698 – Ecos do Além (1999)

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Stir of Echoes

1999 / EUA / 99 min / Direção: David Koepp / Roteiro: David Koepp (baseado no livro de Richard Matheson) / Produção: Judy Hofflund, Gavin Polone, Michele Weisler / Elenco: Kevin Bacon, Kathryn Erbe, Illeana Douglas, Zachary David Cope, Kevin Dunn, Conor O’Farrell, Lusia Strus

 

Taí um ótimo filme que surgiu nessa levada do final dos anos 90 e começo dos anos 00, envolvendo o sobrenatural, histórias de fantasmas e comunicação com espíritos, para fugir um pouco dessa enxurrada dos slashers 2.0 que se seguiram incessantemente depois da revitalização do cinema de horror com Pânico.

Ecos do Além, dirigido e escrito por David Koepp, é inspirado no livro de Richard Matheson, um dos mais influentes e importantes escritores da literatura fantástica e responsável pelo roteiro de diversos filmes e programas de TV, que vinha contribuindo avidamente durantes os anos 50, 60 e 70, mas sua contribuição estava meio desparecida de Hollywood desde então.

Eu lembro que no Brasil, Ecos do Além só fora exibido nos cinemas em 2000 (e eu estava lá o conferindo), uns bons longos meses depois do seu lançamento nos EUA, e consequentemente, uns bons longos meses do surpreendente e arrasa-quarteirão O Sexto Sentido, o que então gerou algumas comparações inevitáveis, por conta de um garotinho capaz de se comunicar com espíritos, e injustas também, por sinal, sendo que na verdade os dois foram produzidos praticamente na mesma época.

O tal garotinho sensitivo é Jake (Zachary David Cope), que nos brinda já com uma incrível cena logo na abertura do filme, conversando com alguma pessoa que não está no quadro, e descobrimos que ele fala com “gente morta” ao perguntar, voltado para a câmera, se “dói estar morto”. Seu pai, Tom (Kevin Bacon) é uma pessoa comum, que se muda para o subúrbio de Chicago, tem um emprego enfadonho na companhia telefônica, um casamento rotineiro com Maggie (Kathryn Erbe), e vê seus sonhos de juventude de ser um rockstar cada vez mais distantes, engolido pelas mazelas da vida cotidiana do americano médio.

Dói estar morto?

Dói estar morto?

Até que durante uma festa, ele é hipnotizado por sua cunhada, Lisa (Illeana Douglas) que vira uma chave na cabeça do sujeito, abrindo suas portas da percepção, despertando uma sensitividade latente, e a partir de então começa a ter visões pré-cognitivas e perceber que o fantasma de uma jovem garota está tentando se comunicar com ele, que coincide com uma vizinha, Samantha Kozac (Jennifer Morrison), que desaparecera do bairro há seis meses.

No decorrer da trama vamos acompanhar Tom pirando aos poucos enquanto seu, hã, sexto sentido, explode, e ao mesmo tempo em que vários elementos clichês do gênero são utilizados, ainda assim soa com um frescor autêntico e que desperta o interesse no espectador, mesmo que isso leve a um contexto até datado de: fantasma tentando se comunicar para que seu corpo seja encontrado, justiça seja feita e ele possa descansar em paz por toda eternidade.

Bacon está ótimo (e essa frase utilizada para a versão “comida” de seu sobrenome é um pleonasmo), o roteiro de Koepp segue com fluidez, assim como sua direção, e há boas cenas de susto, que não precisam ficar só apelando para jump scare e artifícios baratos, exatamente por saber contar a história e desenvolver a atmosfera certa de terror sobrenatural bem pontuado e horror psicológico sutil. E tem aquela cena da unha da garota quebrando no assoalho da casa que é de dar faniquitos nos mais incautos.

Ecos do Além prova que um filme não precisa de exageros, doses cavalares de sangue e violência, reviravoltas malucas em seu final, barulhos estrondosos no último volume e tudo mais. O básico de uma história de fantasmas bem contada, que bebe de uma fonte segura e criativa como Matheson, é o suficiente para agradar aos fãs de horror, como eu.

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Serviço de utilidade pública:

O DVD de Ecos do Além está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Por essas e outras que, após ler “Eu Sou a Lenda”, do Matheson, acho cada vez mais horrível aquele filme do Will Smith. Uma história do caralho toda distorcida com aqueles bonecos capengas em CGI. Sem falar na conclusão feliz, totalmente contra a proposta do livro.

  2. Matheus L. CARVALHO disse:

    Filme excelente pra c—!

  3. Papa Emeritus disse:

    Esse é o tipo de filme de “fantasma” que eu curto. Não fica apelando pra jump scare. O grande problema dos jump scare é que eles só funcionam na primeira vez que você assiste. Depois perde a graça pois você já sabe quando vem os “sustos”. Filmes de fantasma ou assombrações é legal quando sabem trabalhar a tensão do espectador. Não estou dizendo que não pode ter sustos, mas sim que não fique baseado nisso o filme inteiro.

  4. […] em questão, estavam rolando vários filmes nessa pegada sobrenatural, como O Sexto Sentido, Ecos do Além e por aí vai. Mas revendo, ele é […]

  5. […] o cinema em diversos filmes, que entre eles podemos citar Mortos que Matam, A Casa da Noite Eterna, Ecos do Além e A Caixa. Além disso, foi roteirista da série Além da Imaginação, desenvolvendo alguns dos […]

  6. […] dirigido e escrito por David Koepp (roteirista de Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros, Ecos do Além e Homem-Aranha) e que tem um Johnny Depp inspiradíssimo, fugindo do caricato que tomou conta de […]

  7. […] mentes de Hollywood, Richard Matheson, o mesmo de Eu Sou A Lenda, O Incrível Homem que Encolheu, Ecos do Além e As Bodas de Satã, entre […]

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