611 – Shakma – A Fúria Assassina (1990)

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Shakma

1990 / EUA / 100 min / Direção: Hugh Parks / Roteiro: Roger Engle / Produção: Hugh Parks, Tom Logan / Elenco: Christopher Atkins, Amanda Wyss, Ari Meyers, Roddy McDowall, Rob Edward Morris, Tre Laughlin, Greg Flowers, Ann Kymberlie, Donna Jarrett

 

Vou te falar: se não fosse o saudoso Cine Trash da Band, esse filme não mereceria a mínima menção. Ô filmezinho ruim que é Shakma – Fúria Assassina. Bom, mas o que poderia se esperar de um babuíno descontrolado perseguindo um bando de nerds jogando RPG no prédio de uma escola de medicina?

Mas aí é que está. Shakma foi uma das películas mais emblemáticas exibidas na seção vespertina de terror comandada por Zé do Caixão, e que ficou gravado no imaginário popular da molecada que ficava vidrada no “terror das tardes”. E vale um belo voto pelo lado saudoso da coisa, mas ao assistir novamente esse filme você constata que é ruim de doer e um ritmo arrastadíssimo de suspense dos mais mal feitos.

Bom, esse eco-horror noventista tem uma premissa até que das mais interessantes: um babuíno, o tal Shakma do título, que já é uma criatura agressiva por natureza, é operado por uma “proeminente” junta de médicos liderada pelo veterano Roddy McDowall (o eterno Peter Vincent, o grande caçador de vampiros, de A Hora do Espanto), que ao injetar uma fórmula diretamente no cérebro do símio, acaba estimulando um comportamento feroz e assassino.

Pois bem, é uma sexta-feira à noite, e os alunos daquela escola de medicina, incluindo aí o velhor doutor, resolvem jogar RPG no estilo live action, e utilizando o prédio vazio e trancado como cenário, preparam uma aventura onde uma princesa (que usará uma roupa cafoníssima, parecida tirada de uma apresentção dos Gypsy Kings) precisa ser resgatada, por meio de senhas, charadas e dicas, com o Dr. Sorenson (papel de McDowall) como mestre. Agora pense se haveria uma forma melhor de passar sua sexta-feira à noite?  Acontece que Sam (Christopher Atkins –  o garotinho de A Lagoa Azul, lembra?) o mocinho da trama tem uma ligação afetiva com Shakma e após seu primeiro surto de raiva, ao invés de sacrificá-lo, deixa-o apenas dormindo, o que vai dar pano para manga para que ele se recupere do seu sono querendo assassinar geral.

Shakma gonna get ya

Shakma gonna get ya

Como se fosse um filme slasher, o babuíno louco e geneticamente alterado irá caçar um por um dos nerds miseráveis participantes daquele jogo, correndo e pulando freneticamente pelos corredores escuros e desertos, mordendo braços, dilacerando gargantas, arranhando faces e destilando toda sua raiva principalmente contra portas, se debatendo, dando murros, cabeçadas e voadoras em qualquer porta que ele veja pela frente. E é isso. O filme vai conseguir manter longos 100 minutos enrolando entre momentos frenéticos de adrenalina com o babuíno transtornado no encalço suas vítimas, enrolação desmedida e momentos dos mais patéticos.

Um desses momentos sem dúvida é quando a gostosa namorada de um dos participantes (peraí, o cara vai passar sexta à noite com um bando de geeks fracassados e com o estranho professor de medicina ao invés de ficar com a gata? Pode isso, Arnaldo?) está dentro do carro esperando pelo namorado do lado de fora do prédio, e para tentar chamar a atenção da moça, Sam e a princesa ninfeta Kim (Amanda Wyss) ficam jogando talheres e bolinhas de gude do sétimo andar achando que ela realmente irá perceber (isso depois de ter tentado gritar de lá de cima). E porque ninguém pensou em descer ao primeiro andar e tentar arrombar a porta e sair daquele lugar? Fora que você sempre acaba por julgar a inteligência limitada deles, afinal é a droga de um babuíno!

Uma coisa nós não podemos reclamar: Shakma é um puta ator, viu. Melhor do que todos os outros no elenco. Ele realmente passa credibilidade ao filme em seus ataques histéricos. E tem lá seus momentos de sangreira quando o babuíno desfere seus violentos ataques. E o final pessimista que foge do padrão slasher (e até dos eco-horror em geral) também é um diferencial para essa película obscura dirigida por Hugh Parks e co-dirigida por Tom Logan.

Shakma – Fúria Assassina é um filme dúbio. Ao mesmo tempo em que diverte por ser tosco e impressiona pelos ataques selvagens do babuíno, é um filme muito, mas muito ruim e bisonho, que em certos momentos até beira o insuportável. Como falei, acho que se não fosse tão marcante por conta de suas exibições no Cine Trash, não mereceria nem uma resenha. Mas como com sentimentos nostálgicos não se brinca, o longa perdura em nossa vida e nossos corações.

Fome animal

Fome animal

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando Shakma – A Fúria Assassina:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=mgfR7umdSHY]

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Shakma – A Fúria Assassina não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=dL3hX1VtgFw]

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Shakma – O macaco que odiava portas

  2. Papa Emeritus disse:

    Na boa, eu nunca assisti a esse filme. E não é porque falavam mal, eu simplesmente nunca tive o interesse. Taí, vou baixar e assistir só pela curiosidade. Sendo uma bomba ou não, aí vou eu. Hahahahahaha.

  3. Sem dúvida alguma, um dos filmes mais deliciosos do acervo do Cine Trash!!

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