683 – Pânico 2 (1997)

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Scream 2

1997 / EUA / 120 min / Direção: Wes Craven / Roteiro: Kevin Williamson / Produção: Cathy Konrad, Marianne Maddalena; Daniel Lupi (Coprodutor); Dan Arredondo, Nicholas C. Mastandrea, Julie Plec, (Produtores Associados); Cary Granat, Richard Potter, Andrew Rona (Coprodutores Executivos); Bob Weinstein, Harvey Weinstein, Kevim Williamson (Produtores Executivos); Elenco: Neve Campbell, David Arquette, Courtney Cox, Jamie Kennedy, Jada Pinkett Smith, Sarah Michelle Gellar, Timoty Olyphant, Jerry O’Connel, Liev Schreiber

 

Mas é óbvio que haveria um Pânico 2, né? Mas não tínhamos sequer a menor sombra de dúvida que Wes Craven e Kevin Williamson voltariam para uma sequência com a benção dos irmãos Weinstein, depois do original ter ressuscitado os filmes de terror, criado o novo slasher 2.0 e ter feito mais de 170 milhões de dólares de bilheteria no mundo todo.

Papo reto que essa sequência é bem inferior e até desnecessária, como a maioria das sequências, ainda mais tratando-se do subgênero, e seu único propósito de existir é colocar mais dinheiro no bolso de todos os envolvidos. Mas ainda assim, Williamson conseguiu escrever um roteiro afiado novamente, brincando mais uma vez com a questão da metalinguagem, clichês e a indústria do cinema em si, mas que se comporta muito mais em seguir os modelos típicos de um whodunit? a lá Edgar Wallace, que vai funcionando até seu terceiro ato quando acontece a patética revelação da identidade do assassino num daqueles obrigatórios plot twists, seguindo à risca a linha de seu antecessor (mas que funciona).

Craven parece já ter acertado a mão nessa história metalinguística e leva a um novo patamar com o conceito de filme dentro do filme, sempre uma interessante abordagem narrativa para o gênero. Aqui estamos falando de “A Facada”, longa baseado no livro “Os Assassinatos de Woodsbooro”, escrito por Gale Weather, a repórter gananciosa vivida (novamente) por Courtney Cox, que estreia nos cinemas dois anos depois dos acontecidos de Pânico. Em uma das sessões de pré-estreia, em um cinema lotado cheio de ações promocionais com todo mundo ganhando facas de plástico e fantasias do Ghostface, um casal é brutalmente assassinado.

Cinema ou festa à fantasia?

Cinema ou festa à fantasia?

E não é que os dois estudam na mesma universidade de Sidney Prescott, a mocinha que sobreviveu ao ataque de seu namorado psicopata e seu amiguinho, que agora tenta se graduar em artes cênicas? A onda de assassinatos em volta de Sidney volta a se repetir, seguindo um padrão que leva a polícia, ajudado por Weather e Dewey Riley (David Arquette) que vai até a cidade para tentar ajudar a amiga, a descobrir que um copycat está tentando imitar Woodsbooro.

Cabe a quem ajuda-los no entendimento de como funciona uma sequência? Randy Meeks, claro, o personagem de Jamie Kenedey que sempre é o melhor de todos desde o original. Se no longa anterior ele já havia alertado sobre as diretrizes de sobrevivência nos slasher movies, baseados no conjunto de regras instituídos por John Carpenter em seu Halloween – A Noite do Terror, aqui o agora estudante de cinema (óbvio) disserta com o personagem de Arquette sobre o as três regras das sequências: contagem de cadáveres maior, cenas de morte mais elaboradas e com mais sangue, e justo quando falaria a terceira, que era imprescindível para se criar uma franquia, é interrompido por Dewey em mais uma sacadinha daquelas da dupla Craven/ Williamson.

O que convenhamos, foi um tiro n’água na eterna tentativa da série Pânico em parodiar a si mesma, pois hoje em pleno 2015 sabemos que ele tornou-se uma trilogia, para depois virar uma franquia e Deus que o livre, virar uma série pela Emetevê, já diria Caetano. Outro ponto digno de nota do roteiro mostrando que pode haver vida inteligente nos slasher movies é o fato de mais uma vez tirar um barato da sua cara (pero no mucho) quando em uma aula de cinema, é discutido sobre as sequências, e o bate-papo entre Randy, Mickey (personagem de Timothy Olyphant), Cici (Sarah Michelle Gellar – a rainha dos slasher 2.0) e uma ponta de Joshua Jackson (rei das pontas e coadjuvante de Dawson’s Creew, série escrita por vejam só, Kevin Williamson) tenta encontrar continuações que sejam melhores que o original, como os citados Aliens – O Resgate, O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final e O Poderoso Chefão 2, ganhador do Oscar®, enquanto Jackson brinca falando sobre A Casa do Espanto II e Randy completa: “as continuações acabaram com o cinema de terror”.

- Qual seu filme de terror favorito?  - Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado!

– Qual seu filme de terror favorito?
– Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado!

Mas ainda assim Pânico 2 nem chega perto dessas exceções que transformaram o segundo filme em algo melhor do que o primeiro. Talvez o grande motivo seja exatamente essa pecha em tentar o filme todo se descobrir quem é o assassino, nessa maldita regra velada dos slashers 2.0. onde esse joguinho de detetive e o suspense se tornaram muito mais importantes que a morte, violência, sangue e nudez (desculpem, feministas) e a necessidade enfadonha de uma reviravolta final, por mais babaca que seja, como é o que acontece aqui, apenas para tentar surpreender o espectador, que nunca esperaria por isso e blá blá blá.

Mas vamos lá, também há a mensagem que Craven e Williamson colocam nas entrelinhas, e até é a motivação de um dos assassinos (novamente são dois deles trabalhando em conjunto, só que o(a) segundo(a) é a boa e velha vingança, como mesmo diz) é o fato de caçoar daquela velha discussão tão batida sobre filmes inspirarem atos de violência, algo que sempre caiu como uma luva no cinema de terror, tendo em vista os assassinatos ocorridos no cinema por conta de uma obra audiovisual. Fora isso, temos travestido o tema da busca pelo estrelato, pelos quinze minutos de fama, perseguidos tanto por Weather quando por Cotton Weary (Liev Schreiber), acusado injustamente por Sidney de ter assassinado sua mãe e que conseguira liberdade, que está sempre sendo colocado nos holofotes pela dupla de idealizadores, algo tão final dos anos 90 e começo dos anos 2000, antecipando o boom dos reality shows e canais do Youtube.

Apesar de algumas sacadas bem interessantes de linguagem, metalinguagem e narrativa, Pânico 2 é um caça-níquel indiscutivelmente, só que com uma qualidade um pouco maior que a maioria das continuações, e serviu muito bem a seu papel: faturar alto nas bilheterias. Rendeu 172 milhões de dólares no mundo todo (apenas um milhão a menos que o primeiro) e abriu a porteira para a abominação que foi o terceiro filme. E um detalhe curioso é que vi esse filme no cinema, em janeiro de 1999, e Pânico foi um hit tão grande que valeu uma sequência no ano seguinte, mas aqui no Brasil com nossas distribuidoras que tem tanto zelo e apreço pelos espectadores, foi estrear mais de um ano depois de exibido nos cinemas yankees.

Vendo os outros slashers copiões comendo poeira!

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

12 Comentários

  1. Matheus L. CARVALHO disse:

    Eu discordo de você, Marcão.
    Eu gosto desse filme. Tem mais ação que o primeiro e possui cenas antológicas também.
    A cena de abertura, o assassinato no cinema, que antes me assustava pra caramba, agora é uma das minhas favoritas da franquia.

    Mas, a minha sequência preferida é PÂNICO 3.

    Um abraço meu velho.

  2. Gabriel Pereira disse:

    Eu acho um bom filme, é mais fraco que o primeiro Pero no Mucho, é uma sequência decente e divertida.

  3. Leonardo disse:

    É a minha franquia Slasher favorita justamente pelos ótimos diálogos e sacadas de metalinguagem. A garota sendo esfaqueada no cinema ao mesmo tempo que outra está morrendo na tela, FODA DEMAIS. Os diálogos estão mais sarcásticos, a violência aqui é maior, tem cenas MUITO tensas, como a que Sidney e amiga estão presas no carro e tem que passar por cima do assassino, que está supostamente desacordado, para saírem pela janela. A tensão que o Wes Craven conseguiu imprimir nessa cena, sem explicação. Destaque também para a participação de Sarah Michelle Gellar. Assim como você também assisti o filme no cinema, mas na época estava alheio ao atraso de mais de 1 ano no Brasil. Na época eu não tinha Internet então nem ficava por dentro desse tipo de coisa. Sobre o final, apesar das identidades dos assassinos não serem tão embasbacantes como no original, a ação toda que acontece naquele teatro é muito boa. E achei que além de tocar na questão da “influência” do cinema violento na sociedade, também faz uma divertida brincadeira com o primeiro Sexta-Feira 13. Pra mim é o melhor da série.

  4. É verdade ou é boato de que existe uma versão sem cortes desse filme?

    • Leonardo disse:

      Cara, o primeiro filme teve algumas cenas cortadas, porque a MPAA queria dar classificação NC-17 (que é PROIBIDO pra menores de 17 anos), então o Craven fez alguns cortes pra conseguir classificação R-Rated (que é menores de 17 anos somente acompanhados do responsável). Fizeram cortes na morte do namorado de Casey, originalmente daria pra ver as tripas nitidamente saindo da barriga dele, no filme dá pra ver um pouco também, mas é mais rápido, na cena original aparecia bem mais. Depois quando a mãe de Casey encontra o corpo dela pendurado na árvore, a câmera vai aproximando, originalmente ia chegando mais devagar, na versão final do filme aceleraram um pouco. Na morte de Kenny, o cameraman, era um pouco mais estendida, mostrando mais sangue saindo do pescoço dele e na cena na cozinha, onde os assassinos se esfaqueiam, tiveram uns cortes também. Todas essas cenas estão disponíveis no YouTube. Mas sobre o segundo filme, não teve nenhum corte não. Já li entrevistas do Craven dizendo que não exigiram nenhum corte no filme, o material foi para os cinemas na íntegra.

  5. Papa Emeritus disse:

    Cara, passei batido por essa resenha ou você colocou o post de “A Relíquia” antes? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Nem vou falar nada desse filme, apesar da sequência de abertura ser boa, o resto do filme acho dispensável.

    • Hhahahahaha, sabe o que acontece, eu jurava de pé junto que Pânico 2 era de 1999, porque foi quando estreou aqui. Quando vi que era 97, deu tempo de reparar certinho fazendo essa gambiarra de posts aí… 😀

  6. […] por um tratamento não creditado adivinha por quem? Kevin Williamson, o cara que escreveu Pânico, Pânico 2 a Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado e estava na crista da onda no momento. Apesar de […]

  7. […] também foi responsável por alguns bons momentos, além de um ou outro certo diálogo certeiro em Pânico 2, mesmo que o resultado final seja regular, foi o roteirista. A sua falta é sentida em demasia no […]

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