578 – A Hora do Pesadelo 5 – O Maior Horror de Freddy (1989)

nightmare_on_elm_street_five_xlg

A Nightmare on Elm Street: The Dream Child

1989 / EUA / 89 min / Direção: Stephen Hopkins / Roteiro: Leslie Bohem; John Skipp, Craig Spector, Leslie Bohem (história) / Produção: Rupert Harvey, Robert Shaye; Sara Risher, John Turtle (Produtores Executivos) / Elenco: Robert Englund, Lisa Wilcox, Kelly Jo Minter, Danny Hassel, Erika Anderson, Nicholas Mele

Um fato curioso (e triste ao mesmo tempo) para mim permeia A Hora do Pesadelo 5 – O Maior Horror de Freddy, a quarta sequência do filme de Wes Craven, que naquele momento do final dos anos 80, após espremer o bagaço o máximo que poderia, volta mais uma vez com aquela fórmula que já estava realmente dando no saco, depois de tantas continuações e a superexposição de Freddy Krueger, que se tornara um personagem da cultura POP.

Até os 20 minutos de duração, o filme é incrível! Sério, revendo para escrever a análise, percebi com todo pesar que derrapa justamente a partir do momento em que Freddy Krueger aparece e solta seu “It’s a booooooy” (é um garoto), mais uma vez um daqueles seus chistes jocosos que estragaram completamente um personagem sinistro e sádico, transformando-o num fanfarrão que curte uma galhofa.

É até triste você parar para pensar nisso, afinal ele é o astro, o personagem principal, o assassino adorável de nossa infância com sua luva de garras, cara queimada, chapéu de feltro e suéter vermelho e verde. Até então, o casal ternura do quarto filme, Alice (Lisa Wilcox) e Dan (Danny Hassel) estão numa boa, acabaram de se formar, preparam uma Eurotrip e tudo está as mil maravilhas, até que de repente, Alice começa a ter sonhos com uma possível ressurreição de Freddy, porém acordada!

Não é a mamãe!

Não é a mamãe!

Logo de cara (com direito a uma cena de banho e nudez sugerida que já agrada também) é desenvolvido todo um ambiente tétrico inerente aos pesadelos e cenários góticos explorados pelo diretor Stephen Hopkins, que funcionam de forma assertiva, com Alice revisitando o passado de Amanda Krueger, a mãe de Freddy, que fora explorado lá em A Hora do Pesadelo 3 – Os Guerreiros dos Sonhos, sendo deixada a própria sorte no manicômio e estuprada pelos internos, que gerou o fruto do vosso ventre, Freddy.

Todo um clima realmente soturno que vimos bastante em A Hora do Pesadelo original e também em sua terceira parte, aqui é resgatado em um exímio trabalho, até que Freddy volta a vida, dessa vez utilizando o feto que Alice carrega, pois ela está grávida, manipulando os sonhos do recém-formado para conseguir fazer suas vítimas, alimentar-se de suas almas e tentar voltar à vida. Esse escapismo do roteiro também é um leve sopro de originalidade muito bem vindo.

Mas depois do “It’s a booooy”, mais uma vez vemos o repeteco dos outros filmes, as mortes mirabolantes (mesmo a excelente morte da bulímica Greta, aspirante a modelo, pressionada por sua mãe megera, sendo empaturrada de comida até a morte) sempre seguidas de uma piadinha de gosto duvidoso, as batalhas toscas nos sonhos e uma solução deveras apressada envolvendo a mamãe Krueger também.

Dá a mão pro tio...

Dá a mão pro tio…

E como se não bastasse, temos a cena que quando você é moleque acha o máximo, mas quando fica mais velho, sente vergonha alheia, do Super Freddy, talvez o momento mais lembrado dessa quinta parte. E vale salientar também que originalmente o filme seria muito mais violento, com cenas das mortes mais extensas e sanguinárias, mas os produtores, querendo levar os adolescentes ao cinema, base de fãs do Freddy, cortou tudo que podia para evitar levar uma classificação alta.

Mas o diretor Stephen Hopkins precisa ficar o máximo de fora de toda e qualquer crítica ao filme, pois seu trabalho realmente é interessantíssimo, no que concerne a exploração dos ambientes dos sonhos e todos seus ambientes oníricos, assim como o trabalho hercúleo de gravar um filme em QUATRO semanas, por imposição do estúdio, e tendo apenas outras QUATRO para editá-lo. Como recompensa, o sujeito acabou ganhando a direção de Predador 2 – A Caçada Continua.

Uma curiosidade é que Stephen King e o quadrinista Frank Miller foram convidados para escrever o roteiro e dirigir o longa, ideia abortada por ambos. Sabe-se lá o que esses dois poderiam ter feito com o filme. Eu não colocaria minha mão no fogo por nenhum deles, pois sabemos tanto dos acertos, mas principalmente dos erros dessa dupla (Comboio do Terror e The Spirit estão aí para não me deixar mentir).

A Hora do Pesadelo 5 – O Maior Horror de Freddy (ou o maior horror de um subtítulo nacional) veio em um momento de ressaca do cinema de horror, que preparava terreno para as trevas vindouras para o gênero nos anos 90, da derrocada dos slashers, outrora sinônimos de público, e da inferioridade da quarta parte, que não se refletiu em sua bilheteria, sendo a maior da série. O resultado foi desastroso: apesar de estrear em terceiro lugar nas bilheterias, foi caindo semana após semana e faturou “só” 22 milhões (mesmo mediante o orçamento de oito milhões), menor resultado da franquia até o lançamento de O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger, cinco anos mais tarde.

Super Freddy!

Super Freddy!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Hora do Pesadelo 5 – O Maior Horror de Freddy está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

9 Comentários

  1. luiz beagle disse:

    esse filme sempre gera sentimentos conflituosos nos fãs,eu mesmo a primeira vez que eu vi detestei,achei sem graça,mas com o passar do tempo vi que o filme tem muitas qualidades: o filme tenta ter um tom mais sério em relação a parte 4 com um roteiro inteligente(ao contrário do anterior que não tinha roteiro) abordando também a depressão pré parto,esquizofrenia, e até insinuações de aborto e tentativa de retirar a guarda do filho da alice ,reparem que existe um grande arco envolvendo as partes 3,4 e 5, um clima tétrico,sombrio e com uma excelente direção de arte,poucas piadas(mais ligas ao super freddy),foram apenas 3 mortes (em contra partida do festival de mortes da parte 4) e ainda tivemos uma personagem cética que num fato inédito e único na série escapa do freddy.

    o grande problema desse filme são os coadjuvantes, totalmente sem carisma principalmente se comparados aos personagens das partes 1,3 e 4 em que o público se apegava e até hoje muitos fãs sabem os nomes de tina,nancy,glen,rod, kristen,joey,kincaid,taryn,will,phillip,alice,dan,rick,sheila,debbie… já os da parte 5? quem se importa?!

    a série poderia ter acabado aqui com dignidade e seriamos poupados da execrável parte 6 que é pior que a 2

    PS: a titulo de curiosidade o VHS nacional desse filme é absurdamente escuro,praticamente quase não dá pra ver nada,só fui admirar o filme em sua totalidade com o dvd…

  2. Literalmente “O Maior Horror de Freddy”, apesar de que o ápice da “didimocozação” do personagem viria no filme seguinte

  3. Marcus Vinícius disse:

    Uma curiosidade: a principal voz do Freddy Krueger, na dublagem Herbert Richers, é do Isaac Bardavid, que também é a voz de outro anti-heroi de garras compridas: Wolverine.

    • luiz beagle disse:

      o isaac bardavi redublou o freddy quando os filmes começaram a passar na globo por volta de 1994/1995( e nos dvds das partes 1, 2 e 3 ) o dublador original do freddy quando os filmes passavam no sbt era o mario montini

      confira as diferenças aqui:

      • Papa Emeritus disse:

        Eu prefiro o Mario Montini. Nostalgia pura ouvir Freddy Krueger na voz dele.

        Claro, nada se compara com a voz do próprio Robert Englund, mas pra quem cresceu vendo filmes dublados, essa dublagem do SBT é nostálgica.

  4. […] para dirigi-lo, contrataram Schow para escrever o roteiro, após um primeiro esboço do que seria A Hora do Pesadelo 5 – O Maior Horror de Freddy (onde Schow não levou o trabalho) e um episódio para a série Freddy’s Nightmares, e até Ken […]

  5. […] a ideia do alienígena atacando na cidade) e nem o novo diretor, Stephen Hopkins (oriundo de A Hora do Pesadelo 5 – O Maior Horror de Freddy), e declinou para estrelar SÓ O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento […]

  6. […] cujo roteiro, o longa seria focado em Jacob Johnson, o filho da Alice, nascido no final de A Hora do Pesadelo 5 – O Maior Horror de Freddy, com 16 anos, com a moça já trintona sendo morta por Freddy e a volta de Taryn, Joey e Kincaid, […]

  7. Leonardo disse:

    Acho ótimo até os 40 e poucos minutos, parece até que vai ser a melhor sequência. Os pesadelos na Alice no começo são fodas, o Freddy renascendo na Igreja e depois as mortes de Dan e Greta ficaram muito boas também. Mas depois disso o filme vai ficando morno, não que fique ruim, mas cai bem o ritmo. E é meio difícil engolir a idéia de um “feto” derrotar o Freddy no final. No geral, pra quem curtiu o 3 e o 4 da pra assistir tranquilamente, mas acho o mais inferior dentre os 5 primeiros.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: