614 – Brinquedo Assassino 3 (1991)

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Child’s Play 3

1991 / EUA / 90 min / Direção: Jack Bender / Roteiro: Don Mancini / Produção: Robert Latham Brown; Laura Moskowitz (Coprodutor); David Kirschner (Produtor Executivo) / Elenco: Justin Whalin, Perrey Reeves, Jeremy Sylvers, Travis Fine, Dean Jacobson, Brad Dourif, Dakin Matthews

Se eu já falei que Brinquedo Assassino 2 é uma sequência X, o que falar então de Brinquedo Assassino 3? Só não tem a honra de ser o pior da franquia porque conseguiram cometer o recente A Maldição de Chucky.

Bom, começamos pelo simples fato de que Don Mancini, criador da franquia, sob pressão da Universal foi obrigado a começar a escrever o roteiro do terceiro filme antes do segundo sequer ter sido lançado. Veja bem, Brinquedo Assassino 3 chegou aos cinemas apenas NOVE meses depois da estreia da sequência, então, Mancini alega que estava sem ideias por ter de escrevê-lo tão próximo da segunda parte (ah, vá!). E por isso, em sua opinião, é seu “menos favorito”.

Fato é que a quantidade de buracos no roteiro e de situações vexatórias nesta terceira parte é imensa. O que salva, obviamente, é que temos Chucky sempre dando o seu melhor. O que significa que o boneco possuído pelo espírito do macumbeiro Charles Lee Ray e com a característica voz de Brad Dourif continua cheio de piadinhas de humor negro, sarcamos e se mostrando um verdadeiro sacana, divertindo o espectador entre um remendo de trama e outro.

Pique-esconde (a alma)

Pique-esconde (a alma)

Começa que logo nos créditos iniciais somos obrigados a engolir goela baixo a ideia de que MAIS UMA VEZ a fábrica dos bonecos Bonzinho quer lançar o produto no mercado, depois de duas tentativas frustradas e má publicidade por conta de um moleque jurando que o brinquedo era, hã, assassino. Sei lá, inventa outro boneco, pombas! Mas que falta de criatividade! Aí retomando os trabalhos, eis que encontram o boneco todo carcomido e derretido que vem a ser Chucky, que será reciclado para dar origem a um novinho em plástico, mas umas GOTAS DE SANGUE dele fazem com que o espírito possuído passe novamente para esse outro boneco. Fale para mim se tem algum nexo isso?

Chucky faz logo sua primeira vítima (em uma cena de suspense das mais canhestras), que é exatamente o chefão da Play Pals, Sullivan (Peter Haskell, que aparecera no anterior) e descobre que ele guarda um arquivo em seu computador sobre a vida de Andy Barclay, e o moleque já é um adolescente (interpretado agora por Justin Whalin) e está no colégio militar. Logo, Chucky “se envia” para o local e descobre uma nova vítima, outro daqueles pequenos pentelhos, o jovem cadete Tyler (Jeremy Sylvers), continuando sua incessante busca de um novo hospedeiro para sua alma.

Daí é a velha história: Andy ainda é traumatizado com o boneco, o encontra zanzando pelos quarteis e matando quem se mete em seu caminho, ninguém acredita no sujeito, o instrutor é um babaca totalitário, e blá blá blá. Ainda rola um par romântico com a cadete De Silva (Perrey Reeves) que ajudará Andy a enfrentar o serial killer que sequestrar Tyler e o leva para o trem fantasma de um parque de diversões que surge EXATAMENTE NO MEIO DO MATO, após um frustrado jogo de guerra.

Barba, cabelo, bigode e jugular

Barba, cabelo, bigode e jugular

Aliás, essa é realmente a única parte decente do filme. Dentre as ideias mais sádicas e endiabradas de Chucky em toda a franquia, ao saber desse jogo de guerra que colocará dois times, a equipe vermelha e a equipe azul ao melhor estilo “roube a bandeira”, o vilão simplesmente troca a munição dos fuzis, que era de tinta, para balas de verdade. Por pouco não acontece um massacre, mesmo nós torcendo muito por isso. Ponto também para a jugular cortada do barbeiro (os barbeiros de quarteis militares são todos daquele jeito, mesmo?), Sgt. Botnick (Andrew Robinson) em uma outra cena mais sangrentinha.

Dois detalhes interessantes de Brinquedo Assassino 3: ele foi o primeiro a utilizar CGI no boneco de Chucky, para sincronizar as falas com o movimento de sua boca (e tira-se o chapéu para o trabalho de Kevin Yagher e sua turma mais uma vez) e Peter Jackson foi cotado para dirigi-lo. Não que acho que fizesse muita (ou nenhuma) diferença.

Bom, não espere absolutamente nada de Brinquedo Assassino 3 e você pode até se divertir com as aparições e chistes de Chucky, neste último filme que tenta se “levar a sério”, usando o título Brinquedo Assassino (“Child’s Play”) antes do escracho de A Noiva de Chucky e O Filho de Chucky, que na minha opinião, é exatamente onde a franquia se encontrou, mas isso fica para um próximo texto.

Boneco propaganda das facas Ginsu

Boneco propaganda das facas Ginsu

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Brinquedo Assassino 3 está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Papa Emeritus disse:

    Do 3 pra frente eu não curti mais nenhum filme do Chucky.

  2. No primeiro filme o Charles conseguia transferir a alma para o boneco rapidinho. Nesse aqui é uma enrolação do caramba e sempre tem alguém que consegue interromper.
    Como disse Jota Bosco no podcast do Toca o Terror, o filme tem umas situações muuuuuito esquisitas, com o Chucky sempre querendo levar o moleque pro cantinho…

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