710 – Hellraiser: Inferno (2000)

MPW-53084

2000 / EUA / 99 min / Direção: Scott Derrickson / Roteiro: Paul Harris Boardman, Scott Derrickson / Produção: W.K. Border, Joel Soisson; Jesse Berdinka, David Matthew Jordan (Coprodutores); Bob Weinstein, Harvey Weinstein (Produtores Executivos) / Elenco: Craig Sheffer, Nicholas Turturro, James Remar, Doug Bradley, Nicholas Sadler, Noelle Evans, Lindsay Taylor

 

Conhecer apenas um detalhe básico da produção de Hellraiser: Inferno, o quinto filme da franquia iniciada por Clive Barker lá em 1987 com o genial Hellraiser – Renascido do Inferno, já é o suficiente para entender porque o filme não funciona, mas ao mesmo tempo, tem lá seus pequenos arroubos de originalidade que o distinguem das demais sequências.

Acontece que a Dimension Films, dos irmãos Bob e Harvey Weinstein compraram dois roteiros aleatórios que originalmente não tinham absolutamente nada a ver com o universo de Hellraiser. Daí a produtora, detentora dos direitos do mesmo querendo economizar umas moedas, ao invés de reescrever uma história original, resolveu simplesmente enxertar Pinhead, os cenobitas e o famosos Cubo das Lamentações na trama, e pah! Temos aí mais uma continuação fiasqueira.

Fica tão na cara ver tudo que deu errado depois que você sabe dessa pequena informação, porque tudo na trama parece desconexo, desencaixado, econômico em relação ao apelo visual dos cenobitas e de todo seu cânone utilizado nos filmes anteriores. Parece mais um filme noir tosco, com duas míseras aparições do vilão com a cabeça cheia de pregos, vivido mais uma vez por Doug Bradley, que na real tem só duas participações e uma mísera fala, passando longe de vilão principal que lhe cabe nesse latifúndio.

Threesome infernal

Threesome infernal

Então beleza, vou analisar Hellraiser: Inferno de duas formas. Uma pensando como um filme da franquia, e outro pensando como uma produção independente. Como Hellraiser, é bomba! Como um outro filme qualquer, ele tem seus momentos interessantes se praticarmos um pouco a criatividade e imaginá-lo sem cenobitas e todos os elementos da mitologia de Barker, como um suspense mais parecido com a linha de 8mm, e pitadas de Seven – Os Sete Crimes Capitais.

O detetive Joseph Thorne (Craig Sheffer) é um policial corrupto, viciado em cocaína, negligente com a família, adúltero, que gosta de se engraçar com prostitutas e clone do David Boreanaz. Investigando uma cena de crime em particular ele descobre um sujeito que fora massacrado por ganchos, e no local, o famigerado cubo. O meganha pega o aparato, tenta abri-lo e já sabe né, irá ativar a porta que abre a dimensão para o inferno particular SM, repleto de prazer e dor dos cenobitas.

Daí a coisa começa a complicar para seu lado, que passa a ter várias alucinações com as criaturas e também ao mesmo tempo, acaba caindo de cabeça num intrincado quebra-cabeça de assassinatos bizarros, praticado por um terrível serial killer que deixa sempre o dedo decepado de uma criança na cena do crime. Enquanto luta por sua sanidade, Thorne investiga as pistas que o leva a um tal de Engenheiro, figura obscura do submundo do crime, enquanto pessoas próximas a ele (uma prostitua, seu informante e dealer, seu parceiro…) passam a ser assassinadas.

Correntes de andrômeda

Correntes de andrômeda

Pois bem, como falei, poderia render uma interessante trama sobre um psicopata, um policial jogando com a própria insanidade, envolvendo um perigoso submundo de sadomasoquismo, tortura, drogas, sexo, e por aí vai. Apesar da atuação absolutamente sofrível de todos, mas assim, todos os atores envolvidos, o diretor debutante Scott Derrickson (sim, ele mesmo, do bom O Exorcismo de Emily Rose, do sensacional A Entidade, do fraco Livrai-nos do Mal e do aguardadíssimo Dr. Estranho da Marvel) consegue manter bem o filme nessa pegada policial. Poderia ser uma fita interessante, mas aí desanda quando acoplando porcamente Hellraiser na bagaça toda.

A trama fica completamente sem pé nem cabeça, Pinhead é somente um ponta de luxo, e o filme vai te minando até você chegar no final de saco cheio, sem conseguir acompanhar qual caminho o filme quer tomar, e com um desperdiçadíssimo grand finale que poderia ser dos mais interessantes, tendo em vista o plot twist quando revelada a verdadeira identidade da criança que vem sendo mutilada, e o fato de Thorne estar vivendo em loop o seu inferno particular.

Fato é que Hellrariser: Inferno não funciona bem nem como sequência, nem como um stand alone, e nem como um thriller que ele não foi. Tudo culpa da solução safada dos Weinstein, a completa ausência de Clive Barker na produção (esse foi o primeiro em que ele não se envolveu) e o fato de ser mais um direto para o vídeo, somando-o as imprestáveis continuações de um verdadeiro clássico do horror.

Coluna A, coluna B ou coluna do meio?

Coluna A, coluna B ou coluna do meio?

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Hellraiser: Inferno está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.

 

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Papa Emeritus disse:

    Só gosto dos dois primeiros filmes. A partir do 3º começa uma queda livre como em uma montanha russa, e vai descendo, descendo, descendo, até chegar ao fundo do poço. Cada continuação uma pior que a outra. Eu acho que Hellraiser já deu o que tinha que dar. Pode até ser que exista a possibilidade de algum dia nos entregarem algo como no primeiro filme, mas do jeito que as coisas vão não tenho mais esperança nenhuma. Já deu.

  2. André Coletti disse:

    Eu gosto muito desse Hellraiser Inferno, particularmente acho uma das melhores continuações. Não sabia dessa história da produção, mas achei que por ter sido adaptado de um enredo nada a ver, ficou bastante convincente. Gosto sobretudo por ser um filme sério e explorar a loucura e a paranóia, coisas que acho terem tudo a ver com a situação de ter tido contato com os cenobitas. Resumindo, esse Inferno não me causou vergonha alheia e tristeza como todas as outras sequências fizeram.

  3. Acho que nem um reboot de Hellraiser funcionaria hoje em dia. Com essa mania escrota dos estúdios de só fazer terrorzinhos teens PG-13, toda a glória da carnificina original se perderia.

  4. […] porque no mesmo caso do anterior, Hellraiser: Inferno, a trama originalmente não era de um filme da franquia. Era uma história qualquer comprada pela […]

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