590 – Aracnofobia (1990)

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Arachnophobia

1990 / EUA / 103 min / Direção: Frank Marshall / Roteiro: Don Jakoby, Wesley Strick / Produção: Kathleen Kennedy, Richard Vane; Don Jakoby (Coprodutor); William S. Beasley (Produtor Associado); Robert W. Cort, Ted Field (Coprodutores Executivos); Steven Spielberg, Frank Marshall (Produtores Executivos) / Elenco: Jeff Daniels, Harley Jane Kozak, John Goodman, Julian Sands, Stuart Parkin, Brian McNamara

 

Esse é um CLÁSSICO! Mais um hit do VHS, da Tela Quente e da Sessão da Tarde posteriormente. Aracnofobia é altamente adorável em sua inocência pueril, culpa aí do Sr. Steven Spielberg, e um pânico absurdo para quem sofre de hã, aracnofobia.

Fato é que a película é um filme B pomposo que não caiu na armadilha de ser um filme B, estilo O Império das Aranhas (e todos os outros com aracnídeos gigantes), exatamente por ter Spielberg na produção, vindo com todo o aparato de sua Amblin Entertainment, a direção de Frank Marshall (que é o produtor de Indiana Jones, Poltergeist – O Fenômeno, No Limite da Realidade, Gremlins, De Volta Para o Futuro, Os Goonies e tudo mais que tinha dedo do Sr. Steven) e a distribuição da Hollywood Pictures, braço da Disney para os filmes “mais adultos” da época.

Mas vamos lá, são aranhas mortíferas atacando humanos! O estilo eco-horror, quando a natureza se revolta contra a humanidade, se não for muito bem feito, tem o sério risco de virar tema de um Horrrocast. E olha que o roteiro é de Don Jakoby, sujeito que tem em seu currículo as bombas do Tobe Hooper, Força Sinistra e Os Invasores de Marte. Mas tudo deu certo por conta do $$$ (sempre ele, e estou falando de 31 milhões de doletas, para ser mais exato) e pela total pegada PG-13 com aquele jeitão Spielberg de ser. Por isso arrebatou o coração de crianças e seus pais em uma época em que Steven realmente DOMINAVA o cinema. E faturou mais de 53 milhões de bilheteria só na terra do Tio Sam.

Na trama, o entomólogo Dr. James Atherton (o eterno Warlock – O Demônio, Julian Sands) descobre uma nova e mortal espécie de aranha extremamente venenosa em uma floresta na América do Sul. O fotógrafo Jerry Manley (Mark L. Taylor) é chamado para fazer uns cliques, mas acaba picado pelo artrópode e morre em questão de minutos. Seu corpo é mandado de volta para sua cidade natal fictícia, Canaima (que na verdade é o nome do parque florestal na Venezuela onde foram gravadas essas cenas iniciais) e o bichinho peludo e cheio de patas vem junto de carona no caixão.

Tenha medo, tenha muito medo!

Tenha medo, tenha muito medo!

Ao mesmo tempo (olhe que coincidência!) muda-se para a casa, cujo celeiro servirá de ninho para as aranhas se reproduzirem, o Dr. Ross Jennings (Jeff Daniels), substituto do velho médico local que está preste a se aposentar (e dá para trás) e que adivinhem? Sofre de aracnofobia!!! Uma infestação de aranhas pra lá de venenosas toma conta de Canaima e as vítimas vão aparecendo uma a uma, até que uma investigação liderada por Jennings, Atherton e seu assistente, Chris Collins (Brian McNamara) descobre os planos de conquista territorial dessa nova e mortal espécie, e precisam impedi-las, contando com a ajuda do caricato dedetizador Delbert McClintock, papel que caiu como luva para o bonachão John Goodman.

Há precisamente todo o dilema do herói, que começa sendo rechaçado pelos moradores, como o sujeito esnobe que veio da cidade grande (e estudou em Yale) querendo desestabilizar seu status quo, e que em sua odisseia passa a ser o combatente contra o exército aracnídeo, tendo de vencer seu medo mais primal, que vem de sua infância, quando era uma criancinha e sentiu uma aranha caranguejeira andando em seu corpo imobilizado, para conseguir salvar a cidade e o dia. Tudo isso misturado com efeitos animatrônicos (como da “Aranha General”, criada por James Hyneman, o Mythbuster, em um de seus primeiros trabalhos), animais de verdade (uma espécie vinda da Nova Zelândia completamente inofensiva), algumas boas cenas de suspense e alguns momentos família ao melhor estilo Spielberg (incluindo a trilha sonora característica, que até emula John Williams ou Jerry Goldsmith).

Mas como disse lá em cima, Aracnofobia fez sucesso, foi aceito pelo grande público, virou hit na locadora e nas tardes da Globo (onde podia ser exibido numa boa, já que é dos mais inofensivos) e ganhou até um JOGO DE VIDEOGAME para PC!!! Sério, a melhor coisa de escrever esse blog é fuçar na Internet e se deparar com coisas do arco da velha em suas pesquisas que você não fazia IDEIA que existia. PORRA UM GAME DE ARACNOFOBIA??? Fazia-se jogo ruim de tudo quanto é filme mesmo naquela época (Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, Tubarão, E.T. – esse, o “clássico” que quebrou a Atari). Tem até o gameplay para o Amiga que dá pra ver aqui no Youtube, para os mais curiosos.

Medo mesmo desse filme, só se você sofrer da doença do título, porque o resto é diversão água com açúcar típica dessa patota toda aí. O que não tira o mérito de Aracnofobia, que alcança seu propósito e terá sempre um lugar no coração saudosista das crianças dos anos 90.

A dona aranha subiu pelo jarro...

A dona aranha subiu pelo jarro…

Serviço de utilidade pública:

Compre o Blu-Ray de Aracnofobia aqui.

Download: Torrent + legenda aqui.

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

3 Comentários

  1. “Amiga”… toda vez que eu leio o nome desse console eu imagino vc e o Bruno imitando bicha: “Ai bicha! Te afogo!” Hahaha

    Marquei a página do 101 no Facebook num pequeno projeto. Depois vê lá!

  2. alucardcorner disse:

    Eu não acredito que saiu um jogo de esse filme!! ahaha que grande clássico!! Muito medo tinha eu de aranhas a ver esta peróla, cheguei a gravar em VHS, um dia a ver se revejo!

    Bom Ano 3!

  3. […] escrito por Don Jakoby (o mesmo roteirista de Força Sinistra e Invasores de Marte de Tobe Hooper e Aracnofobia) é muito bacana, ainda mais em sua reviravolta quando mostra que naquela velha história do […]

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