605 – Luther – O Sanguinário (1990)

posterior

Luther the Geek

1990 / EUA / 80 min / Direção: Carlton J. Albright / Roteiro: Carlton J. Albright / Produção: David Platt; Beth George, Ernest Shapiro (Produtores Associados) / Elenco: Edward Terry, Joan Roth, Stacy Haiduk, Thomas Mills, Jerry Clarke, Tom Brittingham

Luther – O Sanguinário tem todos os elementos clássicos de um filme da Troma Enternatinment: gore, nudez, personagens malucos, mau gosto, história nonsense, sem preocupação em estética, ode ao ridículo e sadismo. Só que ao mesmo tempo, Luther – O Sanguinário é completamente diferente dos demais filmes da icônica produtora de Lloyd Kaufman e Michael Herz.

Atrevo-me até a dizer que ele é até sério demais para os padrões Troma. Afinal, os retardados envolvidos foram responsáveis por algumas das maiores bagaceiras trash escrachadas do cinema B de todos os tempos, como os impagáveis O Vingador Tóxico, O Monstro do Armário ou Class of Nuk’Em High. Já Luther – O Sanguinário tem lá seu personagem principal que não fala uma palavra o filme inteiro, só CACAREJA (!!!???) e aquele final completamente acachapante, mas tirando isso, é um filme até taciturno, cheio de suspense, longos momentos de silêncio, que apesar do humor negro implícito, não desce a ladeira como seus filmes irmãos de produtora.

O geek do título original, não quer dizer que o Luther é um fã de Star Wars, Big Bang Theory, lê quadrinhos, discute tecnologia, é socialmente inapto e um CDF, não. Na verdade o termo também é utilizado para aqueles artistas de circo estilo freak show que fazem apresentações nojentas e escabrosas. Um desses artistas é famoso em uma trupe circense por arrancar cabeças de galinhas vivas à dentadas e beber seu sangue. Uma finesse! Certa noite, um bando de moradores locais leva uma galinha para assistir ao show particular da aberração enjaulada, e um garotinho, o jovem Luther, durante a confusão e empurra-empurra cai de boca em uma roda de madeira e perde todos os dentes, substituindo por uma dentadura metálica, tipo o inimigo do James Bond, Dentes de Aço, sabe?

Só que ele acaba se simpatizando pelo geek e quando se torna adolescente, passa a matar as pessoas, arrancando suas jugulares com seus dentes e bebendo seu sangue, assim como as galinhas. Luther é preso, mas por conta do comportamento modelo na prisão, recebe liberdade condicional e agora, interpretado por Edward Terry (de forma até brilhante, diria eu), não consegue ficar um dia sequer sem satisfazer seu instinto assassino, matando uma mulher em um ponto de ônibus perto de um supermercado e raptando a dona de casa Hilary (Joan Roth), mantendo-a sequestrada em sua casa de campo.

Cheirada no cangote

Có có có có có

Na mesma tarde, a gostosinha da filha de Hilary, Beth (Stacy Haiduk) chega à casa com seu namorado, Rob (Thomas Mills), e nos brinda com uma cena de nudez no chuveiro, para depois ambos também se tornarem vítimas de Luther, que obviamente é um psicopata, sem o mínimo traquejo social, perigoso, demente, canibal, e tem aquele detalhe, de se comunicar como uma galinha. Então o clima de sequestro, apreensão, tortura física e psicológica começa a se desenvolver com os personagens, que ficam a mercê do insano personagem, sem nenhuma moral, compaixão ou qualquer outro exemplo de convenção social. A polícia está a caça de Luther e acaba batendo na porta da casa de Hilary, mas seu destino também não será dos melhores.

Bom, outros dois diferenciais de Luther – O Sanguinário com relação aos demais filmes da Troma são o desenrolar da tensão, como um bom filme de suspense, sob a direção de Carlton J. Albright, que também escreve o roteiro (o único de sua vida, e tendo apenas dois filmes na filmografia como diretor) e seu final pessimista. ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Todos os personagens são mortos (de forma sangrenta), e apenas Hilary sobrevive. Acuada por Luther no celeiro, ela tenta se “comunicar” com o psicopata, cacarejando para ele. Tá bom, aí é o momento da patifaria, mas os risos provocados são nervosos, forçados, porque é realmente uma situação limítrofe de sobrevivência contra um desequilibrado de alta periculosidade. Nessa Luther se solta, cacarejando a todos os pulmões, pulando, batendo os braços como asas, até tomar um tiro de espingarda de cano duplo que acaba com sua vida. Agora imagine o trauma dessa senhora após ter passado por tudo isso?

Parece que até a própria Troma sacou a “seriedade” de Luther – O Sanguinário, e quando em seu lançamento em DVD, Lloyd Kaufman, a lenda em pessoa, faz uma introdução de dez minutos falando um monte de besteira, colocando mulheres seminuas, funcionários perdedores da própria produtora para montar seu próprio “circo de horrores” (um deles que supostamente faz boquete no próprio pau, outro que deveria comer merda, entendido de forma literal, outro que também arranca a cabeça de pintos, mas nesse caso, o órgão sexual masculino, por assim dizer) num momento completamente absurdo e de total vergonha alheia. Além disso, há uma cacetada de extras e de erros de gravação, que totalizam mais de uma hora de material deliciosamente divertido. Você encontra fácil essa versão para baixar nas Internets da vida.

Claro, Luther – O Sanguinário não é uma maravilha da sétima arte, é um filme tosco em seu cerne, mas não deixa de ser perturbador, completamente estranho, maluco e grosseiro, fora dos padrões convencionais do gênero na época. Caso você seja fã da Troma, e goste da falta de noção e do gore, mas que também preza pelo “bom cinema de terror” (assim entre aspas mesmo), então certamente irá agradá-lo.

Có có có cocoricó

Có có có cocoricó

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Luther – O Sanguinário não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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