724 – A Mão do Diabo (2001)

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Frailty


2001 / EUA / 100 min / Direção: Bill Paxton / Roteiro: Brent Hanley / Produção: David Blocker, David Kirschner, Corey Sienega; Eberhard Kayser, Mario Ohoven, Michael Ohoven (Coprodutores); Frederick Levy, James Sbardellati (Produtores Associados); Tom Huckabee, Karen Loop, Tom Ortenberg, Michael Paseornek / Elenco: Bill Paxton, Matthew McConaughey, Powers Boothe, Matt O’Leary, Jeremy Sumpter, Luke Askew, Levi Kreis


Gosto bastante de A Mão do Diabo. Principalmente por conta de todo seu subtexto sobre extremismo religioso X loucura psicopata e seus plot twists, que mesmo que não seja a trama mais amarrada do mundo, ainda assim dá um caldo, e claro, seu final… Ah, seu bem da hora final.

Estreia na direção do ator Bill Paxton, que também estrela o mesmo, com roteiro do também novato Brent Hanley (ambos que depois não tiveram lá sucesso nessas funções), A Mão do Diabo é aquele tipo de suspense que emula os ensinamentos de Alfred Hitchcock, com uma pitada de M. Night Shyamalan (que até então tinha emplacado O Sexto Sentido e Corpo Fechado), com um Matthew McConaughey que já mostrava como poderia ser bom ator se não ficasse depois naqueles péssimos papeis em comédias românticas toscas, com uma história bem interessante sobre um serial killer que diz seguir a “vontade de Deus”.

A fita começa com McConaughey entrando na sede do FBI no Texas para contar ao agente especial Wesley Doyle (Powers Boothe) que sabia a verdadeira identidade do assassino conhecido como “A Mão de Deus”, e que ele na verdade é seu irmão. Daí por diante, em forma de flashbacks, vamos conhecer a juventude de Fenton (Matt O’Leary) e Adam Meiks (Jeremy Sumpter), no ano de 1979 (não lembro se essa data é mostrada, mas fica claro na cena em que os jovens estão discutindo se vão assistir no cinema Almôndegas ou Warriors – Os Selvagens da Noite, ambas estreias daquele ano) que moram no interior dos EUA com seu pai mecânico, interpretado por Paxton.

Ó tá aqui escrito. Eu ainda vou ganhar um Oscar.

Ó tá aqui escrito. Eu ainda vou ganhar um Oscar.

Tudo caminha bem até que uma bela noite, o patriarca diz ter recebido a visita de um anjo que lhe incumbiu de uma importantíssima tarefa: caçar demônios que se disfarçam de humanos e estão na Terra para levar a humanidade à danação. Papo de doido fundamentalista religioso, né? Mas o sujeito acredita piamente na missão, assim como seu filho mais novo, Adam. Já Fenton desconfia da sanidade do pai, e a coisa começa a degringolar quando efetivamente a família passa a sequestrar pessoas e assassiná-las friamente, seguindo nomes em uma lista passada pelo tal anjo.

Bom, falar mais sobre A Mâo do Diabo seria entregar spoilers do tamanho de um bonde, então se você ainda não assistiu ao filme, aí vai o famoso ALERTA DE SPOILERS. Pule o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco.

No final da fita, onde sempre pensamos por conta da narrativa que McConaughey é na verdade Fenton, descobrimos que ele é o Adam e que o agente Doyle é um dos “demônios disfarçados” com o nome na lista negra do sujeito, responsável por assassinar a própria mãe. Tudo não passava de uma emboscada das mais mirins que um agente especial do serviço secreto americano não deveria CAIR NUNCA: ir para um campo fechado no meio da noite chuvosa sozinha com um sujeito com uma cara de xarope. Claro que esse foi um subterfúgio de saída simples do roteiro, mas o final é beeeeem bacana, quando se descobre que sim, realmente Adam tem poderes sobrenaturais, uma espécie de clarividência e também a estranha habilidade de fazer as pessoas esquecerem seu rosto e embaralhar fitas de vídeo que tenham captado sua imagem. Sinistro!

Claro que A Mão do Diabo carece de uma experiência maior tanto de Paxton na direção quanto o roteiro de Hanley, fazendo que se torne um bom thriller, mas que poderia, conta do potencial de sua história e atores, ser uma verdadeira obra-prima, ao invés de apostar no fácil e básico. Ainda assim, é uma excelente pedida com uma conclusão deveras interessante.

Segura na mão de Deus e vai...

Segura na mão de Deus, pega o machado e vai…



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

5 Comentários

  1. Matheus L. CARVALHO disse:

    Eu gostei desse filme. Interessante, tenso. E, com final-surpresa.
    Um filme legal.

  2. Alan Rodrigues disse:

    Ótimo filme, uma história excelente! Bill Paxton, Matthew McConaughey e é claro Matt O’ Leary excelente atuações, filmaço e um final surpreendente. Assistir no sbt em 2009 tinha 13 anos, e mesmo achando duro justificar Deus para matar eu gostei e comprei esse mesmo filme e é claro com um olhar mais técnico pude perceber certos erros, mas o filme continua bom como eu achava e como hoje não acredito mas em Deus(e é claro, com uma boa revisão na história) acho um bom motivo dos assassinados a crença religiosa, (SPOILER) só não gostei do Fenton ter morrido! (SPOILER)

    • armando disse:

      Obrigado pelo spoiler da ultima frase seu idiota!!!!!

      • Marcos Brolia Marcos Brolia disse:

        Você sabe ler, por acaso? Você leu esse paragrafo AVISANDO que tinha SPOILER? “Bom, falar mais sobre A Mâo do Diabo seria entregar spoilers do tamanho de um bonde, então se você ainda não assistiu ao filme, aí vai o famoso ALERTA DE SPOILERS. Pule o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco”. Bom, acho que o idiota aqui é outro, no caso…

  3. Rodrigo Ramos Rodrigo Ramos disse:

    Acho que ele se referia ao comentário do cara acima. Que de fato dá um spoiler no final…

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