596 – A Criatura do Cemitério (1990)

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Graveyard Shift

1990 / EUA / 89 min / Direção: Ralph S. Singleton / Roteiro: John Esposito (baseado no conto de Stephen King) / Produção: William J. Dunn, Ralph S. Singleton; Anthony Labonte, Joan V. Singleton (Produtores Associados); Bonnie Sugar, Larry Sugar (Produtores Executivos) / Elenco: David Andrews, Kelly Wolf, Stephen Macht, Andrew Divoff, Vic Polizos, Brad Dourif

 

Nessa altura do campeonato, adaptações ruins de contos de Stephen King para a telona já era mato. Mas olha que esse A Criatura do Cemitério merece uma medalha. Produtores querendo ganhar uma grana levando o público fã do Mestre do Terror para os cinemas simplesmente topavam qualquer negócio, achando que a bilheteria estava garantida.

Não foi o caso de A Criatura do Cemitério. Não há marketing que salve uma bomba dessa magnitude, muito menos a heresia que a distribuidora do VHS nacional cometeu, ao escrever bem a seguinte frase em sua capa: “Stephen King aterrorizou em O Iluminado e Carrie. Desta vez ele se superou”. Só faltou assinar: LISPECTOR, Clarice. O filme ainda teve a distribuição da Paramount Pictures, gastou 10 milhões de dólares, mas faturou 11 milhões, mal se pagando.

A Criatura do Cemitério foi inspirado no conto homônimo “The Graveyard Shift”, aqui no Brasil, “O Último Turno”, publicado na coletânea “Sombras da Noite” de 1978. E vale aqui um adendo que o livro foi um celeiro de histórias para filmes execráveis. Para ter uma ideia, saíram de suas páginas as pérolas do gênero: Mangler, O Grito de Terror, Às Vezes Eles Voltam, Passageiro do Futuro e Comboio do Terror. Tá bom para você?

Enfim, em uma cidadezinha do Maine (ah, vá?) há um moinho têxtil chamado Moinho Bachman (para quem não sabe, Bachman é o sobrenome do pseudônimo de Stephen King) onde um funcionário do turno da noite que cuida da máquina que desfia algodão é morto de forma violenta e misteriosa. Um forasteiro, John Hall (David Andrews) é contratado em seu lugar pelo sacana dono do empreendimento, Warwick (Stephen Macht), que pagou uma boa propina para a fiscalização não fechar o local após uma conferida na zona que era o porão da fábrica, logo depois do acidente.

Tá na mesa, pessoal!

Tá na mesa, pessoal!

Mas ele precisa limpar aquele porão e oferecendo pagamento dobrado para um bando de trabalhadores durante o feriado de 04 de julho (e algumas chantagens e extorsões), eles se embrenham em uma missão no meio das tranqueiras infestadas de ratos, sujeira, ferro velho acumulado durante anos e documentos antigos, sem imaginar que uma terrível criatura quiróptera mutante vive por ali. Sim, é como se o inimigo do Batman, o Morcego Humano fizesse do local sua residência. Agora imagine a limitação orçamentária impondo efeitos especiais, de maquiagem e mecânicos de terceira categoria para o bicho e BINGO, você tem aí a trasheira que dói até a medula.

E olha que nem vale a pena falar no quão a história é rasa, os personagens são descartáveis, o roteiro é cheio de buracos e as atuações são do pior calibre possível (salva-se apenas Brad Dourif, a eterna voz do boneco Chucky, como um exterminador). Tudo poderia ser ruim, mas nada, nada se compara ao monstrengo. Ainda bem que pelo menos ele aparece pouco em cena e é filmado geralmente em close, porque senão a vergonha seria maior. A quem eles queriam enganar ou assustar? A máxima que de tão ruim fica bom, não se aplica aqui, definitivamente.

Uma curiosidade é que lá no final dos anos 80, Tom Savini estava cotado para dirigi-lo, mas o projeto foi colocado de lado pela falta de interesse do estúdio. Não sei nem como e nem o porquê desengavetaram essa ideia. Mas então me pego pensando hipoteticamente que talvez, apenas talvez, a presença de Savini pelo menos elevasse a fita no quesito FX.

Mas além de tudo, A Criatura do Cemitério é um filme chato. Ruim, sabe? Mais que isso, é uma afronta ao espectador, reflexo desastroso dessa obsessão dos produtores em adaptar qualquer história de King (e olha que o conto é dos bons, viu) de qualquer jeito achando que vai ter retorno, como disse lá em cima. Infelizmente, era uma prática das mais comuns.

I'm Batman!

I’m Batman!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Criatura do Cemitério não foi lançado em DVD no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

3 Comentários

  1. Papa Emeritus disse:

    Esse filme representa bem o que eu acho da maioria esmagadora das adaptações de Stephen King pro cinema. Descartável até o último metro de película. São realmente pouquíssimos filmes baseados em Stephen King que eu gosto.

  2. Daya disse:

    Esse conto é um dos meus preferidos! Mas a resenha sobre o filme me assustou tanto, que perdi a vontade de assisti-lo! rs

  3. Fernando disse:

    Ta ai…eu gostei.

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