593 – Baby Blood (1990)

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1990 / França / 82 min / Direção: Alain Robak / Roteiro: Serge Cukier, Alain Robak / Produção: Joëlle Malberg, Irène Sohm, Ariel Zeitoum / Elenco: Emmanuell Escorrou, Christian Sinniger, Jean-François Gallotte, Roselyne Geslot, François Frappier, Thierry Le Portieur

 

Não é de hoje que o cinema extremo francês rende bons frutos. Antes de Alta Tensão, A Invasora e A Fronteira , entre outros exemplos, um excelente exemplar obscuro de filme gráfico e sangrento até dizer chega é esse bizarríssimo Baby Blood, do diretor Alain Robak, lançado lá no começo da década de 90.

Gore daqueles sem limites de banhar a tela de vermelho, sabe? Além de ser curto e grosso, é todo transgressor, violento, amoral e com suas doses de nudez frontal da protagonista, Yanka, vivida pela exótica Emmanuelle Escorrou. Do jeito que o diabo gosta! Mas também funciona nas entrelinhas como um grito feminino de libertação e contestação.

Grávidas de uma criatura misteriosa e maligna tem lá seu filão no cinema de horror. Eternizado por O Bebê de Rosemary de Roman Polansky, passando pela trasheira Nasce um Monstro de Larry Cohen e até o mais recente O Herdeiro do Diabo. Baby Blood bebe exatamente nestas fontes de ideias, além de colocar seus dois pés no cinema splatter italiano da década passada, pitadas de humor negro e lembrar outros filmes B de gabarito, como O Soro do Mal de Frank Henenlotter.

Logo na primeira cena vemos a criação do mundo e uma narração de uma espécie de presença onisciente maligna ancestral (voz do próprio Robak) reclamando que as primeiras formas de vida surgiram nos pântanos da África e todas se reproduziram, exceto ela. Então ao melhor estilo “O Direito de Nascer”, depois de milênios chegou a vez dessa “coisa”, quando o parasita toma posse do corpo de um leopardo (o qual nunca vemos em cena, apenas seu POV) que é levado para um circo no Norte da França.

Sem licença para dirigir

Sem licença para dirigir

Certa noite o leopardo simplesmente explode e a criatura sai do sue interior, procurando uma hospedeira humana para poder geri-lo. A escolhida é Yanka, que vive com a trupe e é tratada como lixo pelo marido violento e autoritário. A coisa então entra por sua xavasca e se aloja em seu útero, ficando por ali para completar a sua gestação. Não demora em que a criatura em seu ventre passe a conversar telepaticamente com Yanka, criando ali um simbiótico elo mortal, e lhe dar ordens para que ela mate os homens e se alimente de seu sangue, liquido que ele precisa para se desenvolver e saciar sua fome.

Yanka pega suas coisas e foge do circo, vivendo a partir daí uma vida nômade, tentando ao máximo resistir aos desejos sanguinários da criatura. Porém, o instinto materno sempre fala mais alto e ela entra numa espiral desenfreada de matança, começando pelo seu ex-marido que a encontra, passando por toda sorte de homem e mulher que cruzar seu caminho, desde um sujeito que se apaixona pela mesma e até tem as melhores intenções (tipo, pedi-la em casamento), até a galera em um ônibus repleto de doadores de sangue ou os paramédicos de uma ambulância que tentam ajuda-la em seu parto.

Baby Blood literalmente se torna uma descida de montanha-russa, com Yanka cada vez mais entregue aos seus surtos psicóticos enquanto troca ideia com o feto maligno que vai ali se desenvolvendo até que ela dê a luz. Verdadeiros litros e mais litros de sangue são jogados em cena com mortes mais gráficas e violentas que a anterior (e vale tesourada, enforcamento com cabo de telefone, atropelamento estourando a cabeça no muro, nego explodindo com excesso de gás, e por aí vai). Como se não bastasse, há ainda sonhos da pobre mulher com o nascimento da criatura, como visto na emblemática sequência em que dois braços envoltos em sangue rasgam sua barriga e se põe para fora do seu corpo. Já a única intenção do parasita é nascer, para assim poder se deslocar ao oceano, e repetir a origem da vida da Terra, voltando daqui a 60 milhões de anos como a nova espécie dominante (!!!???).

Crash test dummy

Crash test dummy

ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Só que cedo ou tarde, chegará a hora do ciclo da gravidez se cumprir e o parto se fará necessário. Inicialmente a criatura nasce com forma humana, mas é abandonado pela mãe, que tenta fugir de carona em um ônibus repleto de jogadores de futebol que tentam estupra-la e um motorista escroto pinguço. Porém, o monstro agora nos brinda com sua verdadeira forma parasitária e ataca ao motorista, fazendo com que ele perca o controle do veículo, saia da estrada e exploda, dando um fim trágico e surpreendente a todos. Mas, acontece que sabe se lá como, a criatura secular sobrevive e consegue completar sua missão, arrastando-se para o oceano. Continua daqui a 60 milhões de anos…

O diretor Alain Robak também aproveita as entrelinhas para criticar o mundo sexista e misógino que Yanka, e todas as mulheres na verdade, vivem, que as vê como um objeto sexual, apenas um pedaço de carne, e o parasita alienígena funciona como uma espécie de nova consciência que não lhe permitirá mais esses abusos, lhe induz de pensamento crítico e isenção do medo e da moral, incitando sua independência e que este é o momento de dar o troco nesses porcos chauvinistas, mesmo que seja só para que ela possa se alimentar, na verdade.

O que importa mesmo, de verdade para o fã do horror, é que da sua metade para frente, além do humor negro, Baby Blood representa o descarrilhar de uma personagem atormentada, influenciada por uma mente maligna, mas capaz de fazer tudo por ela apenas pelo instinto materno, e baldes e mais baldes de sangue são utilizados em cenas extremamente fortes e gráficas, como um lampejo do caminho que o cinema de terror francês trilharia dali há alguns anos por uma nova geração de diretores.

Goro!

Goro!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Baby Blood não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

2 Comentários

  1. joão disse:

    essa criatura que entrou no corpo da Yanka faz o Venom das revistas do aranha simbionte parasita de jardim de infancia!

  2. Aline disse:

    A Yanka não abandona o “filho” e tenta fugir de carona no ônibus dos jogadores, ela na verdade entra no ônibus para seguir a criatura! Injustiça falar assim dela hehehe

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