619 – A Hora do Pesadelo 6: Pesadelo Final – A Morte de Freddy (1991)

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Freddy’s Dead: The Final Nightmare

1991 / EUA / 89 min / Direção: Rachel Talalay / Roteiro: Michael De Luca / Produção: Robert Shaye, Aron Warner; Michael N. Knue (Produtor Associado); Michael De Luca (Produtor Executivo) / Elenco: Robert Englund, Lisa Zane, Shon Greenblatt, Lezlie Deane, Ricky Dean Logan, Breckin Meyer, Yaphet Kotto

 

Nem preciso dizer que A Hora do Pesadelo 6: Pesadelo Final – A Morte de Freddy é o pior da cinesérie iniciada por Wes Craven lá em 1984, certo? A morte de Freddy certeza que foi de vergonha! Retire todo e qualquer elemento de terror que ainda perdurava na cambaleante franquia e torne-o mais cartunesco possível. O resultado é isso aí.

Mas deixemos de lado um pouco a análise crítica do filme para dar lugar à memória afetiva. A Hora de Pesadelo 6 foi o PRIMEIRO FILME DE TERROR QUE EU VI NO CINEMA! Só chegou aqui no país em 1992, e eu já tinha meus 10 anos de idade, quando fui com meu amigo (aquele mesmo do Horrorcast), levados por sua mãe ao cinema para, fãs do Freddy que éramos, nos deleitarmos com as desventuras do vilão tostadinho com sua garra de lâminas nas telonas. E mais, era 3D!!! O quão da hora era isso para um moleque com seus óculos de papel celofane vermelho e azul?

Tá certo, naquela época qualquer senso crítico e entendimento de roteiro não tinha absolutamente a MENOR importância. O mais legal eram as criativíssimas e estapafúrdias mortes aplicadas pelo personagem de Robert Englund, e aquela do videogame, onde ele controla o pobre Spencer (Breckin Meyer em seu debute no cinema) com um joystick acoplado em sua garra, em plena época da febre do Mega Drive, era simplesmente a COISA MAIS LEGAL DA FACE DA TERRA!!!!

Arte rupestre

Arte rupestre

Mas ainda bem que o tempo passa e que adquirimos algum pouco conhecimento de cinema nessa vida, não é? A ponto de passar a execrar essa sexta parte, independente de todo e qualquer saudosismo ou lembrança infantil. Um dos fãs do horror sempre comenta aqui sobre a “didimocozação” do Freddy durante os anos, que vinha acontecendo sistematicamente a partir de A Hora do Pesadelo 3 – Os Guerreiros dos Sonhos. Somos testemunhas do seu auge, com o Freddy apenas como um arremedo caricato do monstro apavorante que já fora outrora. Até porque um filme que começa citando Nietzsche e depois em seguida, o cultuado “bem-vindo ao horário nobre, vadia” de Freddy, só pode cair mesmo na galhofa.

A contagem de cadáveres é baixa, mas olha, a criatividade estava no prato do dia, porque além da mirabolante sequência da morte em 8-bit, temos também aquela do Carlos (Ricky Dean Logan) com seu aparelho de surdez aumentando sua audição exponencialmente e o perverso antagonista (ou protagonista, né) arranhando as garras na lousa para explodir sua cabeça, ou a ridícula sequência ao melhor estilo Papa-Léguas onde Freddy corta o paraquedas do John Doe (Shon Greenblatt) e depois arrasta uma cama de pregos pela estrada para que ele caia bem em cima.

A trama? Pífia. Inventaram uma filha para o Freddy Krueger, a hoje adulta psicóloga Maggie Burroughs (Lisa Zane) que junto com seus pacientes adolescentes problemáticos partem para Springwood, em um embuste do assassino para que sua filha seja levada de volta à ele, assim como o último sobrevivente da malfadada Rua Elm. Também vai rolar a ajuda do “Doutor Sonho”, um psiquiatra que estuda o comportamento durante os sonhos e trabalha com Maggie (interpretado por Yaphet Kotto, o Parker de Alien – O Oitavo Passageiro) que virá com umas teorias idiotas que nem vale a pena gastar a ponta dos meus dedos escrevendo sobre.

Aulas com o Prof. Freddy

Aulas com o Prof. Freddy

De interessante, temos um lampejo da infância sofrida do pequeno Freddy, que o levou a se tornar aquele psicopata pedófilo que conhecemos. Além se sofrer bullying das crianças da escola (que delicadamente o apelidaram de “filho de 100 maníacos”… ah, a crueldade infantil) ele teve um pai abusador e cafetão, ninguém menos que Alice Cooper em uma ponta. E também conhecemos um pouco da sua vida como “papai”, quando também abusava da pequena Maggie, que acabou sendo levada para a adoção.

E falando em ponta, a melhor delas é a de Johnny Depp, aparecendo em um comercial de TV antidrogas para o chapado Spencer. Claro que você sabe que A Hora do Pesadelo foi a estreia do rapaz nos cinemas. E no campo do quase, Peter Jackson originalmente havia sido contratado para escrever o roteiro do longa. Mas o pessoal da New Line não gostou do rascunho e foi descartado. Na sequência, fora a vez de Michael Almereyda cujo roteiro, o longa seria focado em Jacob Johnson, o filho da Alice, nascido no final de A Hora do Pesadelo 5 – O Maior Horror de Freddy, com 16 anos, com a moça já trintona sendo morta por Freddy e a volta de Taryn, Joey e Kincaid, da terceira e quarta parte, como uma espécie de “policiais dos sonhos”. A diretora Rachel Talalay detestou a ideia e Michael de Luca voltou para reescrevê-lo, assim como fizera com o script do longa anterior.

Bom, pelo menos, nesse mundo volátil dos slasher movies, o título de A Hora do Pesadelo 6: Pesadelo Final – A Morte de Freddy, cumpre o que promete. Pelo menos em parte. Porque realmente Freddy foi-se dessa para uma melhor, já que o filme seguinte ignora completamente essas pataquadas para a brincadeira metalinguística orquestrada por Craven, o criador, e o vilão original só daria as caras novamente em seu embate sofrível com Jason (isso sem contar a ponta de sua garra arrastando a máscara de hóquei do amiguinho para dentro da terra no final de Jason Vai Para o Inferno – A Última Sexta-Feira).

Gameficação do Freddy

Gameficação do Freddy

Serviço de utilidade pública:

O DVD e Blu-Ray de A Hora do Pesadelo 6: Pesadelo Final – A Morte de Freddy está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.

 

 

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Papa Emeritus disse:

    Hahaha, esse filme também foi o primeiro de “terror” (se é que dá pra chamar assim) que eu vi no cinema. E o primeiro filme em 3D que vi. E engraçado é que quando eu era criança (eu também tinha 10 anos em 1992) eu gostava dessa porcaria. Eu sai do cinema com a fome saciada de ter visto mais um filme do meu herói de infância (claro, me refiro ao tio Freddy, rsrs). Mas, conforme fui crescendo e revendo o filme (sim, eu tive a coragem de revê-lo inúmeras vezes) eu fui percebendo o quão ruim é essa merda. rsrs Falam muito mal do 2, mas o 6 pra mim é trocentas vezes pior (no 2, pelo menos, o Freddy ainda tá sombrio e tem aquela cena legal onde ele sai do corpo do Jesse). Nesse sexto filme nada se salva. Talvez só a trilha sonora. É aquilo que você disse, quando se é criança a gente não tem muito senso crítico. (cara, eu odiava o Sexta-Feira 13 parte 1 porque o Jason não era o assassino, kkkkkkkkkkk).

  2. EDU RAMONE disse:

    ”APESAR DE SER O FILME MAIS FRAQUINHO DO FREDDY…EU TENHO ESTE DVD NA MINHA COLEÇÃO”

  3. Obrigado pela citação! Hahahahahahaha!!! É o mais Didi Mocó da franquia, não tem jeito!

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