650 – O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno (1994)

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The Return of the Texas Chainsaw Massacre / Texas Chainsaw Massacre: The Next Generation 

1994 / EUA / 95 min / Direção: Kim Henkel / Roteiro: Kim Henkel / Produção: Kim Henkel; Charles Kuhn (Produtor Associado); Robert Kuhn (Produtor Executivo) / Elenco: Renée Zellweger, Matthew McConaughey, Robert Jacks, Tonie Perensky, Joe Stevens, Lisa Marie Newmyer

 

E lá vamos nós para uma quarta parte da saga de Leatherface e sua turma em O Massacre da Serra Elétrica – o Retorno. E claro que resumindo tudo o que eu vou escrever daqui para frente, é uma porcaria e não chega mais uma vez próximo do dedinho do pé do clássico seminal de Tobe Hooper. Mas ainda assim, continua-se dando murro em ponta de faca a lançando essas sequências, tsc, tsc.

Talvez o grande ponto positivo deste aqui é o fato de que Kim Henkel voltou à franquia. O roteirista e produtor do original, lançado há vinte anos nesta altura do campeonato, resolveu dirigir esse daqui também, pretendendo que esse fosse a verdadeira sequência do original, sendo persuadido pelo produtor Robert Kuhn, ao comprarem de volta os direitos do Massacre original, principalmente depois da patifaria (e fracasso) de O Massacre da Serra Elétrica 3 produzida pela New Line Cinema.

A equação aqui era simples: Henkel e envolvidos tomaram um prejuízo astronômico com O Massacre da Serra Elétrica, deixaram de faturar um caminhão de dinheiro que teriam direito, e agora era o momento de acertar as contas e pelo menos embolsar algumas verdinhas. Feito como um filme independente para depois ser vendido para um grande estúdio distribuir (prática comum no meio), assim como os demais filmes da série, O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno passou por uma série de revezes até conseguir ver a luz do dia (ou de um projetor).

Seria trágico se não fosse cômico o principal motivo dessa sequência azarada para os realizadores, ter sido o fato do longa ser estrelado por dois jovens atores à beira da explosão: Renée Zellweger e Matthew McConaughey. O que deveria ajuda-los, acabou se tornando um tiro pela culatra. Com o fim da produção em 1994, Henkel e Kuhn tentaram vender os direitos de distribuição do longa. Essa tarefa foi um árduo processo, recheado de desinteressados (começando pela New Line, que teria prioridade na distribuição mas não demostrara interesse), até após uma exibição teste em 1995, ser comprado pela Columbia TriStar.

Perseguidor implacável

Perseguidor implacável

Só que o ano passou, veio 1996 e nada do longa ser lançado nos cinemas. Aí é que está: se você ligar os atores as datas, lembrará que neste ano específico, Zellweger estava fazendo um baita sucesso em Jerry Maguire: A Grande Virada e McConaughey tinha deslanchado em Tempo de Matar. Ou seja, o que deveria ser propaganda positiva para o filme, virou um imbróglio jurídico quando a TriStar supostamente engaveta-lo e não lançava o longa para não “queimar o filme” das estrelas em ascensão com essa continuação de terror de baixo orçamento.

Resultado: Henkel e Kuhn processaram a Columbia TriStar, foram processados pelo detentor dos direitos do Massacre por terem quebrado o acordo de distribuição com ele e não levado nenhuma grana, o filme foi lançado em 23 cinemas apenas em agosto de 1997, com outro título (Texas Chainsaw Masscre – The Next Generation), quase dez minutos de corte (incluindo uma cena chave no começo onde a personagem de Zellweger era molestada pelo padrasto) e rendeu pífios 141 mil dólares de bilheteria.

Mas sabe o que é o pior? Zellwegger e McConaughey estão ótimos no filme! A moça eu juro que nunca vi alcançar nada parecido em sua carreira (já que virou queridinha de comédias românticas, encarnou Bridget Jones nos cinemas e afins) e o rapaz, só agora, depois de tantos e tantos anos de péssimas escolhas em papeis, conseguiu atuações viscerais na mesma medida, depois da série da HBO, True Detective e Clube de Compras Dallas (que lhe valeu o Oscar® de melhor ator).

Psicão!

Psicão!

A estrutura de O Retorno é basicamente uma refilmagem ou releitura do original (dada suas devidas proporções), com cenas chaves do primeiro filme sendo reimaginadas por Henkel, mas de um jeito levemente fora do convencional. Temos aqui um grupo de jovens que sofrem um acidente de carro ao saírem do baile de formatura, e ao procurar ajuda em uma floresta, se deparam com um bando de psicopatas assassinos degenerados. Um dos sujeitos toma uma martelada de Leatherface, a outra é pendurada em um gancho no teto, há a cena da histeria limítrofe no jantar e depois a sobrevivente correndo pela estrada, perseguida pelo maníaco rodando a serra elétrica e gritando.

As grandes diferenças são os personagens, que representam uma amálgama dos membros originais da família serra elétrica. Vilmer, o papel de McConaughey, por exemplo, possui uma perna mecânica com um dispositivo pneumático (como Leatherface em O Massacre da Serra Elétrica 2) e gosta de se cortar com uma navalha como o caronista vivido por Edwin Neal no filme de Hooper. Leahterface desta vez é um travesti, usando máscaras de rosto de mulheres e perucas (assim como a verdadeira natureza de Ed Gein, serial killer da vida real que inspirou o personagem). As adições são a personagem Darla (Tonie Perensky), membro feminino, desequilibrada e com um apetite sexual predatório e um tal de Sr. Rothman (James Gale) que aparece no final, como um fetichista que parece ser um elo de ligação (dos mais mal explicados do mundo) entre a existência daquela família e conspirações de assassinatos e a própria perversão da humanidade.

Mas com todos os problemas, percalços e falhas em O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno, o principal defeito é a falta de violência explícita, que caracterizou a franquia. Toda a explosão do horror psicológico e o desgaste mental provocado em suas vítimas por um bando de psicopatas está lá, assim como nos anteriores, porém ficou faltando aquela porrada no estômago que você espera quando assiste um filme com o Leatherface (absurdamente subaproveitado em detrimento do show particular de McConaughey). O resultado é mais um filme insosso e desnecessário que nasceu como continuação de um dos mais importantes e aclamados do gênero.

Quero competir no Ru Paul Drag Race, mona!

Quero competir no Ru Paul Drag Race, mona!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.

 

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

3 Comentários

  1. luiz beagle disse:

    foi o primeiro da série que eu assisti lembro que foi numa noite de 1997 quando peguei essa coisa na locadora e pensei:caralho finalmente vou ver um filme da lendária série o massacre da serra elétrica!!! e depois de um tempo fiquei com uma cara de WTF??? como assim o vilão é um travesti gordo histérico?? todo mundo grita o tempo todo? o assassino leva esporro toda hora? que porra de final é aquele??? tomei bronca do latherface por um bom tempo,só fui dar outra chance a ele em 2001 quando aluguei o filme original na locadora da faculdade…

  2. Papa Emeritus disse:

    Esse filme é horroroso. Leatherface de travesti não dá pra engolir. Ainda mais que ele se torna praticamente um coadjuvante no filme.

  3. Foi, sem dúvida, o pior filme que já vi na minha vida. Sem mais…

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