daqueles filmes que marcaram a infância da molecada no início dos ano 90, como eu, quando foi  exibido lá na televisão aberta.

Cansado das fracas adaptações de seus livros ao cinema, satisfeito com raras exceções como Carrie – A Estranha e Christine – O Carro Assassino, puto com o que Kubrick tinha feito em O Iluminado, e depois de uma enxurrada de filmes de qualidade duvidosa produzidos por Dino De Laurentiis, King só deu o sinal verde para a produção de Cemitério Maldito, baseado no livro homônimo de 1983, mediante a exigência de que ele mesmo escrevesse o roteiro. A direção ficou com a então diretora de videoclipes Mary Lambert, que já havia dirigido nomes como Madonna (inclusive o clipe de “Like a Prayer”) e Nirvana.

O escritor do Maine nos traz uma história de horror basicamente sobre a perda. Em como não estamos preparados para perder pessoas queridas na nossa vida, e até mesmo animais. E que na vã tentativa de confortar nossa dor, somos capazes de cruzar barreiras intransponíveis e ir até as últimas consequências. Como é o caso do Dr. Louis Creed (Dale Midkiff), protagonista do filme.

MEOW

Mas o gato-to não morreu…

Creed muda-se com esposa, Rachel (Denise Crosby), e seus dois filhos, Ellie (Blaze Berdhal) e o bebê Gage (Miko Hughes), para uma casa no interior dos EUA, onde acaba de ser contratado para ser o médico da universidade local. A nova casa dos sonhos porém fica à beira de uma movimentada estrada, rota de caminhões durante dia e noite. Logo ao se mudarem conhecem o soturno vizinho Judd Crandall (interpretado por Fred Gwyne, o eterno Hermann do seriado Os Monstros), responsável por apresentar aos Creed o tal cemitério de animais, onde as crianças da cidade enterram seus bichinhos mortos, principalmente aqueles atropelados na estrada (por isso a grafia em inglês errada, sematary, e não cemetery).

Tudo lindo, maravilhoso, até que Rachel viaja com os filhos para passar o Dia de Ação de Graças com os pais, deixando Louis na cidade, o gato de estimação de Ellie, Church, é encontrado morto espatifado no jardim de Judd. Sabendo que a dor da perda seria muito grande para a menina, que ainda não sabe lidar com as questões da morte, Judd tem a BRILHANTE ideia de levar Louis para enterrar seu gato em um antigo cemitério indígena, além da trilha do cemitério de animais.

Só que aqueles que são enterrados naquele solo, voltam à vida de forma agressiva e com instintos assassinos. Assim como havia acontecido com o cachorro de Judd ou com um jovem que voltou da guerra e retornou como um violento zumbi. Mas mesmo assim, ele teve a pachorra de levar o pobre doutor lá para enterrar seu felino. E não dá outra! O bichano volta com um comportamento agressivo, jogando ratos na banheira e cheirando putrefação.

Sujeito desmiolado

Sujeito desmiolado

Em um ensolarado dia de piquenique, os Creed se descuidam do pequeno Gage que é atropelado por um Feneme que vinha à toda velocidade pela estrada, enquanto o caminhoneiro escutava “Sheena is a Punk Rocker” dos Ramones em alto e bom som. Se fosse no Brasil, estaria ouvindo Sula Miranda ou Gaúcho da Fronteira, certeza! E adivinha a ideia de girico do Dr. Creed? Enterrar o garoto no cemitério índio, claro!

Como você não está acostumado a ver crianças zumbis assassinas andando para lá e para cá com um bisturi tentando matar os pais e vizinhos, o pequeno Gage torna-se a verdadeira surpresa macabra do filme. Com a sua risadinha, meteu medo em um muita criança, assim como um grande amigo meu, que vimos juntos esse filme pela primeira vez na Tela Quente quando éramos pequenos. Ele teve pesadelos com Gage e vários temores noturnos por causa do pivetinho. Mas a cena mais impressionante do filme é quando conhecemos a irmã de Rachel, Zelda, portadora de uma rara meningite na espinha que a deixou inválida, de aparência esquelética e retorcida, gritando assustadoramente o nome da irmã (RAAAAAAAAAAAAACHEL), que era encarregada de cuidar dela quando criança. Detalhe que é um homem quem interpreta Zelda, pois não conseguiram encontrar uma mulher tão magra para o papel. E ponto também para o fantasma camarada Victor Pascow (Brad Greenquist), que desencarnou quando Creed tentava ajudá-lo, e por isso tenta dar um toques para ele.

O filme foi muito bem nas bilheterias e funciona por ser extremamente simples e direto, tratando de seus temas assustadores. E como disse, tem todo seu valor histórico, pelo menos para mim e toda uma geração que se assustou com o garotinho Gage na infância. Stephen King ainda faz uma ponta como um padre durante um enterro. E impossível desassociar Cemitério Maldito da música tema do filme dos Ramones (eles mais uma vez!).

Não é justo!

Não é justo!

Serviço de utilidade pública:

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

14 Comentários

  1. Diego Lobato disse:

    O garotinho não me assustava não, na verdade achava ele bem fofinho, agora a irmã dela é outros 500, realmente dá uns belos sustos, inclusive acho que se explorassem mais ela, ela teria tomado pra si o filme, acho que por isso que não deram mais destaque pra ela.

    P.S: vai fala da continuação com o John Connors mirim?

  2. Para mim, é mais um daqueles casos em que a música é mais famosa do que o filme,

  3. Papa Emeritus disse:

    Vão me xingar, mas depois de anos ao rever esse filme eu não acho ele tão legal quanto achava na minha infância. Mas continuo gostando da participação do Fred Gwyne. São pouquíssimos os filmes baseados em Stephen King que eu realmente gosto. Entre eles está O Iluminado (que mesmo com as mudanças que o Kubrick fez ainda acho o melhor filme baseado em Stephen King), Carrie (do Brian De Palma, claro), Um Sonho de Liberdade (apesar de eu não entender porque cultuam tanto esse filme, mas ainda acho um filmaço), enfim, são poucas coisas baseadas em Stephen King que eu realmente gosto.

  4. J. Barroso disse:

    Esse filme é simplesmente um clássico referente a Stephen King. Mas por favor, a sequência que deram pro filme é HORROROSA.

  5. Diego/RS disse:

    Como mencionei em comentário da resenha de um outro filme aqui do blog, revi este há alguns dias, depois de quase trinta anos e me surpreendi…
    Embora fosse um dos meus filmes de terror favoritos, esperava alguma decepção, pelo passar do tempo e tal, como quase sempre acontece, mas surpreendentemente isso não aconteceu e o achei muito bom, mesmo para os dias de hoje!

    Mas realmente, a Zelda era a “coisa” mais assustadora do filme (tava até meio tenso quando fui revê-lo recentemente, na expectativa desse reencontro com as cenas dela, rs, e acho que os dois personagens que mais me aterrorizaram nos filmes de terror desde sempre – talvez até mais do que a menina do Exorcista – foram ela e o Pastor do Poltergeist 2, talvez por em ambos os casos se tratar de um terror mais “psicológico” ou algo assim) e a verdade é que, cara, ela me perseguiu mesmo em pensamento durante anos depois da primeira vez que assisti esse filme… hehehe

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  12. Ana disse:

    Assim como o Diego/RS, resolvi assistir esse filme novamente e achei que fosse me decepcionar como aconteceu com outros filmes de terror que me amedrontaram quando criança e que agora vejo o quanto são bobos (como Poltergeist) mas me surpreendi! Não sei se é a ideia de uma criança matar de uma forma tão brutal (td bem, ele é do capeta mas a imagem é de uma criança né), se é o pai ter que matar o filho, se é a terrível imagem da Zelda arrrrghhhh, o fato é que ele foi capaz de me perturbar de novo. E o gato?!?! Até hoje tenho medo de gato cinza, ainda mais quando eles te olham de um jeito mal encarado, eu hein!
    Mas convenhamos esse Dr. Creed é um jumento msm, como se não bastasse toda a merda que ele fez enterrando o gato e o filho no cemitério ainda vai e enterra a mulher, ah fala serio né, será que ele não pensou na filha que tinha para criar e que perdeu a família inteira? Enfim, é um filme excelente, perturbador e com uma maravilhosa trilha sonora (melhor que Sula Miranda e Gaúcho da Fronteira hahahaha).

    P.S.: Vcs podiam fazer uma resenha do filme A Casa das Almas Perdidas, é um bom filme sobre poltergeist. A cena final com o fantasma chamando a Janet e a cara que ela faz me assombrou durante anos.

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