10 – Fausto (1926)

Faust – Eine deutsche Volkssage / Faust

1926 / Alemanha / P&B / Mudo / 116 min / Direção: F.W. Murnau / Roteiro: Gerhart Hauptmann, Hans Kyser (baseado na obra de Johann Wolfgang von Goethe) / Produção: Erich Pommer / Elenco: Gösta Ekmann, Emil Jannings, Camila Horn, Frieda Richard, Wilhelm Dieterle


 Mais uma vez o diretor F. W. Murnau ataca, agora com uma pretensiosa superprodução do expressionismo alemão baseada na famosa obra de Goethe. Fausto é um filme com uma metragem longa, novelão, recheado de cenários e “efeitos especiais”, que traz mais uma vez ao cinema questões envolvendo o demônio e elementos sobrenaturais.

Para quem não conhece a trama, Fausto é a história definitiva da venda da alma ao diabo em troca de favores, que vão de poder, riqueza, até o amor de uma mulher. Inspirado em uma popular lenda alemã, o poema de Goethe narra a tragédia épica do Dr. Fausto, um velho homem das ciências, que desiludido pelas limitações do seu tempo, ao ver a população da sua cidade sucumbir à peste, faz um pacto com Mefistófeles, ou Mephisto, que em troca da sua alma, conseguida através de um contrato assinado com sangue, lhe daria conhecimento, poder, glória, juventude e até um rabo de saia, nesse caso Gretchen, uma singela camponesa pela qual se apaixona. Mas claro que como todo pacto com o diabo que se preze, a coisa não acaba bem e uma sequência de tragédias e questionamentos atormenta os personagens até seu final.

Murnau, que já havia imprimido as características do cinema gótico em sua obra anterior, Nosferatu – Uma Sinfonia de Horror, nos brinda com um trabalho executando muito bem o jogo de luz e sombra para criar um clima soturno e cenas impressionantes, como a conjuração de Mephisto ou o diabo gigantesco abrindo suas asas sobre a cidadela e espalhando a praga (Fantasia, da Disney? Alguém?).

Desde 1926, um pacto com o diabo não acaba bem no cinema

Desde 1926, um pacto com o diabo não acaba bem no cinema

O maior atrativo filme é a interpretação magistral de Emil Jannings como o demônio, sempre causando ali do lado de Fausto, cheio de caras e bocas, dando vida a toda sagacidade e cinismo do anjo das trevas.

Mas, no frigir dos ovos o filme é cansativo, graça aos seus arrastados 115 minutos, com várias cenas completamente desnecessárias. Inclusive se tirasse de 30 a 40 minutos, talvez a produção se tornasse mais dinâmica e interessante. Vale entrar na lista pelo tema (pacto com diabo) que seria recorrente em dezenas de filmes de terror vindouros e toda sua atmosfera de tragédia e sofrimento.

Só para completar, pode ser que assim como eu, o primeiro contato que você teve com a obra de Goethe foi através do Chapolim, mesmo sem ter a menor ideia. Isso mesmo, por mais que muita gente tenha preconceito com o programa mexicano e o ache imbecilizado (o que é quase uma heresia!), um dos episódios do programa de Roberto G. Bolaños traz uma adaptação de Fausto, onde ele é ludibriado por Mefistófeles, interpretado pelo sempre impagável Ramón Valdez (a.k.a Seu Madruga), que troca sua alma por uma varinha mágica, o Chirrim-Chirriom do Diabo, que lhe dava poderes de fazer objetos ou pessoas simplesmente aparecer ou desaparecer. Um clássico que prova que Chaves também é cultura.

Fantasia no ar

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    Boa lembrança do Chapolim.

  2. victor235 disse:

    Aproveito para deixar, não como propaganda mas como implemento ao conteúdo, uma análise que fiz do episódio do Chapolin citado: http://vizinhancadochaves.wordpress.com/2012/11/18/chespirito-goethe-fausto-e-o-acordo-com-o-diabo/

  3. Odir disse:

    Link pra baixar indisponível. No mais, parabéns pelo site. Abraços

  4. Paulo disse:

    Ola amigo, poderias reupar pois o link está off

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