707 – Anatomia (2000)

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Anatomie / Anatomy


2000 / Alemanha / 103 min / Direção: Stefan Ruzowitzky / Roteiro: Stefan Ruzowitzky / Produção: Jakob Claussen, Andrea Willson, Thomas Wobke; Norbert Preuss (Produtor Executivo) / Elenco: Franka Potente, Brenno Furmann, Anna Loss, Sebastian Blomberg, Holger Speckhahn, Traugott Buhre


Bem-vindo novo milênio! Não rolou o bug, não rolou fim do mundo, então a nova década chegou do horizonte para a população do Planeta Terra (o Século XXI não, uma vez que esse só começou em 2001, vocês tão ligados, né?) e aqui me adentro nos anos 2000, tão perto, e tão longe ao mesmo tempo.

Depois da guinada do cinema de terror na metade final dos anos 90 (valeu, Pânico) e sucessos de público e crítica lá no seu último ano de década (valeu O Sexto Sentido e A Bruxa de Blair), o filme que abre os 00’s é o thriller alemão Anatomia, que pode parecer bem uma exibição clássica do Supercine, mas é um suspense decente.

Fugindo um pouco do estereótipo do slasher 2.0 que invadiu o gênero naquele final de década, o filme dirigido por Stefan Ruzowitzky até bebe um pouco da fonte, mas mostra-se muito mais adulto e traz como protagonista Franka Potente, uma perfeita cria dos anos 90 que fez o filme cult clubber Corra, Lola, Corra dois anos antes, muita gente fina, bonita (e sarada) e sincera no campus da faculdade de medicina, trilha sonora moderna (tem até Fatboy Slim!) e alguns momentos de genuína tensão, requisito básico para um bom filme do tipo.

Potente interpreta Paula Henning, uma brilhante estudante de medicina que consegue uma vaga na prestigiada Universidade de Heidelberg, onde seu avô construiu sua reputação, descobrindo uma droga anestésica chamada Primodal, chegando até a se tornar reitor, O curso de anatomia o qual Paula se inscreve é ministrado pelo Professor Grombek (Traugott Buhre) e é o mais difícil e respeitado da Alemanha. A garota entra de cabeça nos estudos, mesmo estando entre um grupo zueiros de estudantes, com uma roomate com um apetite sexual insaciável, a bela loira Gretchen (Anna Loss), e com um boy magia por quem acaba se apaixonando, Caspar (Sebastian Blomberg).

Não sei onde enfiar a cara...

Não sei onde enfiar a cara…

Tudo está beleza, até que Paula se depara na aula de anatomia com o corpo de um conhecido durante a viagem, e descobre tatuado em seu pé as iniciais AAA. Investigando a origem do presunto ela acaba se envolvendo até o pescoço em uma trama conspiratória de um grupo secreto chamado Sociedade Anti-Hipocrática, formada por pesquisadores médicos que não estão nem um pouco preocupados com a ética, e praticam estudos e vivissecções em seres humanos, que teve seu auge durante o Nazismo, e atuava embaixo dos panos em Heidelberg. Isso enquanto seus amigos vão desaparecendo misteriosamente e ela pode descobrir que pessoas muito próximas a ela podem estar envolvidas nos escusos interesses dos Anti-Hipocráticos.

Uma das falhas de Anatomia é reduzir a atuação de uma sociedade secreta organizada, com os membros do AAA como influentes nomes da medicina alemã, para o arroubo de um louco com ciúmes e seus comparsas. Um dos pontos positivos de Anatomia é utilizar o pânico da vivissecção e do uso de uma droga anestésica que o mantém consciente enquanto é cortado vivo em pedacinhos, e esses cadáveres serem utilizados depois para a prática da medicina.

Aliás, esses “espécimes” foram inspirados no trabalho do Dr. Gunther von Hagens e sua popular exibição “Body Works”, com corpos plastinados em posições que reproduzem a atividade humana, e inclusive já passou aqui pelo Brasil. Os modelos foram criados pelo time de Joachim Grüninger e Birger Laube, os caras da maquiagem e efeitos especiais na Alemanha (inclusive trutas do Roland Emmerich, tendo trabalhado com o diretor catastrófico em O Patriota e 10.000 A.C..) e ficaram tão acurados, que o próprio staff dos consultores médicos do filme disseram que eles poderiam ser usados para estudos!

Anatomia aposta no simples, sem querer inventar moda, traz boas sequências de suspense e tensão, uma boa interpretação de Potente e uma história que faz menção nas entrelinhas ao período da Alemanha nazista e seus terríveis experimentos orquestrados por Mengele e sua turma. Fez um baita sucesso nos cinemas alemães e despertou interesse da Columbia, que distribuiu o filme nos cinemas americanos (dublado em inglês), e gerou até uma continuação, lançada três anos depois.

Nenhum alemão pode ser uma pessoa ruim...

Nenhum alemão pode ser uma pessoa ruim…



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

3 Comentários

  1. Baixando e semeando, vlw cara!

  2. “uma roomate com um apetite sexual insaciável, a Gretchen” – Van Damme tá no filme também? (quem assistia “Domingo Legal” vai entender)

  3. Paulo disse:

    cadê o torrent desse filme?

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