637 – Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993)

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Jurassic Park

1993 / EUA / 127 min / Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Michael Crichton, David Koepp (baseado no livro de Michael Crichton) / Produção: Kathleen Kennedy, Gerald R. Molen; Lata Ryan, Colin Wilson (Produtores Associados) / Elenco: Sam Neill, Laura Dern, Jeff  Goldblum, Richard Attenborough, Samuel L. Jackson, Wayne Knight

Em vias de um novo filme da franquia ser lançado neste ano de 2015, eis que todo meu saudosismo desse mundo aflora quando revejo Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros, e me remeto para aquele junho de 1993 quando o longa estreou no Brasil e fui com meu amigo assisti-lo no cinema.

Foi lá no Cine Comodoro, na Av. São João, centro aqui de São Paulo, em uma noite de domingo que fiquei simplesmente extasiado com aquilo que via nas telas. Eu já gostava de dinossauros antes (acho que todo moleque com seus 10, 11 anos gostava), mas Jurassic Park foi uma experiência absurdamente surreal. Claro que quis sair de lá e virar paleontólogo, como uma cacetada de jovens da minha geração (assim como da geração anterior queria ser arqueólogo por conta do Indiana Jones – outra culpa de Spielberg).

Estava eu e meu amigo no gigantesco saguão do cinema, esperando uma cara para conseguir dar o horário da nossa sessão, junto da mãe dele que nos levou. Conseguimos dar uma fugida e nos enfiamos dentro da sala só para dar um sneak peek no filme que estávamos tão ansiosos para assistir, e entramos bem na parte do T-Rex. O que foi aquilo? Toda aquela construção de cena, o clima, o copinho e sua água tremendo com o andar do réptil pré-histórico trazido à vida por engenharia genética. Percebe-se que foi um dos momentos mais marcantes da minha vida.

Eles não sabem abrir portas...

Eles não sabem abrir portas…

Agora, depois de mais de 20 anos de seu lançamento, revendo a versão 3D lançada recentemente, vejo estupefato que Jurassic Park não envelheceu quase nada. Muito menos seu debate sobre ciência, ética e parques temáticos com animais enclausurados, em tempos de todas as barbaridades que pipocam sobre o tratamento das orcas no Sea World. Os revolucionários efeitos CGI ganhadores de Oscar®, feitos pela Industrial Light and Magic de George Lucas, misturado com os animatrônicos de Stan Winston até hoje impressionam e ditaram o futuro do FX na sétima arte, para o bem ou para o mal.

A história baseada no livro de Michael Crichton todo mundo já sabe né? O excêntrico milionário John Hammond (Sir Richard Attenborough) quer construir um parque temático na Ilha Nublar, no Caribe, com seus dinossauros trazidos à vida por meio de seu DNA extraído dos mosquitos que se alimentavam de seu sangue e ficaram presos no âmbar. Os investidores e advogados precisam de um parecer positivo para a abertura da atração turística, e os cientistas, pesquisadores e paleontólogos Dr. Alan Grant (Sam Neill), Ellie Sattler (Laura Dern) e Dr. Ian Malcom (Jeff Goldblum) são convidados para um passeio inaugural, junto como os netos de Hammond, Tim (Joseph Mazzello) e Lex (Ariana Richards).

Acontece que um dos programadores do parque, Dennis Nedry (Wayne Knight) sabota os sistemas de segurança para poder fugir com alguns espécimes que irá vender em espionagem industrial e dinos acabam a solta, promovendo o caos no parque, com os heróis tendo de lutar por sua sobrevivência, contra o poderoso Tiranossauro, o cuspidor Dilofossauro e os temíveis e ágeis Velociraptores com suas garras retráteis afiadas.

Oooooowwwwnnn

Oooooowwwwnnn

Jurassic Park remete aos bons tempos de Tubarão de Spielberg. Até a estrutura se parece, com a mistura entre terror (mais precisamente o eco-horror) e aventura. A diferença é que o diretor aqui já havia se tornado um dos queridinhos de Hollywood e exemplo dos filmes família, da moral e dos bons costumes. Temos apenas uma morte “explícita”, do advogado ganancioso que é devorado por um tiranossauro sem derramar sequer UMA GOTINHA de sangue, diferente de seu tubarão branco que dilacerou uma criança ou mesmo o pescador que é comido vivo. Mas tudo bem, tá valendo, pois os momentos de suspense, de toda a desenvoltura da cena do primeiro surgimento do lagartão, até a caçada dos velociraptores às crianças na cozinha do centro de visitantes do parque, mostra que Spielberg entende mesmo do riscado.

Agora o bacana mesmo é que quando se fica mais velho, não é mais o Dr. Grant seu personagem preferido, depois dos dinos. E sim o Ian Malcolm de Jeff Goldblum. Sujeito canastra, tentando ser charmoso, xavequeiro, todo vestido de preto, pedante, mas se mostrando o único com certo juízo em entender a monstruosidade científica feita naquele local, ignorando completamente a teoria de evolução de espécies e usar a genética para reviver criaturas que tiveram sua chance e foram exterminadas. Tudo isso não só pelo bem da ciência, mas sim, para se ganhar dinheiro e vender tickets e produtos de merchandising. Um Sea World de dinossauros! Pegam um animal que está fora de seu ecossistema há milhões de anos, o revivem e colocam-no enjaulado, tendo de comer bois e cabras, reprimindo seus instintos e virando mera atração de circo, além de alterações biológicas, com o fato de todas srem fêmeas.

Bem sabemos que Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros fez recorde em seu final de semana de estreia, faturou mais de 980 milhões de dólares (contra 62 milhões de orçamento) ao final de sua exibição, e tornou-se, até a chegada de Titanic cinco anos mais tarde, a maior bilheteria da história do cinema, levando três carecas dourados (efeitos especiais, som, e efeitos sonoros e edição de som, todos justíssimos). E não posso me esquecer de citar também que tinha também aquele VHS, que demorou UMA CARA para chegar às locadoras (naquela época os lançamentos de cinema demoravam eternidades para chegar ao mercado home vídeo), com aquela capinha preta sensacional em alto relevo. Quase volto aos 11 anos de idade toda vez que assisto.

Pega, Rex!

Pega, Rex!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros está atualmente fora de catálogo. Compre o Blu-Ray aqui.

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

14 Comentários

  1. Papa Emeritus disse:

    Marcos, queria tirar uma dúvida a respeito da escolha dos filmes pra lista. Por exemplo, você colocou agora Jurassic Park que não é exatamente terror, mas tem momentos de suspense. O que você me diz sobre o primeiro Exterminador do Futuro? O filme, apesar de ser sci-fi, também é recheado de suspense, e tem um “monstro clássico” do cinema, que é o T-800. Sem falar que Terminator tem até mais sangue que Jurassic Park (a cena em que o Schwarzenegger vara um punk com o punho no início, a cena dele abrindo o braço e a cena dele tirando o olho). Queria saber os critérios pra escolha dos filmes. A propósito, ontem eu tava assistindo Maniac Cop, e depois de ver o filme, loguei na internet e vi a triste notícia que o Robert Z’Dar faleceu agora dia 30 de Março. Abraços!

    • Papa, Jurassic Park tem a estrutura de um filme de terror com animais, o chamado eco-horror. São animais (aqui no caso os dinossauros) que atacam humanos. Exatamente como Tubarão, Alligator e afins. A diferença é que é um filme censura livre e com muito mais orçamento e recurso. Além dos momentos de suspense e sci-fi, tirando ação e aventura.

      Já Exterminador do Futuro é ficção-científica pura! Um robô que volta do futuro. É violento sim, mas não acho que se encaixa no conceito “filme de terror”. E olha que tem muito sci-fi que flerta com o terror (Alien – O Oitavo Passageiro é o melhor exemplo disso).

      Na verdade o gênero é bem amplo, tanto pelo seus subgêneros quanto suas nuances. Jurassic Park não é um FILME DE TERROR propriamente dito também. Mas é um filme que se encaixaria em um subgênero (eco-horror), e nesse caso, na lista, como Tubarão, que ipsis litertis não é um filme de terror também. Isso pelo menos tudo na minha opinião.

      Capice?

      Abs

      Marcos

  2. André Coletti disse:

    Jurassic Park tem um valor incalculável para mim também: foi o primeiro filme que vi no cinema, a primeira vez que fiquei ensandecido e tocado pela magia que a sétima arte pode proporcionar. Lembro de cada momento, e cada vez que revejo [é um dos filmes “obrigatórios”, daqueles que vocÊ revÊ pelo menos umas duas vezes por ano] percebo como o filme é delicioso, bem produzido, impactante, divertido, cativante e imortal. Além de não ter nada de pretensioso, tem uma mensagem filosófica sobre a ganância do ser humano, a falta de controle do homem quando tenta sabotar a natureza [eco-horror total… aliás nunca tinha olhado Jurassic Park desse ponto de vista!], o que fica explícito – pelo menos para mim – no final [SPOILER…. mas quem nunca assistiu JP??] quando o T-Rex invade o prédio “salvando” as pessoas do ataque dos velociraptors. Lembro da aula de roteiro na faculdade quando a professora usou essa cena para ilustrar o conceito de deus ex machina. Eu discuti… para mim essa cena só confirma o que o roteiro mostrou durante o filme inteiro: o homem “criou” algo sobre o qual perdeu totalmente o controle, e que ele não conseguirá vencer. Apenas os próprios dinossauros podem se atacar e destruir uns aos outros. Além disso, [não só] essa cena mostra aquelas pessoas observando a “vida real” daquelas criaturas que até então só tinham visto em documentários e dramatizações.

  3. Marcus Vinícius disse:

    Jurassic Park está pra mim quase o que Tubarão está pra você, Marcos. O filme que mais me marcou na sessão da tarde, e me deixou com a ideia de clonar dinossauros por anos. É sério, eu não aprendi a lição de não mexer na natureza que o filme passa. Queria por que queria criar um dinossauro vivo.

  4. Quer dizer que tudo foi culpa do Newman do Seinfeld?

  5. Rodrigo disse:

    E o mais fantastico deste filme é que as cenas com dinossauros são minímas, li em algum lugar que só tem 15 minutos de tela, isso se minha memoria não falha!!!

  6. […] do CGI parecem terrivelmente datadas (tirando acertos colossais como O Exterminador do Futuro 2, Jurassic Park e vai, até Independence Day), Os Espíritos continua mantendo um nível altíssimo. E fora as […]

  7. […] diversos outros filmes contemporâneos ou anteriores tiveram efeitos especiais muito melhores, como Jurassic Park, Independence Day, MIB – Homens de Preto ou Os […]

  8. […] fizeram isso, não deixando ninguém se aproximar das criações de Winston, como acontecera em Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros, dadas as devidas proporções), para manter o suspense. Afinal de contas, você pensar que estamos […]

  9. […] utilizado pelos atores em questão. E vale lembrar que o mago dos efeitos visuais, responsável por Jurassic Park, Aliens – O Resgate, O Predador e O Exterminador do Futuro, entre tantos outros, é o produtor do […]

  10. […] no modelo de Jurassic World (incluindo financeiro, diga-se de passagem) sequência da trilogia Jurassic Park, Gremlins 3 irá simplesmente seguir a história anos depois dos eventos dos dois primeiros filmes. […]

  11. […] Stephen King para as telas. Thriller de primeira, dirigido e escrito por David Koepp (roteirista de Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros, Ecos do Além e Homem-Aranha) e que tem um Johnny Depp inspiradíssimo, fugindo do caricato que […]

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