651 – O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger (1994)

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Wes Craven’s New Nightmare

1994 / EUA / 112 min / Direção: Wes Craven / Roteiro: Wes Craven / Produção: Marianne Maddalena; Jay Roewe (Coprodução); Jeffrey Fenner (Produtor Associado); Sara Risher (Coprodução Executiva); Wes Craven, Robert Shaye (Produtores Executivos) / Elenco: Robert Englund, Heather Langenkamp, Miko Hughes, David Newsom, John Saxon

 

Freddy Krueger já tinha virado motivo de xacota e descrédito depois de uma porrada de sequências ruins que resultaram em queda de bilheteria com relação aos seus tempos áureos nos anos 80, virando um vilão caricato e forçado. Wes Craven, outrora promissor diretor que havia entregado obras viscerais estava enfrentando já seu período de decadência, dirigindo alguns filmes qualquer nota. A junção dos dois, criador e criatura novamente, era o caminho natural.

O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger traz a volta de Craven na direção e roteiro do último filme da franquia que ele ajudara a criar em A Hora do Pesadelo, há exatos dez anos, e principalmente, traz o vilão com suas garras, eternizado por Robert Englund, à sua natureza sádica e perversa, ameaçador, sem piadinhas de duplo sentido, sem humor negro infame, sem sua “didimocozação” como os próprios fãs do horror já comentaram aqui.

Depois do original, O Novo Pesadelo é considerado por muitos o melhor filme da cinesérie. Eu concordo, mas com boas ressalvas, muito mais em sua execução final do que em sua trama metalinguística completamente inovadora e original. Craven aqui brinca de forma salutar com o universo do cinema dentro do cinema (talvez tenha sido até um ensaio para o que faria em Pânico dois anos mais tarde, e suas sequências) e essa foi a grande sacada, simplesmente ao invés de ignorar as outras cinco partes lançadas depois de seu original, ou limitar-se apenas a mais uma sequência.

Novo visu!

Novo visu!

Freddy está morto nos cinemas e aqui acompanhamos a vida real dos atores, diretor e produtores envolvidos no sucesso da franquia no decorrer dos anos. Heather Langenkamp, a intérprete de Nancy Thompson aqui vive… Heather Langenkamp, atriz, mãe, casada com um profissional dos efeitos especiais, que vive agora trabalhando na TV e deixou o cinema de terror de lado, principalmente para que não se tornasse uma péssima influência para seu filho pequeno, Dylan (Miko Hughes). Ela é constantemente assediada por algum stalker que fica ligando para sua residência e imitando Freddy Krueger (e isso aconteceu na vida real também!)

Porém Wes Craven está escrevendo um novo roteiro para a volta de Krueger, e Robert Shaye, produtor executivo e mandachuva da New Line Cinema, quer Heather de volta nessa sequência. É simplesmente fantástico! Só que no meio há uma explicação mística e sobrenatural não muito satisfatória:L Freddy é uma entidade que vive ao redor dos tempos alimentando-se dos pesadelos, e ganhou vida nessa forma pela manifestação artística do diretor. Após ter sido morto pelo estúdio, ele precisa retornar a esse plano físico, e usará Dylan como esse portal de entrada, através de seus sonhos. Como Heather deu origem a Nancy e foi a primeira que o derrotou e o humilhou, ela é a única que poderá impedir que essa terrível criação metafísica se materialize.

Pois é, uma confusão dos diabos e se você parara para analisar friamente, é uma forçada de barra absurda, e o filme tem lá seus elementos bem toscos, como os ataques epiléticos do garoto e a questão dos terremotos. Mas e daí? O que importa é vermos Freddy em sua velha forma, como Craven havia imaginado no começo de tudo, sem nenhum pingo de alívio cômico, com Englund aqui fazendo um dos seus melhores papeis como a criatura queimada com seu pulôver vermelho e verde (mas com um visual completamente repaginado, incluindo suas garras biomêcanicas – que se você reparar, fora inspirada naquela do pôster original de A Hora do Pesadelo).

Que boca grande você tem, Freddy...

Que boca grande você tem, Freddy…

Só que além de se deliciar com um Freddy Krueger autêntico novamente, as participações especiais e as brincadeiras metalinguísticas dão um tom absurdamente positivo para os fãs da franquia. Além de Heather Langenkamp, Craven, Bob Shaye, Englund, Robert Saxon (que interpreta o pai de Nancy no primeiro e terceiro) e a produtora Marianne Maddalena estarem no longa como eles mesmo, a cena do funeral do marido de Heather, Chase Porter (David Newsom) conta com uma porrada de participações especiais de atores que estiveram nos longas, como Amanda Wyss, que viveu Tina e Jsu Garcia, que interpretou Rod, ambos no original e Tuesday Knight, que fez o papel de Kristen em A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos. Só faltou o Johnny Depp! Ou mesmo reedições de cenas como Heather falando um “dane-se seu passe” para uma enfermeira (em alusão a cena do corredor da escola) e a morte da babá Julie (Tracy Middendorf), que reedita o assassinato da primeira vítima de Krueger.

Originalmente, a ideia de Freddy tentar invadir o plano real e ameaçar os atores era a ideia de Craven lá atrás, na terceira parte, que acabou sendo rejeitada pela New Line e dando origem ao A Hora do Pesadelo 3 – Os Guerreiros dos Sonhos, seu último envolvimento na cinesérie até então. E que justamente foi o primeiro a trazer a tona a nova personalidade de Krueger com suas mortes mirabolantes cheias de peripécias de humor. Apesar de alguns desses elementos oníricos exagerados ainda serem encontrados em O Novo Pesadelo, como a desnecessária sequência final da língua, durante a batalha no forno entre Dylan, Heather e Freddy, em uma alusão alegórica a João e Maria.

Não podemos chamar O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger de uma sequência, mas sim de uma criação autoral completamente independente das demais, inovadora na forma de se fazer cinema de terror, trazido à vida por um Wes Craven borbulhando criatividade. E enfim, neste sétimo filme, esse Freddy finalmente descansa em paz, fechando a franquia de sucesso com chave de ouro, para voltar só no novo século em sua batalha infame contra Jason e na refilmagem.

Adivinha quem é?

Adivinha quem é?

Serviço de utilidade pública:

O DVD e o Blu-Ray de O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger estão atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

9 Comentários

  1. ramon disse:

    Outro ponto legal desse filme é que,nos créditos,não aparece o nome de Robert Englund como freddy Krueger, ao invés disso é creditado como “himself “

  2. Papa Emeritus disse:

    Gosto bastante desse 7º filme. Depois do primeiro pra mim é o melhor.

  3. André Coletti disse:

    “8 ou 80” resume essa franquia: o primeiro filme é ótimo e as sequências são todas péssimas. Eu também acho que este 7º filme é o único que não causa vergonha alheia além, obviamente, do original.

  4. Leonardo disse:

    Acho a idéia desse filme muito boa. O melhor mesmo é ver os atores interpretando eles mesmos, Heather interagindo com Robert, e até o Wes Craven, ela recebendo cartas do que supostamente seria um fã obcecado, as referências ao original, enfim, toda essa metalinguagem. Agora como terror não acho tudo isso, custa a engrenar e em vários momentos tem ares de SuperCine. Fora que aquele moleque é um mala! Seria bem melhor se tivessem feito uma história só com a Heather e o marido. Enfim, acho interessante, mas me divirto mais com os 4 primeiros da franquia.

  5. […] e David B. Miller (que já havia maquiado ator em A Hora do Pesadelo original, nas partes 5, 6 e em O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger). O sujeito está realmente detestável, escroto, envelhecido, todo enrugado, com cabelo branco, um […]

  6. […] e Williamson é brincar com a metalinguagem do filme (algo que o diretor já havia experimentado em O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger) ao situar os personagens em um universo em que todos aqueles filmes de terror que nós assistimos […]

  7. Matheus L. CARVALHO disse:

    É o meu episódio favorito da franquia!
    Assisti pela primeira vez em VHS – da saudosa América Vídeo – há mais de dez anos, e quando saiu de circulação, tentei reencontrá-lo várias vezes, sem sucesso.
    Até que um dia, baixei a série inteira em Blu-ray, dublados, o que já me deixou satisfeito, porque esse filme estava no conjunto.
    E agora, baixei aqui no blog, em inglês e BRRip.

    É como alugar o VHS novamente, só que desta vez, posso ver quando eu quiser!

    Obrigado, Marcão, por disponibilizar o filme para download!

    Abraços!

  8. […] Vive também é ótimo. A Hora do Pesadelo tem o querido Os Guerreiros dos Sonhos e o incrível O Novo Pesadelo. Halloween 2 – O Pesadelo Continua é quase tão bom quanto o primeiro. Até os filmes do […]

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