715 – Revelação (2000)

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What Lies Beneath


2000 / EUA / 130 min / Direção: Robert Zemeckis / Roteiro: Clark Gregg / Produção: Jack Rapke, Steve Starkey, Robert Zemeckis; Steven J. Boyd, Cherylanne Martin (Produtores Associados); Joan Bradshaw, Mark Johnson (Produtores Executivos) / Elenco: Michelle Pfeifer, Harrison Ford, Katharine Towne, Miranda Otto, James Remar, Victoria Bidewell


Baita filme meia-boca esse Revelação, viu. E que ainda tem nome de grupo de pagode… Lembro que lá nos anos 2000 fui ao cinema assisti-lo, e tinha até achado interessante e tal, já que tanto no final dos anos 90 quanto no começo da década em questão, estavam rolando vários filmes nessa pegada sobrenatural, como O Sexto Sentido, Ecos do Além e por aí vai. Mas revendo, ele é fraquinhoooooo….

Mas né, o que esperar de um terror genérico de Robert Zemeckis, com os estreladíssimos Harrison Ford e Michelle Pfeifer no elenco? Aliás, o que foi um baita choque mesmo ao revê-lo é descobrir que o roteirista é um tal de Clark Gregg? Ligou o nome a pessoa? Não? É o Agente Coulson (ou filho de Coul, segundo o Thor). Quem diria que antes do cara virar um Agente da Superintendência Humana de Intervenção Espionagem Logística e Dissuasão ele tinha escrito um thriller de vingancinha sobrenatural?

Fora, que Zemeckis mega quer ser uma wanna be Hitchcock nesse filme. Ele não consegue, claro. Ele é um bom diretor, mas não para esse tipo de produção. Somente a cena da banheira que a personagem de Michelle Pfeifer está dopada por uma droga anestésica que ele consegue se aproximar do mestre. Na real essa cena é bem angustiante e o único bom momento do filme todo, porque de resto ele não assusta, não tem nenhuma cena sobrenatural de impacto e as reviravoltas da trama são risíveis e óbvias.

Aliás Pfeifer, toda linda e loura (e sensual pacas em uma cena de possessão) tem uma excelente interpretação no papel de Claire Spencer, esposa do Dr. Norman Spencer, papel de Ford, uma mulher que parece estar às raias da loucura quando suspeita que tem um fantasma em sua casa. Na primeira metade do filme, entre ela acreditar estar ficando biruta e o espírito começar a se manifestar para valer, a donzela pensa que a morta que está tentando se comunicar com ela é a esposa do vizinho, que acabara de se mudar para dar aula na mesma universidade onde Norman realiza sua pesquisa.

C'mon baby light my fire

C’mon baby light my fire

Mas no final das contas a vizinha estava viva, e ambos só passaram por uma pequena crise conjugal. E falando nisso, o casal Spencer já não anda lá tão bem assim, e depois vamos descobrir que o doutor garanhão andou pulando a cerca com uma aluna obsessiva. Daí vem o segundo plot twist do filme, quando então, fazendo suas investigações, Claire lembra que seu marido teve um caso (sua memória foi afetada após sofrer um acidente de carro que lhe rendeu uma amnésia seletiva) e a moça, chamada Madison Elizabeth Frank (Amber Valletta), estava desparecida.

Bom, Claire descobre que ela está morta e Norman lhe conta uma história furada, que depois mais uma vez, investigando (e que bom que ela nunca tinha absolutamente nada para fazer) – ALERTA DE SPOILER – descobre que o maridão matara a moça quando ela tentou revelar tudo, o que colocaria a carreira, casamento e tudo mais em risco. Já temos três reviravoltas, o que é tipo um recorde. De um longa com elementos sobrenaturais onde o fantasma vai dando dicas para que sua morte seja revelada, transforma-se em um suspense ao melhor estilo Supercine com o maridão psicopata tentando matar a mulher e a mesma fugindo e lutando por sua sobrevivência.

Fora né, que é um filme machista pra caralho, relegando a personagem de Pfeifer a uma “dona de casa”  de luxo, que vive a sombra do marido bonitão, garanhão, gênio, bem sucedido, piloto da Millenium Falcon, arqueólogo aventureiro e caçador de andróides, que fica com as estudantes novinhas, e ela lá, sendo taxada de louca, submissa, trouxa, que abandonou a carreira de musicista, é a típica “esposa perfeita” só para no final, mostrar um pouco de personalidade forte e virar a situação.

Revelação, por ser um filme de terror fácil, com grandes astros de Hollywood, um diretor conhecido, produção de um grande estúdio e pesada campanha de marketing, acabou se tornando um sucesso comercial, e faturou quase 300 milhões de dólares contando bilheteria e home vídeo. Mas é bem fraquinho, clichê, prosaico, só tem uma cena incrível e vale só como passatempo despretensioso, e nada mais que isso.

Michelle #chatiada

Michelle #chatiada


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Luiz Carlos Marcolino disse:

    Parabéns pelo post! Eu li em algum lugar (!) que o Zemeckis fez esse filme com a mesma equipe de filmagem do “Náufrago”. Eles teriam feito esse filme enquanto esperavam o Tom Hanks emagrecer, para filmar e segunda metade do filme.

  2. Paulo disse:

    Eu tinha certeza que colocariam defeito, pois é um dos raros filmes de terror de 2000 com personagens principais cuja faixa etária é de 40 anos pra cima. Se fosse de 25 anos pra baixo, seria “maravilhoso”.

  3. Matheus L. CARVALHO disse:

    Esse filme é legal pra c-!

  4. Diana disse:

    A cena da banheira é realmente boa =)

  5. Não acho que seja tão ruim. Tudo bem que sou um espectador médio, acho que por isso achei bom. Tudo bem que há algumas falhas, algumas pontas soltas, como o fato do acidente mal explorado da protagonista, como já havia lido em outras resenhas, e também como foi que o cara armou todo aquele teatro pra iludir a esposa. Mas enfim, não acho que pq o diretor tenha se inspirado em Hitchcock, ele tinha a obrigação de fazer algo melhor que ele, superá-lo, o que, claro, seria impossível. Mas enfim, acho um filme passável, atuações boazinhas, um bom clima, boa sonoplastia, ambientação e bons movimentos de câmera, o que já foi muito citado em outras resenhas sobre esse filme, fazendo disso, portanto, seu ponto forte. Há clichês do gênero? Talvez. Acho que nesse ponto poderia haver um pouco mais de ousadia, de inventividade. Mas isso passa na minha avaliação: amo o filme, tanto que assistia há muito tempo, nos tempos de Super Cine, e resolvi revê-lo agora. E o pior é que, mesmo inconscientemente, lá no crepúsculo de minha memória, várias passagens dele estavam soterradas. Foi bom trazê-las à superfície: uma luminosa revelação. E dublado, claro, como nos velhos tempos haha 🙂

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