654 – Anjos Rebeldes (1995)

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The Prophecy / God’s Army

1995 / EUA / 98 min / Direção: Gregory Widen / Roteiro: Gregory Widen / Produção: Joel Soisson; Raquel Caballes Maxwell (Coprodutor); W.K. Border; Don Phillips (Produtores Executivos) / Elenco: Christopher Walken, Elias Koteas, Virginia Madsen, Eric Stoltz, Viggo Mortensen, Amanda Plummer

 

Sabe qual foi o primeiro filme que eu achei o Christopher Walken um ator fodão? Foi Anjos Rebeldes. E para mim, até hoje, para sempre eles será não o Cavaleiro sem Cabeça, nem o tiozinho do clipe do Fatboy Slim, mas sim, o terrível e sanguinário anjo Gabriel com sua pele de cera de vela, cabelos pretos lambidos para trás e sarcasmo pujante.

Aliás, que belíssima interpretação de um anjo, hein? Quem poderia imaginar que aqueles seres tediosos, belíssimos, assexuados, cheios de luz, asas e cabelos enroladinhos ao melhor estilo barroco, poderiam se tornar criaturas tão obscuras e do MAL quanto representados por Walken e cia nesse subestimado filme de Gregory Widen?

Lembro que essa visão nada angelical e o filme todo em si me marcou muito quando assisti moleque nos anos 90, e era um dos favoritos do meu primo, quem alugou o VHS pela primeira vez e trouxe na casa da minha mãe para assistirmos juntos. Virei fã! Por mais que o filme surte em determinado momento e acabe tropeçando nas próprias pernas no decorrer, tem uma trama original e interessantíssima.

Autópsia de um crime (em um anjo, com uma balança com um smile)

Autópsia de um crime (em um anjo, com uma balança com um smile)

 

Gabriel está travando uma guerra no céu que dura já faz um tempão, porque ele está doido de inveja dos homens, que ele chama da “macacos”, afinal Deus os fez imagem e semelhança, lhes concedeu a alma e o livre arbítrio, e obviamente, os ama mais que seus querubins. E partindo da premissa do hardcore velho testamento, onde Deus matava até criancinhas e dizimava cidades inteiras, eram os anjos mandados para fazer o seu trabalho sujo e manchar as mãos (e asas) de sangue. Claro que eles estão putos e espumando de inveja.

 

Walken, todo sacana e vestido de negro dos pés a cabeça, vem para a Terra então procurar a alma de um dos seres humanos mais odiosos que já existiu, um militar responsável por atrocidades de guerra, falecido recentemente, pois sua alma seria o fiel da balança nessa guerra milenar. Só que ainda há anjos bons, e Simon (Eric Stoltz) vem também para nosso mundo para tentar impedir que Gabriel e seus asseclas consigam essa alma, escondendo-a dentro de uma garotinha indígena, Mary (Moriah ‘Shining Dove’ Snyder) que mora em uma reserva no deserto.

 

No olho desse furacão está Thomas Dagget (Elias Koteas) personagem canastra-mor que é um detetive que desistiu de ser padre quando durante a cerimônia do sacerdócio, teve uma visão avassaladora dessa guerra celestial e perdeu completamente a fé, acreditando ter sido abandonado por Deus. É ele quem vai juntar as pistas bíblicas para descobrir o que esta acontecendo de fato, tanto na Terra quando no céu, e contar com a ajuda da professora Katherine (Virginia Madsen) para impedir que Gabriel e seus carniçais que vai colecionando no decorrer do caminho, trazendo-os à vida logo um instante após a morte e os condenando a mais dor e sofrimento terreno, ponham as mãos na garotinha.

Aragorn, filho de Arathonr, em um ritual Dothraki

Aragorn, filho de Arathonr, em um ritual Dothraki

 

Sabe outro detalhe BEM legal de Anjos Rebeldes? É que como estamos falando desses seres caídos, claro que o Diabo, o Tinhoso, o Satanás, o Belzebu, o Cramunhão, o Coisa-Ruim em pessoa, dá as caras no filme, interpretado de forma excêntrica e das melhores, pelo Viggo Mortensen, vulgo, filho de Arathorn. Lúcifer resolve jogar contra Gabriel porque com a épica batalha nos céus durando tanto tempo, todas as almas das pessoas que morreram desde então estão proibidas de subir, e consequentemente de descer, então alguém precisa dar uma força para acabar com essa briguinha colegial por ciúmes doentio, já que Deus, o sempre impassível e eterno alheio a tudo, não move um dedo sequer lá do seu trono coçando sua barbona branca.

 

Como eu disse lá em cima, infelizmente tem horas que Anjos Rebeldes dá umas belas derrapadas, principalmente por querer misturar muita coisa junto e soar um pouco forçado. É o policial que é ex-padre, aí no meio de uma treta extremamente católica tem um bando de nativos americanos fazendo um ritual de exorcismo navajo, tem a história do general que é muito das mal contadas e o papel do Simon do Eric Stotlz amplamente subaproveitado, assim como o de Mortensen que poderia render um Capeta ainda melhor! Mas o show é de Walken. O ator leva o filme inteiro nas costas e toda vez que aparece em cena é um deleite, em uma de suas mais marcantes atuações da carreira. Dá gosto de ver!

 

Anjos Rebeldes terminou de ser filmado em 1993 e lançado pela Miramax apenas dois anos depois. Naquela altura do campeonato, Walken e Stoltz já haviam feito dobradinha em Pulp Fiction – Tempo de Violência do Tarantino, e isso só ajudou o longa, que ficou em primeiro lugar na bilheteria de seu final de semana de estreia nos EUA, surpreendendo os irmãos Weinstein, e pagando seus oito milhões de dólares de orçamento (dobrando sua arrecadação final). Claro que o que poderia ser motivo de alegria para o fã do horror, seguiria a velha cartilha do gênero e ainda mais se tratando de anos 90, transformando-se numa tosca franquia direto para o vídeo, inicialmente uma trilogia (toda estrelada por Walken) e depois mais outras duas sequências no meio dos anos 2000 que me recusei a assistir.

Gabriel.... Foi pro ceu!

Gabriel…. Foi pro céu!

Serviço de utilidade pública:

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

1 Comentário

  1. Leandro disse:

    Assisti toda a trilogia e curto demais! Tem diálogos excelentes, principalmente partindo do anjo maldito feito pelo Walken. Na parte dois ele dá um esporro numa coitada que fica enchendo o saco dele, aí ele diz apenas assim: “Eu cantei o primeiro hino quando as estrelas nasceram. Não faz muito tempo… eu anunciei para uma mulher jovem… Mary… quem ela estava esperando. Por outro lado eu transformei rios em sangue. Reis em aleijados. As cidades em sal. Acho que não tenho que te dar satisfações. “. hehehe

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