693 – Vampiros de John Carpenter (1998)

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Vampires

1998 / EUA, Japão / 108 min / Direção: John Carpenter / Roteiro: Don Jakoby (baseado no livro de John Steakley) / Produção: Sandy King; Don Jakoby (Coprodutor); Barr B. Potter (Produtor Executivo) / Elenco: James Woods, Daniel Baldwin, Sheryl Lee, Thomas Ian Griffith, Maximilian Schell, Tim Guinee

 

Gosta PACAS de Vampiros de John Carpenter. Primeiro porque o vi no cinema. Segundo porque é de John Carpenter. Terceiro por conta da canastrice de James Woods. Quarto por conta do seu visual faroeste. Quinto por sua trilha sonora brega, que é de John Carpenter. Sexto porque parece uma história retirada de uma aventura de Vampiro: A Máscara.

Já são motivos de sobra para gostar do longa, não é? Tem filmes por aí, que ás vezes são até mais valorizados que Vampiros – o último bom filme de Carpenter – que não juntam seis bons motivos para se apreciá-lo. E apesar de ser um gritante filme B, que infelizmente não recebeu o devido respeito de crítica e público, o dedo do mestre pesa com força, tanto em sua narrativa, como nos belos planos do deserto do Novo México com sua forte influência do western spaghetti, como na dinâmica picareta de todos os atores envolvidos (algo que Carpenter sabe fazer com primor e está aí Kurt Russel que não me deixa mentir) e no festival de gore sem parcimônia.

Se há uma coisa em que Carpenter peca, e que não é em detrimento do baixo orçamento e na sensação de filma acabado de forma rápida demais  (para você ter ideia, logo depois que a produção começou o estúdio cortou 2/3 da verba!)  é o tamanho da misoginia com M maiúsculo de seus personagens macho-mans, que hoje causaria estardalhaço e comoção exacerbada. Mas que não se limite a isso, pois o dedo que o diretor mais enfia no vespeiro é da Igreja Católica, descontruindo todo o mito do vampiro, colocando a criação desse ser das trevas na conta dos apostólicos-romanos e sua execrável inquisição.

Time Crow!

Time Crow!

Pois bem, Woods é Jack Crow, o líder de um bando de caçadores de vampiros que faz parte de uma facção secreta comandada e financiada pela Igreja Católica, que vive por aí adentrando no covil das criaturas de presas e exterminando-as uma a uma, em busca do mestre vampiro-mor. Após uma operação aparentemente bem sucedida (apesar de não encontrarem o tal mestre) o grupo tem uma noite de diversão, bebidas e prostitutas num motel de beira de estrada em Monterrey, quando são atacados e dizimados pelo mestre, vestido com seu sobretudo preto, longos cabelos negros e pele cor de cera, mais clichê impossível, apesar de tentar ignorar completamente o visual aristocrático e gótico do monstro.

Apenas Crow e seu parceiro, Montoya (Daniel Baldwin, um dos inúmeros irmãos Baldwin) sobrevivem, junto da prostituta Katrina (Sheryl Lee), que fora mordida pelo mestre e por isso é levada junto deles, para funcionar como um elo telepático com seu criador, antes de se transformar definitivamente em vampira (e toma muita porrada até isso acontecer). Crow resolve indagar o Cardeal Alba (o veterano Maximilian Schell) e descobre que o outro grupo de caçadores de vampiros, baseado na Europa, também fora exterminado pelo mesmo sujeito, um tal de Jan Valek (Thomas Ian Griffith), ex-padre que fora tido como possuído pelo demônio e queimado na fogueira. Mas voltou, caminhando apenas a noite e alimentando-se de sangue.

O padre Guiteau (Tim Guinne) passa a integrar o grupo e no final das contas, acaba dando com a língua nos dentes e contando a verdade a Crow, que o vampiro na verdade foi vítima de um ritual de exorcismo proibido que deu errado, a acabou por transformá-lo em um vampiro, o primeiro de todos, sendo que agora ele está em busca da Cruz de Berzies, um artefato centenário que daria a capacidade de andar à luz do dia a Valek.

Jesus Woods

Jesus Woods

Poxa, a trama, baseada vagamente no livro Vampire$ de John Steakley, que teve o primeiro tratamento escrito por Don Jakoby (o mesmo roteirista de Força Sinistra e Invasores de Marte de Tobe Hooper e Aracnofobia) é muito bacana, ainda mais em sua reviravolta quando mostra que naquela velha história do maniqueísmo da luta entre o bem e o mal sempre há um traidor e os desejos da Igreja, para variar, são mais escusas do que parecem. E como falei lá em cima, todo esse clima de caçadores de vampiros, conspirações, Igreja, busca por uma relíquia mágica e tudo mais é MUITO uma aventura do RPG, Vampiros: A Máscara. Tenho certeza que deve ter inspirado histórias de vários mestres por aí.

Juntem-se a isso os efeitos especiais, que vão do orgulho à vergonha em cenas distintas (como Valek partindo um cara em dois ou a tosquice quando os vampiros são arrastados ao sol e pegam fogo como se estivessem com sinalizadores nas roupas) criados pela KNB (preciso repetir que é a empresa do Kurtzberg, Nicotero e Berger? Porque já são tantos e tantos filmes na sequência que escrevo por aqui onde eles foram responsáveis pelos FX…), aquele clima árido mezzo western e mezzo road movie e James ‘Fuckin’ Woods e pronto, você tem um filme imperdível sobre vampiros!

Okay, Vampiros de John Carpenter pode não figurar entre os maiores clássicos do subgênero dos sugadores de sangue e nem ser o mais genial do mestre, mas ainda assim encontrou sua Cruz de Berzies e definitivamente tem seu lugar ao sol (que infame…) na mitologia cinematográfica das criaturas das trevas.

Minha vingança sará maligna!

Minha vingança sará maligna!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Vampiros de John Carpenter está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Ramon disse:

    Adoro esse filme. ..vi pela primeira vez na recorde… um fato interessante é que ele rendeu uma continuação estrelada pelo Bon jovi( não sei se é boa, tenho o dvd mas não tive coragem de assistir kkk)

  2. Maycon disse:

    Sério que você joga RPG, cara? Hahaha… a cada postagem gosto mais de vocês dois.
    E olha que leio desde os meados dos 101 pra se ter uma ideia.
    Agora… Acho que esse Valek é um bom de um Brujah, 6a geração. Hahaha… Não acho ele um dos mestres mais fodas.
    Ta ai! Se juntar todos vampiros fodas dos filmes vampirescos, qual seria o mestre dos mestres? Tenho que pensar a respeito.

    • Hhahahahaha, eu jogava… Faz uma cara… Onde em dia nem jogo mais.

      Sei lá hein, acho que seria o Drácula mesmo, não? O mais fodão de todos? Você já assistiu Kiss of the Damned? Tem uma pegada de sociedade de vampiros que me lembra muuuuuuito os Ventrue… Ah True Blood também “bebe” na fonte de Vampiro – A Máscara pra cacete também né!

  3. Papa Emeritus disse:

    kkkkkkk, eu tinha Vampiro: A Máscara, e também o Lobisomem: O Apocalipse. Só que me roubaram o Lobisomem, e o Vampiro acho que ficou com meu irmão (ele que gosta de mestrar RPG).

    Quanto ao filme, não tenho nem o que falar, eu gosto pra caralho também. John Carpenter é um dos poucos diretores que manteve uma filmografia equilibrada ao longo da carreira. Ele já fez filme ruim? Já, mas acho que dá pra contar nos dedos. O cara tem muito filme bom no currículo: O Enigma do Outro Mundo (obra-prima), Halloween, Bruma Assassina, Aventureiros do Bairro Proibido, A Beira da Loucura, Christine o Carro Assassino, Príncipe das Sombras, Starman (aquele com o Jeff Bridges, sim eu gosto desse filme), Fuga de Nova York, Eles Vivem. Velho, até o primeiro filme dele “Dark Star” é legal, o cara é mestre. Pena que nunca foi devidamente reconhecido com um Oscar. Mas o Oscar também comete várias injustiças com outros cineastas, nem preciso comentar.

    • Pois é, Papa…

      De todo eles que são os mestres (Craven, Romero, Hooper, etc, etc), Carpenter realmente é o melhor de todos e que tem a carreira mais equilibrada em com o maior número de filmes fodas!

      Abs

      Marcos

  4. Matheus L. CARVALHO disse:

    Porra, Marcão, aí sim!!!!!
    VAMPIROS DE JOHN CARPENTER é um super-filme! Um western de terror!
    É o filme favorito – e o primeiro que eu vi – do Carpenter!
    E em todas as revistas de cinema que eu vi, é elogiado pra caramba, sempre levava quatro estrelas! E com toda razão. É legal pra cacete, do tipo que a gente assiste várias vezes, sem se cansar! Desde a primeira vez que vi, aluguei o VHS – dublado – várias vezes, porque gostei do filme!
    Só discordo de você, porque é o penúltimo filme ótimo dele – o último foi “Fantasmas de Marte”.
    Além disso, é um dos últimos filmes de vampiros de verdade – “Drácula 2000 é o último – antes do monstro ser destruído pelos “Crepusculo” (que também destruíram os lobisomens, vale lembrar), aquela BOSTA chamada de “saga”. Nem saga aquilo é!

    Pergunta:
    O arquivo é com áudio em inglês, né, Marcão? Eu gosto também, mas, o filme dublado é o que mais gosto.

    Mas, não importa!
    O que importa, Marcão, é que você postou esse filme e o arquivo – em Blu-ray, valeu! – pra baixar!

    Já coloquei pra baixar!

    VAMPIROS DE JOHN CARPENTER. Um super-filme!

  5. Matheus L. CARVALHO disse:

    Obs.:
    DARK SHADOWS (2012) é o primeiro filme de vampiro de verdade, depois dessa p— de Crepusculo.

    • Ô Matheus, tem filmes ótimos de vampiros depois de Crepúsculo e antes de Sombras da Noite, que por sinal eu detesto… 😛

      Deixa Ela Entrar, Sede de Sangue, Stake Land – Anoitecer Violento, O Filho da Meia-Noite, Livide, por exemplo…

      Isso sem contar os mais novos como Amantes Eternos, Kiss of the Damned e o fodástico A Garota que Anda à Noite. 😀

      • Matheus L. CARVALHO disse:

        Ah, sim, é verdade. Me esqueci. DEIXA ELA ENTRAR é ótimo, tem razão.

        No entanto, não posso dizer o mesmo dos demais filmes citados, porque não os vi… 😀

        Bom, eu ADOREI “SOMBRAS DA NOITE”, porque sou fã do Tim Burton… 😀

        Um abraço.

        PS:
        Viu minha resposta ao seu pedido do TUBARÃO CRUEL no “TROLL 2”?

  6. Luiz disse:

    Eu lembro de ter assistido esse filme no ano que lançou. Lembro até que aluguei de uma vez só esse, aquele Jack Frost que saiu antes e o Halloween H20. Era a época boa de ir alugar filmes toda sexta-feira.

  7. Torrent, legendado e tudo mais? Ai de mim! Queria vos dar um abraço. Vós salvastes-me d’uma vida de queixumes desde que excluí dos meus ficheiros esse vídeo. Muito obrigado!!!

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