678 – Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997)

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I Know What You Did Last Summer

1997 / EUA / 100 min / Direção: Jim Gillespie / Roteiro: Kevin Williamson (baseado no livro de Lois Duncan) / Produção: Stokely Chaffin, Erik Feig, Neal H. Moritz; William S. Beasley (Produtor Executivo) / Elenco: Jennifer Love Hewitt, Sarah Michelle Gellar, Ryan Phillippe, Freddie Prinze Jr., Bridgette Wilson-Sampras, Anne Heche, Johnny Galecki, Muse Watson

 

Pânico foi o responsável por salvar o cinema de terror nos anos 90 e reinventar o gênero slasher para uma nova geração. Do que eu chamo de slasher 2.0, Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado foi o primeiro e mais bem sucedido filho. Primeiro de muitos que viriam e encheriam o saco tanto quanto aconteceu nos anos 80, só que desse vez, sem nudez e sem sangue. Oh, puxa!

E olhem só, Kevin Williamson, o mesmo roteirista do filme de Wes Craven, foi quem escreveu Eu Sei… (ah é um título muito longo para ficar escrevendo aqui toda hora). Na verdade, ele escreveu esse roteiro antes, baseado no livro de Lois Duncan, só que não conseguiu vendê-lo. Foi só Pânico faturar mais de 170 milhões de bilheteria mundial que a Columbia Pictures rapidinho mudou de ideia e comprou os direitos.

Como em time que está ganhando não se mexe, logo novos atores oriundos de séries adolescentes de sucesso estão no elenco, como Jennifer Love Hewitt, de O Quinteto, ironicamente o mesmo seriado de onde saiu Neve Campbell, e Sarah Michelle Gellar, a Buffy, que vinha galgando seu status de nova scream queen do cinema de terror. Além disso, os galãzinhos em ascensão Ryan Phillippe e Freddie Prinze Jr., também foram escalados. Aproveitando esse novo gás para o cinema de terror, e principalmente para os slasher movies, a fórmula prosaica pré-estabelecida e uma nova procura dos jovens pelo subgênero fez com que Eu Sei… também bombasse na bilheteria mundial e faturasse expressivos 125 milhões de dólares em todo o mundo. Lucro exorbitante para seus 17 milhões gastos.

Tô sabendo...

Tô sabendo…

Eu fui um desses que entra nessa estatística mundial da bilheteria. Fui assisti-lo no cinema quando exibido no começo de 98 aqui no Brasil. Aliás, se você acompanha o blog todo dia (o que me faz pensar que você ou é tão afetado quanto eu, ou procrastina demais, ou simplesmente não parece ter nada melhor que fazer) pode perceber que a partir de 1997, quando completei meus 15 anos, entrei no ensino médio (colegial na minha época) e passei a frequentar o cinema de verdade, com meus amigos de classe, depois das aulas ou mesmo quando gazeteava e ia para o shopping, deixando para lá as tardes de ensino na ETESP José Rocha Mendes. E eu fui MUITO ao cinema durante esses três próximos anos, quando o bilhete no Cinemark custava DOIS REAIS a meia-entrada nas quartas-feiras, e vi vários desses filmes de terror mais famosinhos na tela grande!!!

Voltando, a trama de Eu Sei… é daquelas mais manjadas da paróquia. Quatro adolescentes atropelam por acidente um sujeito à noite no meio da estrada. É o último ano do high school (mesmo eles todos com seus vinte e poucos anos como de praxe), cada um está com seu futuro encaminhado, e então para que suas vidas não fossem arruinadas por um assassinato, eles fazem um pacto entre si de nunca contar para ninguém o ocorrido e se livrar do corpo.

Um ano depois, o trágico acontcimento afetou seriamente a vida de todos os envolvidos, quando também a realidade da “vida adulta” incumbiu-se de lhes darem vários tapas na cara. Julie James (a absurdamente gracinha e apaixonante Hewitt) foi para Boston estudar direito, mas suas notas estão péssimas e sua bolsa por um fio, quando volta para sua cidade natal para passar as férias de verão, atormentada pela culpa do assassinato de uma pessoa. Ela terminou seu namorico com Ray (Prinze), que dos quatro era o mais pobretão e acabou virando pescador. Helen (Gellar) queria se tornar atriz de novelas em NY, mas não deu certo e voltou com o rabo entre as pernas para trabalhar na loja de departamento da família, e além disso, como acontece com a maioria das gatas populares do colégio (ela havia sido escolhida miss municipal no ano anterior), “embarangou”. Seu ex-namorado, Barry (Phillipe) foi o único que relativamente se deu bem, treina para ser jogador profissional de Futebol Americano, mas é um babaca com b maiúsculo.

Uma turminha que se meteu em uma grande confusão

Uma turminha que se meteu em uma grande confusão

Dentro desses quatro personagens vemos todos os arquétipos e clichês possíveis e imagináveis dos adolescentes dos filmes slasher, e do cinema americano do besteirol em geral. Julie é a CDFzinha, mas que pelo menos não é mais virgem, taí um diferencial; Ray é o plebeu apaixonado esforçado de coração partido; Helen é a típica loira burra patricinha fracassada e Barry, o boyzinho arrogante coxa metido a machão. Mas, como o próprio título do filme alardeia, adivinhem? Alguém sabe o que eles fizeram no verão passado! TCHARAM! E eles passam a ser perseguidos por uma maníaco psicopata que deseja vingança, vestido em um traje impermeável de pescador e utilizando um gancho de mão para matar suas vítimas. Mesmo que elas não tenham NADA a ver com seu hit and run, como Max Neurick, outro pescador, que nutria um antigo amor platônico por Julie, e vejam só minha surpresa ao assistir novamente: é Johnny Galecki, o Dr. Leonard Hoffstader de The Big Bang Theory, ou Elsa (Bridgette Wilson-Sampreas), irmã de Helen.

Julie começa uma investigação de quem poderá ser o verdadeiro assassino, baseada na teoria de que a vítima havia sido um tal de David Egan, que supostamente morrera “afogado” no verão passado, sendo que no ano retrasado, havia sido responsável por um acidente que tirara a vida do seu eterno amor. Enquanto isso os quatro amigos vão sendo ameaçados, desconfianças entre eles começam a surgir, passam a ser abatidos como moscas, até a revelação nada empolgante de quem é o verdadeiro assassino surgir no terceiro ato. Isso tudo com buracos grotescos no roteiro e erros crassos, claro. Meu preferido é quando Julie encontra o cadáver de Max no porta-malas de seu carro, coberto de caranguejos. Ela deixa o carro no meio de uma rua do subúrbio em plena luz do dia, e corre para chamar Barry e Helen, que descem correndo as escadas e quando todos chegam lá, não há NENHUM corpo no porta-malas, nenhum caranguejo e nenhum sinal sequer de que ele estivesse lá em algum momento. Ou a mina é louca de pedra, ou o assassino trocou o carro dela nesse espaço de tempo curtíssimo, ou ele era o Flash e se livrou do presunto e dos crustáceos na velocidade da luz!

Eu Sei o Que Vocês Fizeram No Verão Passado segue nessa toada dos slashers 2.0. Asséptico, assexuado, com mortes em off e quantidades ínfimas de sangue derramado, um mistério canhestro com relação a identidade do assassino que deveria ser um plot twist, mas não surpreende ninguém, um finalzinho feliz xulo, e rios de dinheiro entrando no bolso dos envolvidos, todos com as artes dos pôsteres quase idênticas, até o subgênero ser extinto mais uma vez. E claro que tivemos continuações com suas extensões de nomes ridículos, como Eu Ainda Sei o Que Vocês Fizeram No Verão Passado e Eu Sempre Vou Saber o Que Vocês Fizeram No Verão Passado, que na verdade só serve como motivo de xacota.

Gancho, gancho, gancho...

Gancho, gancho, gancho…

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + Legenda aqui.

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

16 Comentários

  1. Leonardo disse:

    Primeiro filme do gênero que eu vi no cinema. Na época eu já era fã de Pânico e quando assisti esse, achei ainda melhor. Fiquei fascinado pelo filme com meus 10 anos na época. Hoje já não acho tão bom quanto Pânico, mas continuo achando muito superior a maioria dos Slashers por aí. Adoro a ambientação do filme, tem um suspense muito bom e PELO AMOR DE DEUS, a perseguição da Sarah Michelle Gellar nesse filme é uma das melhores da história do gênero! Não sei como você não fez nenhum comentário sobre a cena nessa crítica.

  2. Gabriel Pereira disse:

    Comparado com outras bombas que surgiram depois desse filme ele é um bom ”passa tempo” nada mais que isso, Diversão Passageira.

    É a primeira vez que comento aqui, gostaria de te dar os parabéns por este grande site/blog para nós fãs de terror, grandes resenhas, horrorcast’s com um humor ácido, bem o meu tipo de humor mesmo. GRANDE Trabalho cara.

    • Oi Gabriel.

      Poxa, muitíssimo obrigado!!!!! Fico mega agradecido, de verdade.

      Espero que continue acompanhando e agora que já comentou, que faça isso nos outros posts que você quiser expressar algo.

      Grande abraço.

      Marcos

  3. Papa Emeritus disse:

    E eu reclamando dos remakes de slashers clássicos. kkkkkkkkkkkkkkkk. Esses slashers 2.0 foram uma praga MUITO maior que os remakes (os remakes pelo menos tem muito mais sangue). Eu gosto do primeiro Pânico, mas é só. Qualquer continuação, derivado ou cópia daquilo é de causar vergonha alheia. O que me deixa mais puto é que esses slashers 2.0 até que apresentavam atrizes gatinhas, e nem um peitinho pra fan-service tem.

  4. Fred disse:

    Estou acompanhando o blog a algum tempo e, qual minha surpresa no post de hoje você mencionar a ETE na Vila Prudente. Fiz o curso de desenho em 95. Abraço.

  5. Leonardo disse:

    Sim, a sequência desconsidera a cena final, mas aí já é problema da sequência, não do original. Até porque o roteirista da sequência nem foi o Kevin Williamson, então acho que a idéia dele era que acabasse assim mesmo. Mas como os produtores quiseram faturar mais… rsrs.

  6. Leandro disse:

    A cena do presunto no porta malas foi de doer. E nem o cheiro de podre do corpo misturado com o cheiro forte dos caranguejos eles conseguiram sentir. Ou então vai ver era tudo coisa da cabeça da menina. Um filme descartável.

  7. Na realidade esse filme é uma homenagem (para não dizer cópia) de um filme que até hoje não existe no Brasil, o “The house on the Sorority Row” que por sinal o seu PÉSSIMO remake chegou a estrear aqui – “Pacto Secreto”. Aliás, aproveitando, gostaria de pedir se por acaso não disponibilizariam o “The house…” que é um filme incrível, disponível pelo Youtube na íntegra, mas sem legenda. É um fodástico slasher e chegou a ser citado pelo personagem Randy do “Scream 2”.

  8. […] não creditado adivinha por quem? Kevin Williamson, o cara que escreveu Pânico, Pânico 2 a Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado e estava na crista da onda no momento. Apesar de sua versão não ter sido usada por inteiro (tanto […]

  9. […] Urbana é mais uma dessas crias bastardas de Pânico, que veio na leva de Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado, O Dia do Terror e todos esses filmes feitos sob encomenda para arrancar alguns tostões da […]

  10. […] e Harvey Weinstein, mais um roteiro escrito por Kevin Williamson, o sujeito que escreveu Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, mas uma trama se passando num high school cheio dos estereótipos com seus mais de vinte anos e […]

  11. […] segunda metade dos anos 90, com Pânico, e escrevendo o roteiro de seus variados derivados, como Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, Halloween H20 – Vinte Anos Depois e Prova Final, entre […]

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