594 – Brinquedo Assassino 2 (1990)

poster1

Child’s Play 2

1990 / EUA / 84 min / Direção: John Lafia / Roteiro: Don Mancini / Produção: David Kirschner; Laura Moskowitz (Coprodutor); Robert Latham Brown (Produtor Executivo) / Elenco: Alex Vincent, Jenny Agutter, Gerrit Graham, Christine Elise, Brad Dourif, Grace Zabriskie, Peter Haskell

 

 

Brinquedo Assassino 2 traz a fatídica volta do imortal Chucky aos cinemas, dois anos depois do sucesso de Brinquedo Assassino original, de Tom Holland. Don Mancini, criador do adorável boneco possuído pelo macumbeiro Charles Lee Ray, volta como roteirista e é o responsável por ajudar que essa sequência seja, digamos, aceitável.

Claro, não há nada de excepcional em Brinquedo Assassino 2. É um daqueles filmes bem descartáveis, feitos exatamente para capitanear ainda mais grana em cima do primeiro e estabelecer mais uma franquia slasher no cinema de terror. Mas pelo menos ele não tem grandes pretensões e mantém-se dentro do seu propósito. Na verdade, sendo um pouco mais justo, há sim duas coisas louváveis na fita:

A primeira é que apesar de seguirmos acompanhando a vida de infortúnios de Andy Barclay (papel reprisado por Alex Vincent, notoriamente menos insuportável que no primeiro filme), dois personagens chave do anterior não voltam: a mãe de Andy (vivida pela atriz Catherine Hicks) e o policial Mike Norris (Chris Sarandon), ambos no roteiro original, mas cortados de seus papeis. Então assim, podemos seguir em frente com o menino posto para adoção e vivendo sob constante suspeita de ter inventado um “boneco assassino” de sua cabecinha maluca e sem a velha armadilha de recauchutar o primeiro, com a mãe lutando pela guarda do moleque, o policial também desacreditado cuja carreira foi para o saco, e etc.

A segunda é que realmente é de se tirar o chapéu para os bonecos e animatrônicos usados para que Brad Dourif desse a voz ao psicopata de plástico (mais uma vez). Isso tudo pré-CGI, e assim, constelações de diferença e qualidade do que, por exemplo, é a porcaria A Maldição de Chucky. Cortesia da equipe de Kevin Yagher, que acabou dirigindo diversas cenas por conta dos problemas (imperceptíveis) de funcionamento dos bonecos. Falando em dirigir cenas, sabia que Wes Craven havia sido cotado originalmente para dirigir Brinquedo Assassino 2? Não sei se isso poderia ser bom, ou ruim, dado o estágio da carreira que ele se encontrava naqueles momentos.

A mão à palmatória

A mão à palmatória

Ah sim, a trama. O chefão da empresa do Bonzinho está puto da vida com a publicidade negativa por conta do boneco suspeito de matar pessoas, e para sossegar os acionistas e tentar reverter o marketing péssimo, resolve recriar aquele mesmo bonecão que foi destruído e incinerado no final do primeiro longa. Só que a alma perversa de Chucky ainda está lá, mata eletrocutado um dos técnicos (não me pergunte como) e resolve procurar o pequeno Andy para transferir sua alma de uma vez por todas.

Por sua vez, Andy foi adotado por uma nova família, composta pelo casal Phil e Joanne Simpson (Gerrit Graham de A Visão do Terror e Jenny Agutter de Um Lobisomem Americano em Londres, respectivamente) e vai viver na casa deles junto com a adolescente rebelde Kyle (Christine Elise), que será a única a acreditar nele quando Chucky descobrir o paradeiro do pentelho e arrastar de acordo para ferir a imagem do garoto e matar as pessoas a sua volta, de formas bem criativas, como a velha professora rabugenta que é espancada até a morte pela palmatória.

Com o assassinato do seu padrasto e madrasta na sequência, Andy e Kyle vão combater Chucky na fábrica dos bonecos Bonzinho, onde acontece a boa perseguição durante o terceiro ato, mostrando que Chucky, tal quais seus pares de carne e osso, Jason, Michael Myers e Freddy Krueger, também tem sua parcela de maníaco badass indestrutível.

Cenas de suspense, assassinatos e o indefectível humor negro sarcástico de Chucky estão presentes em grande parte da fita, o que torna Brinquedo Assassino 2 um entretenimento honesto, se você é fã da franquia, mas que não faz jus ao grande vilão. É só uma sequência qualquer, e não dá para florear nada sobre. O fato concreto é que faturou mais de 28 milhões de dólares de bilheteria nos EUA (mediante 13 milhões de orçamento) e ocupou o primeiro lugar em seu final de semana de estreia, fazendo com que as outras sequências viessem por aí, continuando tentando se levar a sério, como o execrável terceiro filme, ou partindo para a galhofa em A Noiva de Chucky e O Filho de Chucky. E ah, aquela atrocidade “volta às origens” (???!!!) lançada em 2013.

Chucky com adenóides

Chucky com adenóides

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Brinquedo Assassino 2 está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

6 Comentários

  1. Edmond Dantez disse:

    Esperemos os comentários. Na minha singela opinião, suas análises são super honestas… e bastante coerentes. Abraços.

  2. Papa Emeritus disse:

    Eu gosto do 2. Não é nenhum filmão, mas ainda assim eu gosto.

  3. The Fox Demon disse:

    A perseguição na fabrica de brinquedos é muito legal, e aquela morte do Chucky é a minha favorita de toda a série.

  4. […] eu já falei que Brinquedo Assassino 2 é uma sequência X, o que falar então de Brinquedo Assassino 3? Só não tem a honra de ser o […]

  5. Saulo Vale disse:

    O filme tem “erros”. O que aconteceu com o detetive do primeiro filme? E os “pais adotivos provisórios” do Andy não parecem ter a menor competência para cuidar de crianças, principalmente com problemas sérios. Pior que o filme deixa entendido que costumam fazer isso… Como levaram o Andy e esqueceram que tinham um “Goog Guy” novinho entre os brinquedos? Queriam traumatizar ainda mais o garoto? Fora que por vezes se demonstram insensíveis e obtusos a tudo que o garoto passou, o criticando a ponto dele fingir amizade com o Goog Guy da casa para parecer recuperado do trauma e não ser mandado embora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: