680 – Um Lobisomem Americano em Paris (1997)

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An American Werewolf in Paris

1997 / EUA, Reino Unido, Holanda, Luxemburgo, França / 105 min / Direção: Anthony Walker / Roteiro: Tim Burn, Tom Stern, Anthony Walker / Produção: Richard Claus; Bob Bellion, Alexander Buchman (Coprodutores); Jacques-Eric Strauss (Coprodutor Associado); Klaus Bauschulte, Jimmy de Barbant, (Produtores Associados); Anthony Walker (Produtor Executivo) / Elenco: Tom Everett Scott, Julie Delpy, Vince Vieluf, Phl Buckman, Julie Bowen, Pierre Cosso, Thierry Lhermitte

 

Sou só eu ou Um Lobisomem Americano em Paris é uma afronta? Sério, primeiro por ter a audácia de ser intitulado, de forma completamente errônea, de uma continuação só do melhor filme do subgênero já feito: Um Lobisomem Americano em Londres. Segundo por ser ruim de doer, só isso.

Um projeto que ficou em desenvolvimento por mais de seis anos, onde John Landis, diretor do filme de 1981 era cotado para dirigir e chegou até a escrever um dos vários roteiros considerados para esse fiasco, Um Lobisomem Americano em Paris utiliza apenas alguns dos elementos do seu irmão mais velho londrino para um pano de fundo que eu resumo em uma bobagem adolescente, com piadas ridículas e momentos de humor forçado, nada nem próximo do humor negro do original, e um dos piores CGIs de que se tem notícia.

Sério, talvez o grande diferencial de Um Lobisomem Americano em Londres, que o tornou um filme notório e relevante até os dias de hoje, foram os efeitos especiais. A fantástica transformação do personagem de David Naughton em homem-lobo, que valeu até um Oscar® para seu realizador, Rick Baker sem dúvida é um dos grandes momentos de todo o cinema de horror. E olha que estamos falando do ano de 1981. Como pode 16 anos depois, com avanços da tecnologia, um filme optar por lobisomens completamente feitos em CGI, sem obviamente ter orçamento, ou profissionais ou técnica para tal, e criar aquelas criaturas tão falsas e tão mal feitas que parecem tiradas de um documentário ruim do History Channel?

É simplesmente impossível não dar risadas involuntárias (ou ficar puto) com aqueles lobisomens digitalmente porcos, aquelas transformações nada críveis, aqueles ataques bisonhos. Impossível! Mas isso não é o pior do filme, não. A trama até é interessante: um rapaz americano, Andy McDermott (Tom Everet Scott) está viajando com seus amigos pela Europa, chega em Paris e se apaixona por uma garota que salva do suicídio ao tentar se jogar do alto da Torre Eiffel. Essa moça é Serafine Pigot (Julie Delpy) e ela é uma lobisomem, que faz parte de um clã das criaturas que querem de sua maneira, dominar o mundo, e conseguir uma espécie de soro que poderá fazer com que sua licantropia se manifeste em noites de qualquer fase lunar.

Uh-lá-lá

Uh-lá-lá

Durante uma festa dada apenas para americanos, em que os lobisomens se transformam e dizimam ferozmente todas as suas incautas vítimas, Andy acaba sendo atacado e vai se transformar no tal lobisomem americano em Paris. Cabe a ele e Serafine enfrentar essa casta de monstros malvados e impedir seus planos terríveis. Até aí tudo bem, parece até uma aventura de RPG de Lobisomem: O Apocalipse. O grande problema é exatamente o tom extremamente jocoso, com piadas sem graça e a trilha sonora típica dos besteirol americanos dos anos 90 com umas bandas de punk rock californiana. Parece mais um American Pie do que um filme de terror, que tenta ser uma sequência do clássico dos clássicos lupinos.

Aliás, coloque nessa conta algumas cenas realmente patéticas de dar vergonha alheia, como a trágica passagem da cafeteria e a camisinha, o momento que ele descobre que se tornou um lobo no quarto de Serafine, ou a garota americana que ele conhece num bar e toda a passagem do jantar e do cemitério. Com relação ao original, o que temos em comum? O fato das vítimas mortas dos lobisomens voltarem para trocar ideia com eles, só que retire todo o humor negro e mórbido e troque por piadas de situação ao melhor estilo Zorra Total; os sonhos sobre sonhos, que acontecem em uma dessas sequências ridículas que escrevi aí em cima; e a inépcia da polícia atrapalhada que investiga os assassinatos, que enquanto no primeiro filme parece um esquete de Monty Python, aqui faria Peter Selles e seu Inspetor Clouseau se revirar no túmulo.

Então o veredicto é que o maior erro de Um Lobisomem Americano em Paris é se aproveitar desse título de forma sem vergonha, ao invés de tentar manter-se como um filme, descolando-se o máximo da fita de John Landis. Não funciona nem como homenagem! Fora a expectativa de você assistir algo considerado a sequência de Um Lobisomem Americano em Londres gera. Lembro que assisti a esse filme esperando muito, afinal, já era fã de longa data do original, e acabei detestando de forma avassaladora. E isso perdura até hoje, fazendo com que eu passe um pouco mais de raiva cada vez que eu assisto (e se não me engano, foram apenas duas na vida).

Conselho de amigo? Ignore que Um Lobisomem Americano em Paris exista (ainda mais se você é um sortudo que nunca o viu) e assista novamente Um Lobisomem Americano em Londres. Melhor coisa a fazer, sem dúvida!

One day we're gonna live in Paris

One day we’re gonna live in Paris

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Um Lobisomem Americano em Paris está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

18 Comentários

  1. Daniel Rodriguez Dead Dans disse:

    Esse foi um dos primeiros filmes de Lobisomem que assisti. Nunca me lembro ao certo se foi ele, Bala de Prata ou Lua Negra. Enfim, só sei que eu era absoluta fanático por esse filme quando criança. Considerando que só fui ver o LAeLondres anos e anos depois, eu sempre tive um carinho especial por esse. Faz anos que não vejo, provavelmente vai ser uma decepção hoje de em dia, mas eu ainda guardo afeto por ele.

  2. E eu também num vi essa merda? Ai ai, quem me indeniza… xD

  3. Alexandre Berg disse:

    Me lembro q quando comprei o dvd fui p casa com a expectativa de ser otimo ja q achava q era a sequencia do mito de 81 por causa da semelhanca do nome do filme. Decepcao.
    Talvez se tivesse outro nome o filme aceitaria melhor. Mas o problema e q vc ve pensando no de 81 e ai nao da ne?

  4. Papa Emeritus disse:

    Eu não tenho nada contra CGI, mas geralmente eu não gosto de CGI em filmes de terror. Acho que o terror funciona muito melhor com efeitos práticos. Mas esse filme (Um Lobisomem Americano Em Paris) teve a ousadia de misturar não só um enredo ruim como uma CGI porcona. Tá certo que se utilizassem efeitos práticos não salvaria o roteiro, mas a experiência seria menos dolorida aos olhos com toda certeza. Mas não sou contra utilizarem CGI, desde que tenha um ótimo orçamento pra colocar algo decente de se ver. Só que “terror” é um gênero meio marginal, e a maioria das produções são de baixo orçamento, e assim a CGI usada nos filmes geralmente ficam porconas. Pode até existir exceções, mas no geral eu acho que terror + CGI não combinam. SE for feito algo como o primeiro Jurassic Park, onde combinaram CGI com animatrônicos, aí acho que fica algo decente.

  5. Matheus L. CARVALHO disse:

    Concordo!!!!!
    Filme bosta!!!!!!!

  6. […] um post da semana passada, sobre Um Lobisomem Americano em Paris, um dos fãs do horror comentou sobre o uso de CGI nos filmes de terror, e principalmente o fato de […]

  7. classico todos os filme de libosomens werewolf lendas e mitos de epoca de 1887 na antiga ingraterra.. 1925 gosto de filme de libosimem antigos são mais reais do quer esse filme de lobisomem ruim chato com efeitos reais francos..

  8. edward the puma junior disse:

    não são dublados os filmes ai é foda man.. coloca dublado pow

  9. murtaqgeme9 disse:

    Blog incrível este, parabéns! Também acho este filme uma afronta, e esses lobisomens são simplesmente pavorosos (no mau sentido). Concordo com o que disseram: o terror parece que não nasceu para combinar com o CGI. Claro que há casos bons e gente que sabe usar, mas a maioria destrói qualquer possibilidade de clima com esse efeito..em suspense mais psicológico, o CGI parece diluir o terror, e nos gráficos, nada se compara aos efeitos práticos em realismo e impacto. E onde o CGI parece pior é justamente no caso dos lobisomens..pode ser que façam algum dia, mas até agora, todo lobisomem digital se mostrou ridiculo.

  10. […] afinal sabemos os resultados desastrosos de lincatropos construídos por efeitos digitais, desde Um Lobisomem Americano em Paris, passando pela saga Underworld e até mesmo o contemporâneo francês O Pacto dos […]

  11. Norberto disse:

    Não conhecia o Site, muito bom, agora virou minha leitura no trabalho, já que Técnico de Informática fica logado o dia todo mesmo. Realmente, esse é um exemplar da fase (HORROROSA) de teen movies com trilha sonora merda do final dos 90 e começo dos 2000 (Porra, tem Creed, ARRRGHHHH) e os efeitos, ah os efeitos…. tudo descrito aí em cima e muito mais! Parabéns pelo trabalho e to lendo todos, mas em cronologia reversa. Quando chegar no “Original” (essa porcaria não pode ser considerada uma continuação do CLÁSSICO ABSOLUTO DO LANDIS!!!!!!) farei outro comentário.
    PS: Espero que Tubarão esteja no topo da lista…. Abraços!

  12. Mauricio Galdino de Araujo silva disse:

    Tem filme de Lobisomem que e Legal, e outros nao

  13. realwerewolf disse:

    O filme é ótimo..porém gosto é igual a cu..cada um tem o seu!

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