68 – A Guerra dos Mundos (1953)

The War Of The Worlds (1953) 1


The War of the Worlds


 1953 / EUA / 1953 / 85 min / Direção: Byron Haskin / Roteiro: Barré Lyndon (baseado na obra de H.G. Wells) / Produção: George Paul, Frank Freeman Jr. (Produtor Associado), Cecil B. DeMille (Produtor Executivo – não creditado) / Elenco: Gene Barry, Ann Robinson, Les Tremayne, Bob Cornithwaite, Sandro Giglio


 

A Guerra dos Mundos original é o suprassumo dos clássicos de ficção científica. Baseado no livro de H.G. Wells escrito em 1898, ganhador do Oscar® de efeitos especiais e indicado a outros dois, este é sem dúvida o mais importante filme sobre invasão alienígena já feito até hoje e um dos melhores filmes de sci-fi de todos os tempos.

O produtor George Paul, com uma mãozinha de Cecil B. DeMille como produtor executivo não creditado, e o diretor Byron Haskin trazem a história definitiva sobre a assustadora invasão marciana em nosso planeta. Com suas terríveis naves espaciais em formato de cisne, que misturam beleza e medo, em uma sinfonia de destruição de escala sem precedentes no cinema, A Guerra dos Mundos é responsável por definir diversos padrões e clichês utilizados nos filmes de ficção científica até os dias de hoje.

Fora o valor sentimental e nostálgico que esse filme deve despertar em muito marmanjo por aí. Eu mesmo me lembro de criança, assistindo esse clássico na televisão junto do meu pai, sentados no sofá da sala, em uma das suas infindáveis reprises nesses seus quase 60 anos de existência. E apesar de ser datado e do visual dos alienígenas serem bastante toscos e até cômicos, A Guerra dos Mundos não é um filme que envelheceu tão mal quanto tantos outros produzidos na mesma época. As naves, criadas por Gordon Jennings, continuam sendo obras fantásticas, hoje de um design vintage, e as cores vivas em Technicolor ajudam muito também o fato do longa ter se tornado uma obra imortal.

A história se transporta da Londres que H.G. Wells publicou nas páginas de seu livro para a Califórnia, abrindo com uma belíssima narração de Sir Cedric Hardwicke, já plantando as primeiras sementes do pavor nos espectadores, contando sobre a ganância do povo marciano em conquistar um novo planeta para si, e durante muito tempo ficaram em silêncio apenas observando a terra e nos estudando, para nos atacar indefesos e sem a menor chance de sobrevivência para a raça humana. Em uma noite qualquer, o primeiro meteoro que camufla as naves destruidoras chega à terra para dar início a uma invasão de escala global.

O canto do cisne

Naves de brinquedo aterrorizam o mundo

O Dr. Clayton Forrester (interpretado por Gene Barry, o Bat Masterson da série de TV) é o mocinho do filme, um cientista brilhante que junto com a doce Sylvia Van Buren, precisa ajudar o exército americano e outros cientistas a tentarem encontrar uma forma de impedir a invasão alienígena e o extermínio humano em massa. Só que nenhuma arma terrena é capaz de sequer fazer cosquinha na poderosa frota extraterrestre. Nem mesmo a temida bomba atômica surte efeito após ser lançada contra as naves. Fora que o poderio militar marciano é infinitamente superior ao nosso, com suas rajadas capazes de desintegrar pessoas e objetos e seus devastadores raios que explodem tanques e cidades.

Dois momentos chaves para mim representam distintos sentimentos de terror nesse filme, que me levaram a coloca-lo nesta lista (além do fato de ser uma história de invasão alienígena, poxa vida). O primeiro é sem dúvida a aterradora sequência onde as naves atacam a fazenda onde o Dr. Forrester e Sylvia estão escondidos, e os alienígenas começam uma caçada humana, procurando-os pelos escombros. É um clima de tensão crescente, de arrepiar os pelos da nuca, enquanto sorrateiramente um alienígena entra no local para tentar encontrá-los. Como se não fosse o bastante, é a primeira vez que vemos as criaturas fora da nave, com sua pele avermelhada, longos braços com ventosas e seus olhos de três cores que esquadrinham todo o local a procura de humanos para destruir.

O segundo momento é quando as naves estão destruindo Los Angeles e se forma um caos imensurável, com a população saqueando lojas e casas, e dando o menor valor para a vida do próximo, procurando apenas garantir a sua sobrevivência, atacando todo e qualquer civil ou militar que possua um veículo. Isso pode ter condenado toda a humanidade, quando os equipamentos criados pelos cientistas como última esperança para conter a invasão, são destruídos pela turba enfurecida e irracional. O Dr. Forrester então, desesperado, atravessa a cidade em ruínas enquanto os visitantes de Marte engendram a destruição final, procurando por Sylvia em todas as igrejas da cidade.

Genius

Genius

Aí infelizmente é enfiada em nossa goela abaixo uma ladainha religiosa, com todos orando, ou rezando por suas vidas, para que Deus misericordioso acabe com a guerra (outro subterfúgio religioso fora usado anteriormente na figura do pastor Matthew Collings, tio de Sylvia, quando ele diz que quer fazer contato com os marcianos porque se eles são mais evoluídos que nós, estão mais próximos do Criador. Por isso leva um raio desintegrador na fuça). Quando rezar é a última salvação, a prece é atendida quando misteriosamente as naves perdem sua força e se estatelam no chão. Um moribundo marciano tenta sair do seu interior esticando seu longo braço com três dedos em forma de ventosas, mas acaba morrendo, vítima das bactérias existentes no ar, as quais somos imunes, mas que se mostraram mortais para os alienígenas depois de um tempo em nossa atmosfera. Ou como disse meu saudoso pai para me explicar quando criança a derrota dos extraterrestres: “eles morreram de gripe”.

E claro que não se pode falar em A Guerra dos Mundos sem lembrar de Orson Welles e de sua famosíssima transmissão radiofônica de Halloween em 30 de outubro de 1938, quando o programa Merucry Theatre in the Air, da CBS, levou ao ar a dramatização do livro de H.G. Wellse, e espalhou um surto de histeria em massa pelos Estados Unidos. Com a narração de Wells, ele contou em detalhes vívidos a invasão alienígena começando por Nova Jersey e os ouvintes, que não prestaram atenção nos avisos da rádio que alertava para o caráter ficcional da transmissão, entraram em pânico achando que aquilo tudo era verdade e começaram a ligar para a rádio, estações de TV, jornais, polícia e tudo mais, para relatar a invasão e solicitar mais informações sobre o ataque de mentira. Dá para ouvir a transmissão original aqui.

E vale terminar o texto espinafrando a refilmagem de Steven Spielberg lançada em 2005, com o canastra Tom Cruise no papel principal. Preocupado em mostrar a mais cruel das invasões, investindo milhões nos espetaculares efeitos especiais dos alienígenas e seus terríveis Tripods (como no livro original de Wells), o diretor entrega um filme regular, canhestro, com atuações péssimas e um desenvolvimento dramático raso e desinteressante. Isso sem contar aquele final à La Spielberg que é de dar nojo. Vi nos cinemas e detestei do fundo da minha alma. A Guerra dos Mundos original, de 1953, continua sendo imbatível.

Nós vamos invadir sua mundo

Nós vamos invadir sua praia



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] Proibido tem um caráter imortal. Para mim, é mais ou menos o mesmo caso que se sucedeu com A Guerra dos Mundos. É um filme que envelheceu muito bem. Claro, aquele monte de parafernalha clichê das produções […]

  2. […] baseado na peça The Man in Half Moon Street de Barré Lyndon (roteirista de Ódio que Mata e A Guerra dos Mundos original, entre […]

  3. […] olhe bem, já fomos invadidos diversas vezes pelos habitantes do planeta vermelho. A Guerra dos Mundos e Invasores de Marte são dois exemplos apenas. Quando os terráqueos resolveram visitar o planeta […]

  4. Lucas Henderson disse:

    Ótima inclusão desse filme na lista. Só havia assistido a do Spielberg e gostei, mas quando assisti esse fiquei vislumbrado, pela fotografia e enredo. Uma pequena correção: O livro foi publicado em 1898 (Século IX) e não em 1989 (Século XX) como tu colocaste. Provavelmente foi erro de digitação. Abraços e estou ansioso pra lista chegar nos anos 90.

  5. Lucas Henderson disse:

    Álias, foi publicado em 1898 (Século XIX).

  6. […] Culkin – irmão do Macaulay ) e Bo (uma novíssima Abigail Breslin) no porão (ao melhor estilo A Guerra dos Mundos, de […]

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