638 – A Metade Negra (1993)

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The Dark Half

1993 / EUA / 122 min / Direção: George A. Romero / Roteiro: George A. Romero (baseado no livro de Stephen King) / Produção: Declain Baldwin, Christine Romero (Produtora Associado); George A. Romero (Produtor Executivo) / Elenco: Timothy Hutton, Amy Madigan, Michael Rooker, Julie Harris, Robert Joy, Kent Broadhurst

 

Você vê como são as coisas. Se não fosse o nome de George A. Romero como diretor, provavelmente A Metade Negra seria outra das imensas bombas nas telonas baseadas na obra de Stephen King. Mas como o diretor de Pittsburgh, pai dos zumbis, manja dos paranauê, o filme até que é interessante.

Interessante mesmo é o tema da dualidade que Stephen King imprimiu em seu livro e que foi utilizado por Romero. Por mais que A Metade Negra perca o fôlego em seu desenrolar, a história se torne previsível e role uns buracos no roteiro tipo queijo suíço com algumas saídas realmente duras de engolir, não deixa de colocar um pouco à mostra da personalidade do escritor do Maine em cunhos quase autobiográficos (como já fizera dezenas de vezes).

A Metade Negra foi o último livro de King em sua fase alcóolatra, antes de entrar de vez na sobriedade. Então seu personagem, Thad Beaumont (muito bem interpretado por um subestimado Timothy Hutton) é um… escritor alcóolatra. Fracasso literário, com livros elogiados pela crítica mas que não vendem nada, Beaumont cria o pseudônimo de George Stark para escrever livros mais violentos e popularescos, criando um personagem de sucesso chamado Alexis Machine.

Viajandão

Viajandão

Certo dia, após uma de suas aulas na faculdade, um escroque chamado Fred Clawson (Robert Joy) o aborda tentando chantageá-lo, ameaçando revelar ao mundo que Beaumont é na verdade Stark. Em conluio com seus editores, o próprio escritor resolve fazer esse anúncio para a imprensa e realizar um enterro simbólico do pseudônimo no antigo jazigo de sua família no Maine. Vê aí outro paralelo com King? Ele também possuía um pseudônimo, Richard Bachman, e essa trama foi inspirada nos eventos que o levaram a fazer esse anúncio para o mundo.

Só que todos os envolvidos na “morte” de George Stark começam a surgir brutalmente assassinados, com requintes de crueldade típicos de Alexis Machine. Inicialmente Beaumont é incriminado, uma vez que suas próprias impressões digitais foram encontradas nos locais dos crimes, e a investigação do Xerife Alan Pangborn (que é o mesmo personagem principal de outro livro/ filme de King, Trocas Macabras), papel de Michael Rooker, o Yondu Udonta de Guardiões da Galáxia ou o Merle Dixon de The Walking Dead, começa a coloca-lo contra a parede, que o fará descobrir um evento estranho de sua infância.

Thad nasceu gêmeo, porém o irmão futuro foi absorvido no útero, e depois, quando criança, removido de seu cérebro ao descobrirem que o moleque sofria de terríveis dores de cabeça e lapsos de memória, originalmente diagnosticadas como um tumor. O feto começou a se desenvolver DENTRO de seu cérebro com direito a um OLHO QUE PISCA! Os Beaumont resolveram enterrar os restos do falecido bem no jazigo da família. E isso fez com que de alguma forma, não me pergunte como, George Stark ganhasse vida como o irmão gêmeo malvado de Thad (tipo a Rutinha, porque a Raquel é boa) e partisse para a vingança, com seu visual Johnny Cash, cabelo com brilhantina, jaqueta de couro e carro turbo envenenado.

A primeira faz tchun!

A primeira faz tchan!

Pois é, a história seria MUITO, mas MUITO mais bacana se lidasse com realmente um problema de esquizofrenia ou de dupla personalidade de Beaumont, como, por exemplo, falando de Stephen King, em A Janela Secreta, do que realmente uma manifestação física propriamente dita. George Stark serve para aflorar um lado perverso do escritor pai de família, e mais que isso, uma parte dele gosta desse sujeito desprezível e sanguinário. Gosta da sua metade negra. Mas o jogo maniqueísta costumeiro preserva um final feliz para Thad e sua família, após o confronto final na antiga casa dos Baumont.

Aliás, confronto final esse que Romero faz sua vez de Alfred Hitchcock, emulando Os Pássaros, quando uma revoada de pardais, elementos presentes e importantes desde o começo da fita, ataca Stark, arrancando sua pele (em um excelente trabalho de maquiagem da equipe de Everett Burrell e John Vulich).

Bem, A Metade Negra vale para o fã do horror por se tratar de mais uma parceria entre George Romero e Stephen King (ambos já haviam trabalhado juntos em Creepshow – Show de Horrores). A condução do mestre na direção é acima da média, ainda mais se tratando de uma adaptação do mestre na escrita, que sabemos muito bem que não são sempre transportadas para as telas de forma acertada.

Benhiiiiiiito!

Benhiiiiiiito!

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

5 Comentários

  1. Nito Franzoni disse:

    Esse filme é do Romero?!?! Num pode ser, meu mundo caiu… Achava ele meio capenga, mas então merece uma revisita!

  2. Rosemary disse:

    Eu gostei desse livro….

  3. […] pelo tosquíssimo Jimmy Smits), ou até mesmo o Jack Torrance de O Iluminado ou o Thad Beaumont de A Metade Negra, você pega, olha e fala: ah tá, mas uma vez o cara tá se retratando na tela/ […]

  4. […] antagonista é um ótimo Ed Harris como o xerife Alan Pangborn (mesmo personagem já utilizado em A Metade Negra), que convenhamos, também é um BAITA ator, e aquela cena de seu discurso final contra os […]

  5. […] com Ted Milner (Timothy Hutton – que fez um escritor em outro longa baseado na obra de King, A Metade Negra) em um […]

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