644 – A Volta dos Mortos-Vivos 3 (1993)

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Return of the Living Dead III

1993 / EUA, Japão/ 97 min / Direção: Brian Yuzna / Roteiro: John Penney / Produção: Gary Schmoeller, Brian Yuzna; Andrew Hersh (Coprodutor); John Penney (Produtor Associado); Roger Burlage (Produtor Executivo) / Elenco: Kent McCord, James T. Callahan, Sarah Douglas, Melinda Clarke, J. Trevor Edmond

 

Bom, todo mundo deve saber que A Volta dos Mortos-Vivos é um dos maiores clássicos do gênero zumbi. Com seus cadáveres ambulantes devoradores de mioooooolos e sua mistura na medida de terror com comédia, o filme de Dan O’Bannon acabou fazendo um baita sucesso e ganhou uma sequência depois de três anos, A Volta dos Mortos-Vivos 2 – Parte 2 recauchutando cenas do original, volta de atores e seguindo a mesma pegada, ainda mais escrachada.

Já a terceira parte, da até então uma trilogia, chegou só na década de 90 e é um filme completamente diferente dos dois, traçando um caminho independente, deixando de lado os chistes e apostando muito mais no terror, na violência gráfica e no sadomasoquismo. Esse é A Volta dos Mortos-Vivos 3 dirigida por Brian Yuzna, conhecido por produzir Re-Animator – A Hora dos Mortos-Vivos (e dirigir a continuação, A Noiva de Re-Animator) e Do Além, baseado na obra de H.P. Lovecraft e diretor do sensacional A Sociedade dos Amigos do Diabo e Necronomicon – O Livro Proibido dos Mortos.

Na verdade a única ligação com os dois filmes anteriores é a presença militar e o famoso gás trioxina, responsável por trazer os mortos de volta à vida. Em uma base secreta militar, o Coronel John Reynolds (Kent McCord) faz parte de um time que conduz experiências com a substância química a fim de criar verdadeiras armas, hã, mortas-vivas. Seu filho, o adolescente rebelde, roqueiro grunge (hey, estamos nos 90’s lembra?) Curt (J. Trevor Edmond) e sua namoradinha, a ruivinha Julie (Melinda Clarke), que vive instigando o garotão, certa noite invadem o complexo para xeretar e descobrem a atrocidade ali feita.

O incrível zumbi que derreteu

O incrível zumbi que derreteu

Como o experimento deu miseravelmente errado, o Cel. Reynolds é afastado e precisa se mudar para outra base com filho. O revoltadinho brigado com o pai, pega sua moto e resolve fugir com a garota, que acaba morrendo em um acidente (em uma cena das mais forçadíssimas). Pois bem, qual a ideia de gênio de Curt? Invadir a base novamente e ressuscitá-la com a trioxina, óbvio! E o resultado não podia ser mais desastroso, afinal ela vai se transformar em um zumbi devorador de carne humana.

Mas ainda assim ela tenta lutar contra essa fome implacável, tentando manter o mínimo de humanidade, infligindo dor a si mesma para que o frenesi incontrolável da fome se acalme. Para isso, ela começa a se perfurar com pregos, cacos de vidro, correntes e parafusos em uma bizarríssima (e aflitiva) sessão de autoflagelação, transformando-se em uma zumbi adepta do body modification. A primeira do cinema!

Enquanto isso, a moça vai deixando um rastro de sangue, cérebros e tripas pelo caminho (o contagem de cadáveres é de 17), e espalhando a infecção. Após ser capturada pelo exército, junto dos demais zumbis, como sofrimento pouco é bobagem, eles serão submetidos a experiências ainda piores e degradantes, a fim de transformá-los em armas militares. Ponto também para os efeitos especiais de maquiagem, que preza pelo gore e por nojeiras diversas que agradam os fãs.

One, you lock the target...

One, you lock the target…

Isso é um trunfo da fita, e se afastar dos demais A Volta dos Mortos-Vivos foi uma decisão acertada, pelo menos criativamente falando, pois seria muito fácil e repetitivo continuar na mesma fórmula (em certo momento da pré-produção, papeis foram oferecidos por James Karen e Don Calfa, aqueles dois que sempre fizeram dupla de panacas nos anteriores, porém declinaram). Mas o filme não fez muito sucesso comercial, e o próprio Yuzna se arrependeu de ter mantido esse título, que acredita ser muito longo, e sua sugestão original era um romântico “Kurt e Julie”, e até “Mortal Zombie”, como chamado em algumas praças da Europa, era uma melhor opção, como diz nos próprio comentários do DVD.

Aliás, lembro perfeitamente a primeira vez que assisti A Volta dos Mortos-Vivos 3. Foi num Domingo Maior, na rede Globo, em alguma noite de domingo em meados dos anos 90. Lembro também principalmente que havia ficado decepcionadíssimo, pois simplesmente adorava os devoradores de mioooooooolos do primeiro e segundo filme (hoje acho até aceitável essa terceira parte, nada brilhante, mas louvável pela ousadia) e da reação e conversas com coleguinhas de classe do ensino fundamental na segunda-feira (parecia que toda a molecada tinha assistido), e como todos haviam ficado chocados com a cenas da automutilação da garota. Tudo um bando de noobies.

Uma curiosidade nessa minha pesquisa para esse post de A Volta dos Mortos-Vivos 3 é que ele é uma produção nipo-americana. Não faz sentido né? Então descubro que a coprodutora japonesa é a Bandai Visual Company. Só faltava ter uma coleção de bonecos do filme como dos Cavaleiros do Zodíaco.

Body modification zumbi

Body modification zumbi

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Volta dos Mortos-VIvos 3 não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

5 Comentários

  1. Papa Emeritus disse:

    Cara, amo essa parte 3. Depois do original é a que mais gosto. Não sou fã do 2. O original mistura horror e humor na medida certa, já o 2 pende mais pro lado do humor mesmo. Mas esse terceiro é sensacional (pra mim só perde do original).

  2. […] Wiston em O Predador, e mais A Noite dos Demônios, A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos e A Volta dos Mortos-Vivos 3). A parte triste é que não vemos mais Natasha pelada (eu sei, eu disse que ia parar, mas é mais […]

  3. Cinéfilo disse:

    Tudo um bando de noobies! hehe

  4. […] Allen Nelson, aluno de Steve Johnson, (que trabalhara com Yuzna desenvolvendo os zumbis de A Volta dos Mortos-Vivos 3), o supervisor de efeitos de maquiagem, Anthony C. Ferrante (que trabalhara com Yuzna em […]

  5. Fernando disse:

    Uma das mais antigas memórias que eu tenho com o cinema de horror é esse filme…assisti por volta de 1995 e mesmo eu tendo 5 anos, a cena do cadáver de braços abertos sendo reanimado, ficou na minha memória durante anos e anos posteriores…o legal (legal hoje porque na época não foi) é que na noite em que assisti esse filme, na TV, acabara de chegar do velório do vizinho, com a minha irmã mais velha…uma criança de 5 anos no mesmo dia vendo velório e um filme de terror, dá pra imaginar o pavor hahahaha
    Return of the Living dead é uma das minhas franquias favoritas (ao lado de Halloween) e esse terceiro filme é muito especial…por ter uma abordagem mais séria, drama…eu acho sensacional…além da cena do cadáver sendo reanimado, outra cena que eu destaco é a cena em que o Curt sai gritando o nome de Julie no meio de um bang meio céu aberto, esgoto, sei lá o que diabos é…e ela pede para que ele deixe ela partir…e a cena em que ele decide entrar no fogo com ela…é um puta filme, pra mim…

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