580 – A Mosca 2 (1989)

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The Fly II

1989 / EUA / 105 min / Direção: Chris Walas / Roteiro: Mick Garris, Jim Wheat, Ken Wheat, Frank Darabont / Produção: Steven-Charles Jaffe; Gillian Richardson (Produtor Associado); Stuart Cornfeld (Produtor Executivo) / Elenco: Eric Stotlz, Daphne Zuniga, Lee Richardson, John Getz, Frank C. Turner, Ann Marie Lee, Garry Chalk

A Mosca 2 é mais uma daquelas sequências caça-níquel. Fato consumado. Mas olhe, ele não é de tuuuuuudo tão ruim. Na verdade, se formos pensar em termos dos efeitos de maquiagem, o longa é excelente. O roteiro também tem lá seus méritos, ainda mais se tratando de uma continuação direta de seu antecessor, o insuperável A Mosca, dirigido por David Cronenberg. O grande problema é o final salafrário (coisa de estúdio, sabe?) e o visual da criatura principal.

Fato é que A Mosca é um filme tenso. Além da nojeira no limite, dos dilemas morais e científicos aplicados, da deturpada história de amor, o final é completamente pessimista, uma vez que Brudlemosca ao virar a amálgama mutante entre humano e inseto, acaba fazendo o papel do vilão (ou anti-herói?), deixando a mocinha grávida (a quem tenta até matar em última instância) e sendo morto/sacrificado depois de mais um teleporte errado.

O filho de Seth Brundle e Veronica Quaife (Geena Davis não voltou para o prólogo porque ficou deveras traumatizada com a cena da cirurgia obstetrícia da larva no primeiro, e uma vez que ela voltaria apenas por poucos minutos para dar a luz ao bebê) será então o protagonista nesta sequência (tal qual o filho de Andre Delambre em O Monstro de Mil Olhos, sequência do original A Mosca da Cabeça Branca, lá dos anos 50). Veronica morre no parto e o garoto, Martin, que nasce aparentemente normal e será confinado, cuidado e observado por uma equipe de cientistas da empresa comandada pelo famigerado Sr. Bartok (Lee Richardson).

Máquina de teletransporte ou câmara de bronzeamento?

Máquina de teletransporte ou câmara de bronzeamento?

Como Martin possui o metabolismo de um inseto, com cinco anos de vida ele já se torna um adulto, agora interpretado por Eric Stoltz (o papel quase foi de Vincent D’Onofrio, que acabou não passando no teste, e também fora oferecido para Keanu Reaves e Josh Brolin), e passa a trabalhar, sempre manipulado por Bartok, nos telepods do pai. Tudo está bem na medida do possível, Martin se engraça com a também pesquisadora Beth (Daphne Zuniga, impossível de se desassociar da Princesa Vespa de Spaceballs), mas eis que a mutação em seu organismo começa a dar sinais de vida e ele descobre que está sendo usado por Bartok e continua tendo sua privacidade e passos filmados, inclusive dando umazinha (ainda bem que não tinha xvideos naquela época).

Então Martin fica emputecido, ao mesmo tempo em que tenta fugir e começa a se transformar em um museu ambulante de nojo, secreção, gosma, peles e órgãos caindo, até que é levado de volta à Bartok, entrando no estágio de casulo, de onde sairá a criatura mutante inseto gigante que irá se tornar. Mas que fica bem tosca, parecendo um vilão do Changeman, muito aquém do trabalho ganhador do Oscar® no primeiro A Mosca, que por sinal, foi feito pelo Chris Walas, que dirige essa sequência com sua equipe assumindo essa tarefa.

Mas em contrapartida, a transformação de Eric Stoltz no Brundlemosca II é de tirar o chapéu, assim como as cenas de splatter (principalmente quando o moscão vomita sua secreção ácida no rosto de um segurança, ou quando outro guardinha tem sua cabeça esmagada por um elevador) e algumas outras criaturas deformadas (incluindo aí um pobre cãozinho vítima de um teleporte mal sucedido), que não entrarei mais em mais detalhes para não soltar SPOILERS do final do filme.

O incrível homem que derreteu

O incrível homem que derreteu

Mas ainda dando meus dois centavos sobre o final feliz do filme, quebrando já o infeliz destino do pai Brundlemosca, com uma puta lição de moral e maniqueísmo desnecessário, é realmente broxante e pelo menos em meu caso, o filme perde todos os pontos que conseguiu conquistar até então por conta de uma resolução faceira do estúdio para o grande público coxa, infelizmente. E olha que teve gente bem conhecida dos fãs do horror cuidando do roteiro, como Mick Garris e Frank Darabont.

Mas a passagem mais genial de todo A Mosca 2 provavelmente deve ter passado desapercebido de muita gente, mas não do blogueiro aqui. Dado momento há uma cena com um vigia noturno da Bartok dentro de sua guarita, e o livro que ele está lendo se chama “The Shape of Rage”, que é exatamente o livro escrito pelo Dr. Hal Raglan em Os Filhos do Medo, dirigido por quem? David Cronenberg! Bela homenagem ao diretor do primeiro filme.

Mas como disse no começo do texto, toda a estrutura da sequência em repetir fórmulas (como a história do caso amoroso entre Martin e Beth), em ampliar o conceito do mutante, deixando-o maior, mais mortal, e mais cartunesco, por conseguinte, e com muito mais tempo em cena, e o tal do final mela cueca, é o que transforma A Mosca 2 em uma sequência caça-níquel clássica com cara de produto enlatado de estúdio. O que é uma pena, pois ele é decente de certa forma e poderia ter um resultado muito mais satisfatório.

Traz o Baygon aí!

Traz o Baygon aí!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Mosca 2 está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

2 Comentários

  1. Papa Emeritus disse:

    Esse é basicamente o tipo de filme que divide opiniões. Eu particularmente não sou fã dessa sequência. Ok, as cenas de nojeira são ÓTIMAS. Mas eu tenho a péssima mania de ficar comparando filmes. E toda vez que eu comparo essa sequência com o filme de 1986 eu sempre acabo achando ela meio “nhé”. Além do mais, como você disse, tem algumas situações no filme que é puramente repetição de fórmula (o que é muito comum em sequências).

  2. Braiam Carati disse:

    Adorei ambos os filmes, inclusive ele foi usado como inspiração para o jogo Half-life. Prosseguindo, gostei muito mais do final do segundo, não gosto muito da ideia de finais tristes, para mim isso estraga a história.

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