687 – O Aprendiz (1998)

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Apt Pupil

1998 / EUA, França / 111 min / Direção: Bryan Singer / Roteiro: Brandon Boyce (baseado no conto de Stephen King) / Produção: Jane Hamsher, Don Murphy, Bryan Singer; Tom DeSanto (Coprodutor), John Ottman, Jay Shapiro (Produtores Associados); Tim Harbert (Produtor Executivo) / Elenco: Brad Renfro, Ian McKellen, Joshua Jackson, Mickey Cottrell, Michael Reid MacKay, Ann Dowd, Bruce Davidson, James Karen, David Schwimmer

 

Bom, em primeiro lugar eu preciso externar o quanto eu ODEIO o Bryan Singer. Isso é um blog pessoal, onde eu tenho o direito de postar o que penso e sinto, certo? Então se tem uma pessoa em quem eu rogaria uma praga estilo Zé do Caixão nesse mundo, é esse sujeito. Por que? Eu vou ter que ir muito lá atrás para responder a isso:

Eu sou FANÁTICO pelos X-Men. Sem brincadeira. É meu supergrupo favorito. Na minha infância e começo da minha adolescência eu lia fascinado caralhadas de HQs do meu primo com toda a fase fodástica dos mutantes escrita por Chris Claremont, e aquelas incríveis histórias que simplesmente marcaram minha vida, como A Saga da Fênix Negra, Dias de um Futuro Esquecido, Deus Ama e o Homem Mata, passando por Massacre de Mutantes, Programa de Extermínio, até culminar a fase desenhada por Jim Lee e os X-Men, com a saída de Claremont, virarem uma BOSTA. Isso sem contar o desenho que passava na TV Colosso nos anos 90 que eu era vidrado, e as action figures que eu comprava para brincar com os personagens junto do meu amigo e tudo mais, os jogos de videogame do fliperama e do Mega Drive, e assim por diante.

Bom, deu para sacar o motivo de meu ódio até irracional pelo senhor Bryan Singer, certo? Simplesmente pelo aborto da natureza que ele cometeu em todos os filmes dos Filhos do Átomo. Onde ele meteu a mão,  CAGOU com tudo. Isso sem entrar no mérito do que ele fez com o Superman para a Distinta Concorrência, que a gente abafa o caso também. E claro que ele continua cagando e sentando em cima e fazendo o que bem em entende no universo X sob comando da inescrupulosa Fox. Eu soltei fogos de artifício quando o Homem-Aranha, meu herói favorito de todos os tempos, saiu das garras da Sony Pictures e finalmente terá controle criativo da Marvel. Mas a tristeza que parece um poço sem fim é que os X-Men, meus queridos X-Men, nunca terão esse destino e por conseguinte um filme a altura de suas incríveis aventuras.

Parabéns, Erik Lensherr!

Parabéns, Erik Lensherr!

Todo esse desabafo e mimimi, só para dizer que eu sou obrigado a engolir um sapo desgraçado e dar o braço a torcer para Singer por conta de O Aprendiz, sem dúvida um dos melhores filmes baseados na obra de Stephen King. O que me conforta é saber que ele foi feito antes do almofadinha envergonhar o universo mutuna, e depois de outro filme incrível do sujeito, que é Os Suspeitos.

O Aprendiz é um grande filme porque tem uma história poderosíssima, Brad Renfro e Ian McKellan afiadíssimos, e diabos, uma ótima direção do Singer, que pombas, é um bom diretor, contanto que não se meta com super-heróis, tema que obviamente ele não manja PORRA nenhuma (até aquele Operação Valquíria é aceitável se você não tem nada melhor para assistir passando na TV).

É o tipo de filme que te deixa tenso, com os nervos a flor da pele e lhe faz sair do cinema com um gosto ruim na garganta, tanto pelas atrocidades cometidas contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial, como o lance da história ser cíclica e toda aquela barbárie ainda influenciar pessoas, aguçar uma mórbida curiosidade e o quanto o totalitarismo, o fundamentalismo radical de direita, a xenofobia e o racismo estarem tão presentes na tal população média, como um garoto do subúrbio que acredita que a superioridade das raças ainda é algo palatável para se saborear e o quão é poderosa a doutrina do medo, como fica claro no final ao confrontar o seu orientador escolar.

Inspirado no conto “Aluno Inteligente” dentro da coletânea “As Quatro Estações” de King, livro de onde foi retirado também o conto que inspirou Conta Comigo e Um Sonho de Liberdade, O Aprendiz traz a história do jovem Todd Bowden (Brad Renfro, que morreria precocemente de overdose dez anos depois) que descobre que seu vizinho, Arthur Denker (McKellan) é na verdade um nazista foragido, procurado por seus crimes de guerra, cujo nome verdadeiro é Kurt Dussander.

Laser eyes

Laser eyes

Bowden então passa a chantagear o velho Dussander para que ele conte em detalhes sobre todas as atrocidades cometidas nos campos de concentração, ao contrário, irá pegar as evidências e entrega-las para o FBI para ser deportado e julgado em Israel. Inicialmente aquele homem frágil que é manipulado pelo sádico garoto, que passa a surtar com todos aqueles relatos violentos e deixa de ser um aluno exemplar para cair em um profundo desgaste físico e psicológico, mostra sua verdadeira face e o jogo vira, passando ele a manipular o menino. Aquela sádica relação simbiótica atinge seu limite quando os antigos desejos assassinos de Dussander voltam à tona, enquanto sua influência faz florescer um lado perverso e hostil em Bowden.

Lembro de quando assisti O Aprendiz no cinema, saí extremamente desconfortável e com um inóspito sentimento de raiva crescente, assim como meu amigo que foi comigo a sessão, em uma tarde de férias de final de ano em 1998. E mesmo com a narração de McKelan sobre as atrocidades cometidas na câmara de gás e até algumas imagens de alucinações do personagem de Renfro, dois momentos foram os mais impactantes no filme: quando o garoto obriga o velho a vestir uma velha indumentária nazista e a marchar e quando uma pomba de asa machucada entra no ginásio e Bowden não tem a menor restrição em matar a ave (fraca, inferior e debilitada) com uma bola de basquete.

Sabemos que King se consagrou por sua fantástica narrativa literária do sobrenatural, mas o horror físico e psicológico que aflora em O Aprendiz é muito mais impactante e soco no estômago que qualquer carro assassino, são bernardo com raiva, palhaço que come criança, cemitérios indígenas, garotas com telecinese ou hotéis mal-assombrados. E o alvorecer daquela relação doentia e o crescente suspense que ela causa, até seus momentos finais quando Dussander finalmente se vê encurralado e as cicatrizes foram definitivamente deixadas em seu “aprendiz”, é executado com muita primazia por Singer, e sei muito bem tirar o chapéu quanto a isso.

Heil McKellan!

Heil McKellan!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de O Aprendiz está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Matheus L. CARVALHO disse:

    Porra, aí, sim, Marcão!
    Confesso, sou fã do Stephen King sobrenatural, com seus monstros, fantasmas, vampiros, etc… mas, o Stephen King psicológico também consegue ser assustador.
    O APRENDIZ é o melhor exemplo disso, ao lado de LOUCA OBSESSÃO.
    Tá certo, esse foi um dos últimos acertos de Bryan Singer – porque SUPERMAN – O RETORNO foi um desastre – e devo dizer que ele acertou na mosca (os dois primeiros “X-Men” não me deixam mentir)! Ele conseguiu criar um filme tão assustador e chocante que deixa muita porcaria de hoje no chinelo, e que tem seu lugar garantido ao lado de outros clássicos chocantes, como “O Massacre da Serra Elétrica”, “Cannibal Holocaust” e outros.
    Difícil dizer qual dos dois protagonistas é o mais diabólico, porque não dá pra medir o nível de maldade de ambos – com certeza, empatariam no Índice da Maldade, do Dr. Michael Stone… Sem falar que são inteligentíssimos, o que os torna ainda mais perigosos!
    É interessante observar o desenvolvimento de Todd ao longo do filme – de adolescente curioso a assassino e manipulador impiedoso, e isso, é uma das coisas que Stephen King faz como ninguém – pega pessoas normais e as transforma em monstros.
    E a medida que se tem a impressão que as surpresas acabaram, surgem novas, mais aterrorizantes que as anteriores.
    Enfim, O APRENDIZ é um filme Nota 10, daqueles de tirar o chapéu toda vez que se assiste.
    Uma pena que, depois dos dois primeiros “X-Men”, Bryan Singer tenha pisado na bola – e feio – com seu filme do Superman, mas, pelo menos, se redimiu como produtor-executivo de HOUSE, uma das melhores séries de TV de todos os tempos.
    O APRENDIZ é um clássico moderno, um filme que prova que Stephen King também consegue gelar nossa espinha em uma história sem monstros!

    Nota: 10,0/10,0

    • Boa, Matheus. Só acho os dois primeiros X-Men deploráveis (claro, nada pior que o X3), como fã dos quadrinhos mesmo, completamente aquém do grupo mutante e de coisas fodas que vimos depois da Marvel Studios. Aliás o primeiro só funcionou porque não tinha filmes de super-heróis naquele época. Na real só curto mesmo o Primeira Classe (até porque nem é dele, é do seu Xará Vaughn, McAvoy, Fassbender e Bacon estão ótimos, e finalmente eles usaram a droga do colant azul e amarelo) e mesmo assim num chega ao dedo mindinho de Os Vingadores ou Guardiões da Galáxia, por exemplo, e todo potencial de uma filme absolutamente fodástico dos mutunas. Simples, os X-Men do Singer não são os X-Men, são um bando genérico de roupa preta com um Wolverine galã, um Ciclope bostolão (como pode isso???), uma Fênix ridícula, uma Tempestade e Vampira igualmente toscas, e um Magneto e Xavier que ficaram desde a primeira cena do primeiro filme punhetando a mesma coisa de forma enfadonha.

      UFA!

      Mas eu sou fã xiita dos X-Men, principalmente da fase do Chris Claremont, então essa discussão nunca terminaria e nada consegue me fazer pensar ao contrário… hahahahaha.

      Grande abraço!

  2. José Bezerra de Oliveira disse:

    Oi, sou fã do blog. É bom esclarecer que vários povos sofreram atrocidades na Segunda Guerra e não apenas os judeus como sempre aparece em muitos textos, inclusive aqui não se menciona ciganos… Você conhece o livro A Indústria do Holocausto? É escrito por um judeu, cuja família esteve nos campos e conta a história de outra maneira. Segundo ele, não morreram 6 milhões de judeus mas 700 ou 800 mil porque não havia em toda a Europa 6 milhões de judeus. Baixe o livro em lelivros.red e assista o documentário Americano Radical Radical American com o escritor. 20 milhões de russos morreram e ninguém fala. Gosto do seu blog. Visito todo dia. Abraço

  3. Paulo Ricardo disse:

    Mais um motivo p n gostar do Brian Singer é as acusações de pedofilia q ele foi alvo , e onde a fumaça a fogo ….

  4. Papa Emeritus disse:

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Marcos, você tem uma opinião IDÊNTICA a minha em relação ao Bryan Singer. Gosto de todas as histórias dos X-Men que você citou e detesto os filmes do Singer. Também comemorei a volta do “amigão da vizinhança” pra Marvel (apesar que no caso do Aranha eu gosto dos 2 primeiros filmes do Sam Raimi, mas o resto foi atrocidade da Sony). E concordo, o Aprendiz e os Suspeitos são ótimos filmes. O que você sente pelo Singer eu também sinto pelo Paul Anderson, pelo que ele fez com Resident Evil nos cinemas (sou super fã dos games), e você deve saber que iria ser o George Romero que iria fazer o primeiro filme de Resident Evil, mas a Sony (ó ela aí fazendo merda) chutou a bunda do mestre e trouxe o palhaço do Anderson. Abraços!

  5. Gilberto disse:

    Alguém já leu sobre o massacre que os fizeram na Ucrânia na decada de 30 ?

  6. Marcelo Henrique disse:

    Se não fosse o X-Men de Singer em 2001 não teríamos todos esses filmes, inclusive os da sua queria Marvel Studios,de super heróis que temos hoje! O Primeira Classe que você curte, teve um roteiro feito em cima do argumento de adivinha quem? Do Singer! E sim ele não dirigiu mas quem é um dos produtores do filme? O Singer! Para o ano de 2001 onde não tinhamos essa quantidade absurda de filmes do gênero para se comparar o primeiro X-Men é um filme muito bom, o X-Men 2 então, desde a cena de abertura que dispensa comentários. Queria só ver se a Marvel tivesse os direitos do X-Men iria fazer algo que prestasse…

    • Cara, “se a Marvel tivesse os direitos do X-Men iria fazer algo que prestasse”… Jura mesmo? AFE!

      Uma pergunta: você leu X-Men? Todas essas histórias e a fase Claremont que eu falei? Ou curte só os filmes, Hugh Jackman e tal?

      X-Men 2 é bom?????? Bom, gosto não se discute…

      Na real, se não tivesses BLADE, não teríamos todos os filmes de heróis, inclusive da COMPETENTE Marvel Studios, que trata os seus personagens de acordo, não como a FOX que descaracteriza os mutantes e bom, nem vou comentar sobre o Quarteto Fantástico.

      Valeu pelo comentário.

      Abs

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