630 – Síndrome de Caim (1992)

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Raising Cain

1992 / EUA / 91 min / Direção: Brian De Palma / Roteiro: Brian De Palma / Produção: Gale Anne Hurd; Michael R. Joyce (Coprodutor) / Elenco: John Lithgow, Lolita Davidovich, Steven Bauer, Frances Sternhagen, Gregg Henry, Tom Bower

 

Tá, Brian De Palma já teve seu auge como diretor de suspense (sendo até apelidado de Mestre do Macabro e como o verdadeiro herdeiro de Alfred Hitchcock) lá no final dos anos 70 até meio dos anos 80, principalmente por conta de filmes como Vestida Para Matar, Um Tiro na Noite e Dublê de Corpo. Depois ficou famoso, dirigiu Scarface e Os Intocáveis, e na sequência começou seu declínio com os fracassos de bilheteria Pecados de Guerra e A Fogueira das Vaidades.

Então Síndrome de Caim, é a volta de De Palma ao gênero que efetivamente o consagrou. O resultado é um belo de um divisor de opiniões, tanto de público, crítica quanto dos fãs do diretor. Eu particularmente gosto bastante do filme e o considero subestimado, mas óbvio, que não chega aos pés de alguns dos longas já citados aqui. Mas, é um De Palma que funciona e serve, como sempre, para desfilar sua estética cinematográfica e seus já manjados recursos de direção, como elipses temporais, travellings e planos sequência.

O grande pecado de A Síndrome de Caim é sua trama, também escrita por De Palma, não ser desenvolvida de forma melhor, que teria um puta potencial, e sim apresentada de forma apressada, burocrática e sem grandes teorias e debates psicológicos. Nela, o Dr. Carter Nix, interpretado de forma MAGISTRAL por John Lithgow é um eminente psicólogo infantil, casado com a médica Jenny (Lolita Davidovich) e tem uma filha, Sarah (Mel Harris), a quem cria quase de forma obsessiva. Tudo isso tem uma explicação bem lógica que já é captada logo na primeira cena.

Carter sofre de múltipla personalidade, e uma delas é seu irmão gêmeo malvado, Caim, que nada mais é que Lithgow usando óculos escuros, aparecendo para ajuda-lo sempre que vai cometer algum crime, para que continue ileso e sem nenhuma culpa ou remorso. E Carter/Caim comete muitos crimes. Ele é um sequestrador de crianças e assassino de mães e babás. Seu intuito é estudar o comportamento dessas crianças por meio de métodos nada ortodoxos, influenciado por uma linha de pesquisa iniciada pelo seu pai, o também respeitado psicólogo Dr. Nix (que também é interpretado por Lithgow. Tipo Eddie Murphy).

Carro anfíbio

Carro anfíbio

Pois bem, determinada altura do campeonato Jenny reencontra um antigo amor, Jack (Steven Bauer) e eles passam a ter um caso extraconjugal. Carter descobre, mais um parafuso afrouxa em sua cabeça, ele sequestra a própria filha, tenta matar a esposa asfixiada e depois jogar o carro dentro do rio (em uma claríssima homenagem a Psicose) para incriminar o amante. Entra em cena a também psicóloga Dra. Waldheim (Frances Sternhagen) que trabalhara com o Dr. Nix pai, escritor do best seller “Criando Caim”, um estudo sobre as múltiplas personalidades em criança, e que o sujeito na verdade usou como cobaia para sua tese, o próprio filho. Passaporte para que ele crescesse um maluco.

Bom, falar mais sobre a trama pode ser um baita de um SPOILER, então o que vou falar por aqui é da absurdamente fodástica cena de plano sequência, uma das marcas registradas de De Palma, com a Dra. Waldheim explicando para os policiais sobre os estudos do Dr. Nix pai, caminhando com eles pelos andares da delegacia, corredores, escadas e elevador, até chegar ao necrotério e dar de cara com um cadáver com uma horrenda expressão de pânico. A cena toda, sem cortes dura 4min e 14 seg de uma aula de direção e de interpretação dos envolvidos.

No decorrer de Síndrome de Caim também vemos vários dos recursos cinematográficos comuns na obra de De Palma, além dos seus famosos plots twist e sua sempre auto referência, como faz com o próprio Vestido Para Matar no final do longa, ou Os Intocáveis na cena das escadarias do motel. E mais uma vez, destaque para a pontualíssima parceria com o compositor Pino Donnagio, que faz a trilha sonora impecável do filme.

Síndrome de Caim não é nenhuma Brastemp de Brian De Palma, mas é um bom e interessante filme de suspense, tão típico das madrugadas da Globo quando passava no Corujão ou no Supercine aos sábados. Só não lembro em qual dos dois assisti pela primeira vez.

Carter não está. Mas peraí que eu vou chamar o Caim

Carter não está. Mas peraí que eu vou chamar o Caim

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Síndrome de Caim está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    A história do pai que usa o filho em experimentos foi chupada de “A Tortura do medo”

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