603 – It – Uma Obra Prima do Medo (1990)

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It

1990 / EUA / 192 min / Direção: Tommy Lee Wallace / Roteiro: Lawrence D. Cohen, Tommy Lee Wallace (baseado na obra de Stephen King) / Produção: Mark Bacino, Allen S. Epstein, Jim Green (Produtores Executivos) / Elenco: Jonathan Brandis, Brandon Crane, Adam Faraizl, Tim Curry, Emily Perkins, Seth Green, Harry Anderson, Dennis Christopher, Richard Mansur, Annette O’Toole, Tim Reid, John Ritter, Richard Thomas

 

Taí um subtítulo que faz jus! It – Uma Obra Prima do Medo. O livro “A Coisa”, de Stephen King, merece com todo louvor esse status de “obra prima do medo”. Já o telefilme, dividido em duas partes, dirigido por Tommy Lee Wallace, QUASE chega lá nesse grau de merecimento, se não fosse pelo seu final. Sim aquele lá da aranha gigante, que nas páginas datilografadas pelo escriba do Maine tem todo um contexto psicológico que vai sendo desenvolvido durante suas mais de mil páginas e te prepara para aquilo, e na versão cinematográfica vira uma tosqueira de efeitos especiais ruins em uma batalha sem graça, com uma sinergia péssima entre os atores.

Tudo isso logo no primeiro parágrafo, para você concordar ou tolerar e continuar lendo a resenha, ou então me mandar para a puta que pariu e fechar a aba do 101 aberta em seu Chrome, Firefox ou Safari (você não usa Internet Explorer, certo?). Tipo, estava tudo caminhando tão bem… O filme conseguia te prender, fazer você se identificar com os garotos do “Clube dos Derrotados”, reviver aquele já famoso clima que só o Stephen King sabe criar, colocando crianças comuns em uma situação macabra, e depois acompanhando o desenrolar de suas vidas adultas e o que os acontecimentos de um verão passado fizeram em suas cabeças. E o que falar do Pennywise de Tim Curry, que consideramos pacas? Eternizou mais um dos ícones do cinema de terror de todos os tempos.

Mas, sacumé. Produção para a TV, falta de budget para os efeitos especiais, um final apressado para caber dentro dos 90 minutos reservados para o segundo episódio, atores de segundo escalão em uma cena clímax que se perde e It acaba virando um coito interrompido que estava se mostrando a gozada do século. Até o próprio diretor disse que sente a mesma coisa, nos comentários do DVD. Mas a gente releva isso vai, porque realmente, o telefilme é um dos poucos que acertam na veia no difícil e problemático quesito: adaptar uma obra de King para as telas. Então vale o mérito e a gente desculpa a derrapada.

Pennywise fanfarrão...

Pennywise fanfarrão…

Então tá, vamos falar de coisa boa, que não é a Tekpix e nem a iogurteira Top Term. It é capaz de meter medo geral na molecada e naqueles com coulrofobia, mostrando simplesmente o mais sinistro e aterrador palhaço do cinema (e provavelmente da literatura), uma encarnação sádica de uma entidade espectral faminta por crianças, Pennywise, O palhaço dançarino, que faria John Wayne Gacy se orgulhar, usando a sua fantasia de personagem circense para atrair os pequenos e leva-los para um lugar onde todos flutuam como balões.

Na cidade de Derry, no Maine (ah, vá?) uma série de bizarros desaparecimentos de crianças sem solução faz com que o bibliotecário Mike Hanlon (Tim Reid) convoque seus amigos de infância, membros do refinado “Clube dos Derrotados” para cumprir uma promessa feita há 30 anos, quando o mesmo sumiço dos infantes acontecera durante o fatídico verão em que eles conhecerem “a Coisa”, ou “Aquilo”, “It”, como eles o chamam. Cada um dos outros seis integrantes levou sua vida para frente, mudou-se para diversas partes dos EUA e construíram carreiras de sucesso, se esquecendo dos acontecidos. Mas “a Coisa” voltara, e eles haviam prometido que retornariam para acabar com ela de uma vez por todas, após um confronto com a criatura maligna nos esgotos, usando brincos de prata, uma atiradeiras e bombinha para asma, durante o início dos anos 60.

O primeiro episódio que foi ao ar pelo canal ABC, em 18 de novembro de 1990, a quinta maior audiência para um domingo, visto por 17 milhões de telespectadores, traz exatamente o passado da garotada, mostrando seus problemas e dramas pessoais, a construção de sua amizade (e de uma barragem), a perseguição por um bando de arruaceiros repetentes que praticavam bullying com eles, Pennywise explorando cada um de seus medos, seus piores pesadelos e oferecendo balões, tudo contado em forma de flashback enquanto Mike Hanlon liga para cada um deles, perguntando se voltarão para a cidade e honrarão com sua promessa.

Pennywise chateado...

Pennywise chateado…

Passado trinta anos, o ex-gago William “Bill” Denbrough, que perdera seu irmão mais novo, Georgie, para a “Coisa” (“Come on, bucko! Don’t you want a baloon?” – a mais célebre frase do longa) e tornou-se um escritor de livros de terror (seu maior sucesso parece ser “The Glowing”, título um pouco parecido com “The Shining”, não?); o comediante afetado e hiperativo Richard Tozler (Harry Anderson); o dono de um negócio de chofer, filhinho de mamãe, virjão e hipocondríaco, Eddie Kaspbrak (Dennis Christopher); a designer de moda e “mulher de malandro” Beverly Marsh (Annette O’Toole); e o ex-gordinho e arquiteto de sucesso capa da Time, Ben Hanscom (John Ritter) voltam a Derry para a derradeira luta contra a entidade sobrenatural em forma de palhaço, e mesmo depois de marmanjos, ainda se cagam de pavor do sujeito. A baixa do grupo foi do medroso Stanely Uris (Richard Masur), o único que realmente encarou Pennywise e sua “luz da morte” durante o embate no esgoto e acaba se suicidando na banheira de sua casa para não viver aquela experiência traumática de novo. Os adultos em Derry e o palhaço manipulando suas cabeças é a tônica da segunda parte, que foi televisionada no dia 20 de novembro, sendo a segunda maior audiência da TV em uma terça-feira, em todos os tempos, vista por mais de 19 milhões de pessoas.

Existem três fatores preponderantes no sucesso de It – Uma Obra Prima do Medo. O primeiro é que ele não parece um telefilme, feito para a TV. Hoje em dia é que vivemos o auge das produções da HBO, AMC, Showtime e por aí vai, com qualidade indiscutível, atuações fantásticas e produções no nível de Breaking Bad, True Detective ou Game of Thrones. Naqueles idos dos anos 90, a televisão era tipo a série C (a série B eram os “direto para o vídeo”) e só os refugos trabalhavam em minisséries, telefilmes ou seriados. Então surgiu um termo pejorativo de “filme com cara de feito para a TV”. It não tem esse aspecto de “filme com cara de feito para a TV”. Isso muito se deve a expertise da condução do mesmo por Tommy Lee Wallace, protegido e aprendiz de ninguém menos que John Carpenter. Há uma qualidade inegável na produção, apesar de toda a dificuldade, principalmente de orçamento.

O segundo é que elevou um pouco o nível da violência também. A cena do sangue escorrendo da foto de Georgie não era nem um pouco comum (e aceitável) em uma produção de TV na década de 90. Se hoje você se delicia com a selvageria de Spartacus ou The Walking Dead (ou ainda de Hannibal, que passa na TV aberta, como foi o caso de It), é porque a produção ousou e deu um passo a frente para pavimentar esse caminho sem volta. O terceiro é o ROLO COMPRESSOR chamado Tim Curry, que quase não aceitou o papel por conta dos traumas em levar horas para ser maquiado em A Lenda. Eu nunca tinha me dado a real conta de quanto ele está FODA até assistir novamente para escrever sobre, e quanto seus trejeitos, misturando humor negro, sarcasmo e horror na medida perfeita, elevam o nível, dando uma singularidade inesquecivelmente maléfica a Pennywise e faz com que ele simplesmente ENGULA todo o restante do elenco (e não só as criancinhas, RÁ!).

Infelizmente, na conclusão, a aranha subiu pela parede e o gato subiu no telhado, e fica aquele gostinho amargo, estragando algo que poderia ser perfeito, que até acaba diminuindo It – Uma Obra Prima do Medo pelos espectadores em geral e até mesmo pelos fãs (principalmente do livro), mas são só dez minutos finais mediante outras 2h50 excelentes. Passado anos e anos, geração após geração nunca comenta sobre a aranha de borracha tosca, mas sobre Pennywise, sobre a forma como Tim Curry o imortalizou e o medo da porra que você sentiu daquele arlequim macabro com seus dentes afiados. Então o filme funciona e marca para sempre, e detalhes sórdidos acabam não importando no frigir dos ovos.

Pennywise putinho...

Pennywise putinho…

Serviço de utilidade pública:

O DVD de It – Uma Obra Prima do Medo está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. allanfastcore disse:

    O problema é que o filme é muito demorado. Não lembro de já ter chegado acordado a este final, ehehe.

  2. Pedro disse:

    Sério achei esse filme uma merda

  3. Papa Emeritus disse:

    Concordo com tudo. O final de fato fode o filme. Ele (o filme) é muito bem desenvolvido, você cria interesse nos personagens e o Pennywise dá medo (pelo menos dava medo). Mas o final caga a porra toda. Eu ouvi dizer que vão fazer uma versão pro cinema, não sei se pode ser considerado um remake já que It foi feito pra TV. Mas Hollywood tá planejando levar essa obra do King pras telonas.

    • Rafael Diniz disse:

      Eu acho muito boa essa minissérie. E quanto a nova versão para as telonas, acho que não pode ser considerado um remake, já que vai ser baseado no livro também. Não vão refazer a minisserie, vão é fazer uma versão cinematográfica do livro.

      • Papa Emeritus disse:

        Não acho o filme (mini-série, telefilme) ruim. Só acho o final broxante. No geral é uma das poucas adaptações de Stephen King que eu gosto em “live action”. Tim Curry tá espetacular como Pennywise, o elenco mirim funciona, e até o elenco adulto (com alguma derrapada ou outra) é legal. Mas o final (a batalha contra a “aranha”) é muito ruim. Na minha opinião, claro.

  4. Fabiano disse:

    De fato, a direção de Tommy Lee Wallace tem seus méritos, mas retire Tim Curry e sua caracterização do Pennywise que o filme perde sua chama, embora mereça destaque o núcleo infantil. O núcleo adulto, canastrão até a medula, é um dos problemas do filme, além do clímax, que parece ter sido produzido pelo pessoal que faz os filmes do Didi. Em breve o livro receberá uma nova adaptação, e a ideia de dividi-la em duas partes me parece boa. O problema é que Tim Curry sacramentou sua caracterização; será necessário todo um processo criativo para reinventar Pennywise. Eu não tiraria uma vírgula do trabalho do Tim Curry (“Beep, beep, Richie”; “They float, they all float”; “Hello, girly boy”; “You die, if you try”). Ao contrário, teria ampliado o número de suas aparições. Valeu, Marcão.

    • Ah Fabiano, mas acho que vale dar uma chance… Sabemos que Tim Curry imortalizou o Pennywise, mas acredito que a chave aí é o novo ator fazer uma releitura e não tentar copiar o que foi feito. É mais ou menos o mesmo abacaxi do Jared Leto para fazer o novo Coringa depois do Ledger, mas pelo menos é um cara que é bom pra cacete, mas que vai explorar outra faceta do personagem.

  5. Andrigo Mota disse:

    é bom é supimpa é foda…mas o final caga tudo…ruim de dar dó…mas o pennywise é foda

  6. […] interrompido, da história da televisão americana. É praticamente o mesmo caso que aconteceu em It – Uma Obra Prima do Medo com aquela aranha […]

  7. Demencia13 disse:

    O que mais me chamou a atenção neste filme foi a atuação de Tim Curry, já vi ele em outros filmes e sempre tive cá comigo que ele morde fronha, tamanha sua afetação mas em IT o cara é um autentico cabra da peste! O filme em si é bom mas poderia como citado na resenha ser melhor.
    Uma coisa Marcos, não achei aqui uma resenha sobre Desespero também adaptado do King. Realmente é desesperador tentar entender a história e ao menos no meu ponto de vista só se salva as ‘gracinhas’ vamos dizer assim, que o tira maluco do filme diz a cada minuto. Mas seria bom a opinião de outras pessoas pois o que é ruim para uns é bom para outros e pode ser que eu não tenha entendido bem o sentido da história.

  8. andre dias disse:

    eu como sou fã de filmes de terror assisti esse filme, achei só a primeira parte do filme um pouco melhor, depois o diretor e o roteiro do filme se perde fica arrastado pra assisti, o elenco adulto do filme é bem fraquinho parece que as crianças foram melhor na historia, achei desnecessario 3 horas de filmes, filmes de terror no maximo uma hora e meia, a obra produzida é meia boca da pra ver falhas no filme em alguns efeitos especiais a ora que o ator é puxado dentro de um rolo credo bem mal feito aquilo,e aquela aranha no final né que baboseira, tava lendo post aki dizendo que pretende fazer outro filme , espero que seja melhor que esse, que pra mim foi meia boca, so senti medo a ora que o palhaço tava dentro do bueiro foi a melhor parte do filme. vlw gente

  9. Lucas disse:

    Que porcaria de texto, logo no primeiro parágrafo já conta o final, e quem ainda não assistiu ou não leu o livro?

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