72 – Robot Monster (1953)

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Robot Monster


1953 / EUA / P&B / 66 min / Direção: Phil Tucker / Roteiro: Wyott Ordung / Produção: Phil Tucker; Alan Winston (Produtor Associado); Al Zimbalist (Produtor Executivo) / Elenco: George Nader, Claudia Barrett, Selena Royale, John Mylong, Gregory Moffett


 

Há uma discussão acalorada entre os fãs dos filmes trash qual é o pior filme do mundo. Os louros dessa aclamação dividem-se tanto entre Plano 9 do Espaço Sideral de Ed Wood, Manos: The Hands of Fate de Harold P. Warren e Robot Monster de Phil Tucker. Todos titãs do cinema bagaceira. Mas o meu preferido, questão pessoal, é essa preciosidade aqui.

Não me entenda mal. O filme é um espetáculo. Apesar dele ser trash e ter essa pecha de um dos piores filmes de todos os tempos, para mim ele é muito melhor que sei lá, Waterworld com Kevin Costner ou algum filme do Van Damme, naipe A Colônia, que ele contracena com Denis Rodman.

Robot Monster é impagável. De seu começo ao fim. Desde os créditos iniciais em uma abertura ridícula até sua conclusão, vamos ser brindados com um roteiro estapafúrdio, atuações bisonhas, personagens construídos com a profundidade de um pires, efeitos especiais enfadonhos, e claro, Ro-Man, o terrível alienígena que condenou toda a humanidade à erradicação. Mas calma, vou chegar lá.

No começo da fita o pentelho Johnny está brincando próximo a uma caverna, onde encontra dois arqueólogos, Roy e o Professor, que estão retirando pinturas rupestres das paredes da caverna para levarem ao museu, enquanto o garoto fica ali enchendo o saco. Logo sua mãe e avó o encontram e o levam de volta para um piquenique, convidando os dois estudiosos. Com fogo no rabo, o garotinho escapa da festividade e corre de volta para a caverna, quando de repente, não mais que de repente, uma tempestade elétrica de raios e clarões começa a atingir o local e o menino cai desacordado.

Segurando vela

Robô segura vela

Corte de cena, e em meio a uma cacofonia de barulhos de eletricidade e o piscar intermitente da tela, do nada, aparecem dois répteis gigantes se engalfinhando, um crocodilo com uma barbatana e sei lá, um monstro de gila e depois dois triceratops de stop motion também brigando feio. O que isso tem a ver com a continuidade do filme, só diretor e roteirista sabem. Pois bem, o garoto acorda tempos depois (detalhe primordial que ele desmaiou usando calças compridas e acorda vestindo um shorts) e na caverna ele encontra uma máquina que parece um tape de rolo que solta bolhas e uma outra que parece um monitor.

E então é que o terrível vilão nos é apresentado. Tente segurar o riso, mas Ro-Man, o alienígena implacável é um monstrengo que usa uma fantasia de gorila e um capacete de astronauta com duas longas antenas. Ele então se comunica com o grande líder do seu planeta, que é exatamente igual ao Ro-Man daqui, e confirma para o monarca que a população da terra foi reduzida a zero, graças ao seu mortal raio calcinador (!!!!???). Mas os cálculos de Ro-Man estão errados, pois ainda há sobreviventes no planeta, seis pessoas ao total, e eles precisam ser exterminados.

Ro-Man coitado, toma um baita de um esporro do chefe porque matou bilhões de pessoas, mas deixou escapar esses seis vivos, e começa a sofrer assédio moral do Ro-Man mor para que ele cumpra seu dever e destrua a todos, senão a chapa vai esquentar para seu lado. E esses seis são justamente a família de Johnny, que são os mesmos atores que vimos até então só que com outros papeis. Conseguiu entender? Lógica para quê? É como se fosse uma realidade paralela, onde Johnny e Alice (que outrora era sua mãe) são irmãos, além da pequena Carla, e o Professor é pai de todos eles, junto com a Mãe (esse é o nome da personagem, que era mãe de Alice e avó de Johnny). Roy, continua sendo ajudante do Professor, mas agora um cientista e apaixonado por Alice. Difícil de entender né?

Segue o jogo e brilhantemente descobrimos que a família não sucumbiu ao raio calcinador por conta de um mecanismo que eles implantaram na casa, que desviou os raios e impedem que o Ro-Man os encontre. Mesmo que o local pareça ser relativamente perto da caverna que o gorila robô utiliza como covil, já que várias vezes vemos o garoto indo e voltando de lá. Mas tudo bem. Só que se você achava a história do mecanismo protege-los absurda, depois a situação piora quando é revelado que o motivo deles não serem desintegrados pelo raio mortal é porque o Professor e Roy desenvolveram uma vacina, que todos tomaram, que criou anticorpos capaz de eliminar o efeito do raio. Sim, você leu isso direito. Anticorpos, agentes biológicos, transformaram a família em seres imunes ao calcinador, deixando-os como os últimos sobreviventes da terra.

Comunicação antes da Internet era assim

Comunicação antes da Internet era assim

Daí como se fosse possível, Robot Monster segue ladeira abaixo, com uma trama que deveria levar o Oscar® de melhor roteiro original. Ro-Man vai acabar se apaixonando por Alice, raptando-a no momento mais primoroso de todos os curtos 66 minutos de duração. O pentelho do Johnny sai para azucrinar o Ro-Man, quando Alice e Roy resolvem procurá-lo. Mas do nada, acredite se quiser, eles resolvem parar no arbusto e consumar seu amor! Não, para tudo. E como se isso não bastasse, eles voltam para casa e resolvem se casar, ela com a roupa do corpo e grinalda e ele sem camisa, em uma cerimônia que se chora de tanto dar risada. E então, olhe só isso, eles são dispensados para a lua de mel e vão de novo para o meio do mato para o rala e rola, com se não tivesse um alienígena em seu encalço querendo acabar com a vida deles. É simplesmente antológico.

No final das contas, a lua de mel saiu cara pois Ro-Man assassina Roy e rapta a Alice, começando a manifestar um desejo sexual pela moça, contrariando as ordens do grande líder de destruir todos os terráqueos. Isso não vai acabar bem para o vilão, que por um breve momento quer viver como um humano, e sentir e tudo mais, e acaba sendo destruído como um humano, pelos poderosos raios interestelares do Ro-Man mor que viajam pela galáxia até chegarem na terra.

Ah, detalhe que esqueci de contar o verdadeiro motivo da destruição de toda a vida na terra: é porque aqui era o único planeta habitado da galáxia além do planeta do Ro-Man, e portanto o único que oferecia perigo, já que os humanos estavam se tornando extremamente inteligentes e com suas armas nucleares e foguetes, poderiam querer destruir o planeta deles. Então nada como atacar antes, utilizando o bom e velho lema “atire antes e pergunte depois”.

Depois de Ro-Man ser destruído, mais um tanto de raio, luzes, estouros, estática, mais dinossauros brigando, répteis se enrolando ferozmente e então, eis que Johnny acorda de um sonho! Toda aquela papagaiada não passou de um sonho do moleque. Ou não? Pois no final vemos Ro-Man saindo da caverna e indo em direção da câmera, em uma cena em looping repetida três vezes (!!!???)

Fim. Robot Monster é para ser visto e revisto. Um clássico inquestionável do mais baixo que o cinema conseguiu chegar na história da sétima arte.

Ro-Man pegador

Ro-Man pegador

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando Robot Monster:



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

7 Comentários

  1. […] “pior filme já feito” vem a cabeça, logo pensamos em Plano 9 do Espaço Sideral de Ed Wood ou Robot Monster. Mas vou te contar, O Ataque vem do Polo, para mim está ali pau a pau concorrendo com esses dois. […]

  2. […] e dane-se o que pode acontecer com a raça humana, assim como em O Monstro do Ártico, a podreira Robot Monster e o classudo Vampiro de Almas, por […]

  3. […] os tempos. Coloque aí nessa conta Manos: The Hands of Fate (esse sim para mim é o pior MESMO), Robot Monster, e por aí vai. O fato é que o anti-marketing de Plano 9 do Espaço Sideral é o que lhe rende o […]

  4. […] Leia a minha resenha de Robot Monster aqui. […]

  5. […] do longa, e que tem uma característica música tema da banda The Fibonaccis) e são exibidos Robot Monster, O Ataque Vem do Polo e A Invasão dos Discos Voadores, todos filmecos da […]

  6. […] piores que Palhaços Assassino… Ruindades como Manos: The Hands of Fate, Blood Freak, Robot Monster, O Ataque Vem do Polo e essas tranqueiras feitas pela Asylum Productions direto para TV e DVD, como […]

  7. […] Rei do Crime, Lex Luthor, Nêmesis, Black Ninja, Dr. Destino, Bolo Yeung, T. Bag, Máscara Rubra, Ro-Man Nessa edição tocaram:Bad Boys – Inner CircleWelcome To My Nightmare – Alice […]

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