686 – Voo Noturno (1997), 1001

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The Night Flier

1997 / EUA, Itália / 94 min / Direção: Mark Pavia / Roteiro: Mark Pavia, Jack O’Donnell (baseado no conto de Stephen King) / Produção: Mitchell Galin, Richard P. Rubinstein; Alfredo Cuomo, Jack O`Donnell (Coprodutores); Neal Marshall Stevens (Produtor Associado); David R. Kappes (Produtor Executivo) / Elenco: Miguel Ferrer, Julie Entwise, Dan Monahan, Michael H. Moss, John Bennes, Beverly Skinner, Rob Wilds

 

 

Voo Noturno é uma filme menor e até pouquíssimo conhecido no rol de adaptações das obras de Stephen King. Mas, diabos, funciona muito bem, e acho até um pouco subestimado!

Ao assistir Voo Noturno, baseado no conto “O Piloto da Noite”, publicado na coletânea “Pesadelos e Paisagens Noturnas – Volume 1”, você se sente completamente familiarizado com a narrativa e personagens típicos de uma história do Mestre do Terror, e tem a cara daquelas produções B pelas quais infelizmente seu nome ficou mais conhecido, só que a junção de alguns elementos conseguem afastá-lo das costumeiras bombas que envolvem King na jogada.

Começa com uma história das mais insólitas apresentando um piloto de avião que é um vampiro (!!!???). Pois é, isso sim é algo que eu nunca tinha visto antes! Richard Dees, papel de Miguel Ferrer, um eterno coadjuvante que aqui tem a chance de ser um protagonista – e já havia atuado em A Dança da Morte, também de King, e fez a voz do pai de Jack Torrance no rádio, na versão televisiva de O Iluminado, é um repórter de um jornal sensacionalista chamado Inside View, que é tipo um Notícias Populares sem ter o que por, nem tirar (exceto talvez os ensaios da Gata do NP). As manchetes do jornal são sobre abduções alienígenas, assassinatos brutais, bebês demoníacos, e por aí vai.

Voa, voa aviãozinho...

Voa, voa aviãozinho…

Seu editor, Merton Morrison (Dan Monahan) lhe oferece uma pauta onde deve investigar uma série de bizarros assassinatos, cometidos por um serial killer apelidado de “O Piloto da Noite”, que viaja em seu avião particular e tem assombrado pequenos aeroportos no interior dos EUA. O mais engraçado é que ninguém nunca consegue apanhá-lo, e todas as vítimas parecem mesmerizadas pela figura. Isso sem contar que o sacana aproveita de seus poderes vampíricos de hipnose para obriga-los a lavar seu avião, antes de virar o jantar. É mole?

Dees originalmente recusa a matéria, mas uma chantagem editorial, oferecendo-lhe uma capa, faz com que o sujeito acabe mudando de ideia. Mas ele anda no limite do estresse, pois devido a sua profissão, é testemunha ocular de todo tipo de violência, bizarrice e anormalidade humana. Além disso, ele acaba entrando em conflito com uma “foca” contratada pelo jornal, a jovem Katherine Blair (Julie Entwise), que originalmente ficaria com a matéria, escorraçando-a. O próprio editor acaba colocando os dois em rota de encontro ao instigar a nova repórter a também ir atrás da história e conquistar seu espaço.

Após algumas fotos, entrevistas com testemunhas onde vai coletando informações das mais surreais sobre os assassinatos, e recebendo constantes ameaças do assassino, que descobre se chamar Dwight Renfield (homenagens à Drácula, livro e filme da Universal: Dwight Frey é o nome do ator que interpretou Renfield no clássico de 1931), Dees acaba trabalhando em conjunto com Blair, só para mostrar de vez que é um escroto e deixa-la para trás ao descobrir uma pista quente do próximo aeroporto onde o vilão estará e ficar com os louros da reportagem só para ele.

Sombras da noite

Sombras da noite

O que o filme enche de linguiça e vai se tornando completamente dispensável, pronto para entrar naquela seara de filmes desnecessários, que não são bons, mas também não são ruins, tipo A Maldição, o terceiro ato é uma verdadeira menina dos olhos para o fã do horror com um gore fest de tirar o chapéu. Dees encontra dezenas de corpos mutilados e violentamente dilacerados no pequeno aeroporto, confronta então a criatura, que possui um visual vampiresco nada convencional, e acaba se dando MUITO mal, sempre instigado por sua mórbida curiosidade de anos de profissão nefasta e exploratória. Uma alucinação assustadora envolvendo zumbis/ vampiros, com toda uma pegada gótica quase baviana (dada suas devidas proporções) e mais derramamento desenfreado de sangue levam para o ápice que é seu final, com um destino dos mais trágicos para Dees e uma crítica velada da forma como a imprensa manipula a verdade em busca do sensacionalismo para aumentar suas vendas, audiência, cliques e por aí vai.

Esse momento “banho de sangue” foi cortesia de gente que manja do riscado: a KNB Effects Group, a companhia de efeitos especiais de Robert Kurtzman, Greg Nicotero e Howard Berger, hoje o maior nome do FX do cinema de horror. O diretor estreante, Mike Pavia, também consegue entregar um filme redondo, principalmente tendo em vista que ele tinha apenas 30 dias para completar as filmagens, um orçamento de um milhão de dólares, e nunca dirigido nenhum longa metragem anteriormente, tendo sido escolhido a dedo pelo próprio Stephen King, que gostara de seu curta de zumbis de 35 minutos, Drag, que você consegue ver aqui. E ele ainda entregou o filme um dia antes. Deve ter ganhado a plaquinha de “funcionário do mês”, apesar de não ter dirigido absolutamente mais nada depois.

Voo Noturno está anos luz dos clássicos como O Iluminado, Carrie – A Estranha, Louca Obsessão, Cemitério Maldito e tantos outros. Porém faz um voo cruzeiro, sem turbulências, mas também sem manobras ousadas, durante seus 94 minutos de duração, e aterrissa em uma longa distancia de outras grandes porcarias baseadas nos livros do mais famoso escritor do Maine. Que parágrafo infame que ficou isso aqui…

Abre a boooooca, é Royal!

Abre a boooooca, é Royal!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Voo Noturno não foi lançado no Brasil

Download: Torrent + legenda aqui.

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Max Renn disse:

    Porra, esse filme é de fato uma curiosidade.

  2. Leonardo disse:

    Lembro do VHS desse filme chegando às locadoras apenas no ano 2000. E até hoje acho que ele não foi lançado em DVD! É um filme bem legal sim e algo que jamais saiu da minha cabeça foi o vampiro mijando sangue no banheiro, já na reta final kkkkk.

  3. Papa Emeritus disse:

    Opa, esse eu nunca vi. Vou ver se consigo ele pra assistir ainda essa semana.

  4. Gabriel Pereira disse:

    Bah, me lembro de quando era criança e via o VHS desse filme pra alugar na locadora….. achava a capa legal pra caramba, esse vampiro… que bicho bem feio rapaz. O Filme é bacana, longe de ser um clássico mas dá pra assistir tranquilo.

  5. Matheus L. CARVALHO disse:

    VOO NOTURNO é, sem dúvida, uma das adaptações mais assustadoras – senão, a mais assustadora – da obra de Stephen King.
    É também, a primeira adaptação de King que assisti. Eu tinha 7 ou 8 anos quando vi a capa do VHS, de relance e fiquei curioso, mas, aluguei a fita algum tempo depois. Na época, creio que me arrependi, porque, o filme me assustou muito!!!!!!
    Passei a maior parte do tempo escondido atrás da parede do corredor, só pra não assistir, de tão assustado que fiquei. Uns dois anos mais tarde, aluguei a fita novamente, com pretexto de assistir o filme inteiro. Dessa vez, consegui, mas, quando chegou na sequência dos vampiros no terminal, fiquei morrendo de medo novamente, e não conseguia dormir durante um tempo.
    Agora, vários anos depois, assisto ao filme sem problema nenhum, e repito: é a adaptação mais assustadora de Stephen King.
    Por onde começar a lista de momentos assustadores?
    Talvez, pelo próprio começo, onde somos apresentados ao vampiro logo de cara, com a câmera em seu rosto, envolto pela escuridão; em seguida, temos a sequência no trailer, onde o casal de idosos é massacrado sem piedade nenhuma, principalmente o marido—é uma cena que dá calafrios, porque não vemos nenhum deles ser morto, apenas ouvimos os gritos do homem, as coisas quebrando e seu corpo sendo destruído; depois, as entrevistas com amigos e conhecidos das vítimas, onde, por meio de flashbacks, vemos como elas foram mortas e por fim, a sequência final, no terminal, onde o repórter conhece – e nós também – o vampiro, e vê seu rosto. A sequência, seguinte, em que as vítimas se transformam em vampiros, é o momento alto do filme, o mais assustador, sem dúvida.
    Bem, apenas por isso, VOO NOTURNO seria maravilhoso, mas, não é só por isso. O filme tem vários momentos sem trilha sonora, um ótimo recurso para assustar qualquer um, a fotografia é arrepiante, principalmente nas cenas noturnas e no final do filme, os efeitos especiais deixam qualquer torture-porn no chinelo e a maquiagem do vampiro é simplesmente repugnante e original.
    Aliás, este é o grande atrativo do filme— durante seus 95 minutos, não vemos o rosto do vampiro até os 80 minutos, e, a espera vale muito a pena—ele surge com toda sua fúria e violência, um momento de surpresa para todo nós. O melhor, é, que, na sequência do banheiro do terminal, vemos apenas parte de seu rosto e isso aumenta nossa ansiedade, além de ouvirmos sua voz vilanesca e mórbida, numa sequência sem trilha sonora nenhuma.
    O clima do final do filme, com seus raios e trovões, iluminando o terminal e exibindo a violência do monstro é perfeito para um filme como esse. Ficamos imaginando como ele conseguiu matar todas aquelas pessoas, e como elas devem sofrido…
    Mas, enfim, VOO NOTURNO é um filme de Stephen King completo, do jeito que só ele sabe fazer, com muito suspense, muito sangue e um monstro assustador.
    Totalmente recomendado!!!!!!!

    10/10

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