722 – Jason X (2001)

jasonx

Jason X


2001 / EUA / 91 min / Direção: James Isaac / Roteiro: Todd Farmer / Produção: Noel Cunningham; James Isaac (Coprodutor); Marilyn Stonehouse (Produtor Associado); James Isaac, Sean S. Cunningham (Produtores Executivos) / Elenco: Kane Hodder, Lexa Doig, Jonathan Potts, Lisa Ryder, Dov Tiefenbach, Chuck Campbell, Melyssa Ade, Barna Moricz, Dyla Bierk, Peter Mensah, David Cronenberg


 

Seguinte, Jason X é uma das maiores porcarias já feitas, vergonha alheia de níveis astronômicos (viu o que fiz aqui?) concordo, mas olhe, é melhor do que muitos outros filmes da franquia Sexta-Feira 13 que se levam a sério para cacete.

Jason X nasceu como bagaceira, viveu como bagaceira e morreu como bagaceira. Desde o começo ele é uma paródia de si mesmo, dos slasher movies, dos filmes e séries sci-fi B dos anos 80 e 90. Ele tira um barato com sua própria cara, é ridículo, cheio de situações esculhambadas, clichês vomitados em toda sua duração, CGI porquíssimo, roteiro chinfrim, atuações pavorosas, tem um Jason parrudo cibernético… Mas com mil diabos, essa sempre foi sua intenção!

Muito mais digno e louvável, com momentos devera engraçados de puro ridículo proposital, do que alguns outros longas da longeva cinesérie que realmente achavam que estava arrasando, como as partes 5, 7, 8 e claro, o infame Jason Vai Para o Inferno: A Última Sexta-Feira, aquele que ganha o troféu abacaxi com louvor.

Então é aquele tipo de diversão descompromissada para você assistir com os amigos entre um gole de cerveja e outro, um torresminho ou salame, e rir alto. Só que os defensores do puritanismo cinematográfico não conseguem entender isso. Assim como não conseguem entender A Noiva de Chucky e o O Filho de Chucky, por exemplo. Jason X apenas joga na nossa cara de fã o quanto é tosco e ridículo na verdade um morto-vivo praticamente indestrutível caindo aos pedaços que usa uma máscara de hóquei e mata adolescentes libidinosos em um acampamento que nunca foi fechado pela polícia.

Peraí? Cadê Crystal Lake?

Peraí? Cadê Crystal Lake?

E se o planeta Terra for para o saco e sucumbir a uma hecatombe nuclear, apenas as baratas e Jason sobreviverão! Mais ou menos essa é a moral da história. O serial killer, novamente vivido por Kane Hodder, após matar por volta de DUZENTAS pessoas, finalmente é capturado, só que um conluio de cientistas e militares, liderados por David Cronenberg (até o Rei do Terror Venéreo entrou no modo zueira never ends) querem estudar o incrível poder de regeneração celular de Jason e transformá-lo em uma arma militar.

Claro que dá errado, o cara escapa e acaba sendo colocado em estado de criogenia junto com a Dra. Rowan (Lexa Doig), e ambos são encontrados e reanimados em uma estação espacial mais de 400 anos depois. Jason irá então tocar o terror nos corredores de uma nave das mais toscas possíveis, e voltar a fazer, mesmo no futuro apocalíptico, o que faz de melhor: aumentar a contagem de cadáveres. Mais precisamente 28 (isso sem contar uma estação espacial inteira que explode), recorde para a franquia Sexta-Feira 13.

Coloque nessa conta uma das mais legais mortes da série, que é quando ele pega a cabeça da loirinha Kay (Lisa Ryder), a congela e depois quebra seu rosto em pedacinhos na mesa. Depois disso é o vilão matando gente a rodo com tudo que encontrar pela mente, com seu machete tradicional ou uma versão futurista, até ser completamente destruído por uma androide armada até os dentes e lutadora de artes-marciais.

Dominatrix

Dominatrix

Quando os sobreviventes pensam que o terror finalmente acabou, eis que umas paradas eletrônicas da nave fazem o Jason voltar à vida como um ciborgue todo cafúçu, com novo visual, nova máscara e ainda mais indestrutível do que normalmente. Sério, é absurdamente ridículo. Ainda bem que apenas no terceiro ato ele adquire essa versão Século XXV, que certeza faz os puritanos se contorcerem de raiva e se rasgarem todo.

Um grande momento de Jason X, sem sombra de dúvida, é a simulação de realidade virtual do Acampamento Crystal Lake nos anos 80. Hilário Jason olhando ao redor e encontrando duas campistas promíscuas que querem fazer topless e segundo elas mesmo, estão loucas para praticar sexo pré-nupicial antes de entrarem em um saco de dormir. Gosto assim, quando um filme tem a honra de aloprar a si mesmo e seus pares.

Confesso que quando Jason X foi lançado nos cinemas, eu tive um preconceito cavalar, me recusei a assistir e achava uma afronta a série e ao meu movie maniac preferido. Só depois de muito mais tempo eu assisti em uma das reprises da TV à cabo e entendi que na verdade ele é uma comédia que achincalha os slasher movies, o notável assassino e a própria série, sem se levar a sério desde o primeiro frame. Então, já que essa é a proposta, está valendo. Melhor do que um sujeito que não é o Jason matando gente doida em um hospício, enfrentando uma garota com poderes telecinéticos, viajando de barco para Nova York ou sendo transmitido como uma entidade ao comer seu coração.

Cafúçu cibernético

Cafúçu cibernético


 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Faz muito tempo que eu vi esse filme, se não estou errado, devo ter o VHS dele perdido por aqui. De início achei ele bem fraco, não entendia o porque de dessa racocada, dessa chavrowévers com o Jason. Mas vendo depois acabei me divertindo e adicionei ele naquela lista de filmes que são só pra passar tempo. É o clássico tipo de filme que não vai adicionar nada a tua vida se tu ver e se tu não ver, não tá perdendo nada.

    Tem umas cenas bem toscas, de rachar o bico. Uma coisa legal é ver o Tony Todd, eterno Candyman, bancando o soldado barra pesada confrontando o Jason. E, me crucifique, mas curto esse visual do Über Jason (não sei porque desse nome, mas via muita gente chamando ele assim).

    Por fim, Jason X é 8 ou 80. Ou tu é tolerante o suficiente pra pegar uma gelada, um presunto, um queijinho, azeitona e aperitivos do tipo e se divertir despreocupadamente, ou tu vai ter um puta asco e renegar o filme do Isaac até a morte.

  2. Ramon disse:

    Eu acho o visual do jason metálico maneiro,daria um belo action figure. ..Já o filme, ainda bem que não se leva a sério.obs.: regeneração celular? O fdp tá se decompondo kkk

  3. Eu até entendo o seu ponto de vista, mas para mim esse Jason só é melhor do que o “Jason vai para o Inferno”. Acho que Sexta-Feira 13 tem que ter um clima meio característico que esses dois filmes não tem a meu ver. Fora que com tanta atriz que podia ficar “mais à vontade” nesse filme só a ciborgue e as garotas da simulação é que tiram a roupa – Não que isso seja critério para classificar o filme como bom ou ruim, haja vista que “Jason Vive” não tem cena de nudez e para mim é o melhor depois dos 4 primeiros e que aplica melhor esse conceito de “sarro de si mesmo”. Mal comparando, é como se o VI fosse um filme de Simon Pegg e o X um filme de Didi Mocó.

  4. Papa Emeritus disse:

    Opa, chegando atrasado aqui! (Desculpa, mas o meu trabalho tá me tirando um tempinho).

    Eu vi esse filme NO CINEMA. Sim, você pode estar achando “você é louco”. Mas não, eu tinha que assistir a pelo menos UM filme de Sexta-Feira 13 no cinema (coisa que eu não tinha feito até então). E o escolhido foi…. tchan, tchan… essa gororoba. Hahahahahahaha. Mas confesso que não odiei o filme não. Eu ri em vários momentos. Apenas achei ele um filme fraco, mas nada que me deixasse puto. Aquela cena que o cara tá encostado na parede e o Jason atravessa o facão na parede e ele, e ele diz “vai ter que fazer melhor do que isso pra me matar”. Aí o Jason atravessa um ferro, rsrs, e o cara diz “é, assim é melhor”, cara, eu ri litros com essa cena. rsrs

    O filme é exatamente isso, auto deboche. Não é pra se levar a sério (o próprio filme não se leva a sério).

  5. […] seus planos para o novo Hellraiser, que ele vem trabalhando junto com o o roteirista Todd Farmer (Jason X, Os Mensageiros, Dia dos Namorados Macabro) para a The Weinstein […]

  6. Matheus L. CARVALHO disse:

    O título é legal. JASON X. Melhor do que Friday the 13th Part X. Até porque, o filme não deve se passar na Sexta-Feira 13 – nem os demais, após a Parte 4.

    Bom, já disse e repito:
    A série deveria ter acabado no Capítulo Final. Porque, se pensar bem, do trio de vilões dos slasher – Michael Myers, Jason e Freedy Krueger – Jason era o único que não precisaria voltar tantas vezes – com exceção da Parte 9, uma das melhores – só pra contar corpos e competir com Michael e Freedy.

    JASON X é bizarro. No mau sentido.

    Pelo menos, o remake é legal.

    Falou, meu!

  7. Thiago disse:

    Estava aqui de boa, lendo as críticas sobre a série, quando ligo no SBT e tenho a surpresa de estar passando Jason X!

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