725 – Olhos Famintos (2001)

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Jeepers Creepers


2001 / EUA / 90 min / Direção: Victor Salva / Roteiro: Victor Salva / Produção: Tom Luse, Barry Opper; J. Todd Harris (Coprodutor); Francis Ford Coppola, Willi Bär, Eberhard Kayser, Mario Ohoven, Linda Reisman (Produtor Executivo) / Elenco: Gina Philips, Justin Long, Jonathan Breck, Patricia Belcher, Brandon Smith, Eileen Brennan


Lá no final de 2001 quando Olhos Famintos chegou ao cinema no Brasil, apesar da pesada campanha de marketing na TV e rádios, principalmente dando destaque (óbvio) ao nome de Francis Ford Coppola na produção, eu não tinha dado lá muita bola. Foi com o boca a boca de alguns amigos e de meu primo que fiquei interessado pela fita, ainda mais quando me passaram a seguinte resenha: “parece uma mistura de história do Stephen King com episódio do Arquivo X”.

Na verdade, dada suas devidas proporções, Olhos Famintos é mais ou menos isso, sim. Ele é um interessantíssimo filme na verdade, com toda uma pegada de filmes dos anos 80 e 90, que tinha a clara intenção de criar um novo movie maniac, mais um desses vilões inesquecíveis do cinema de horror, e ele tinha tudo para tal: a motivação, o visual, seu histórico. Seria o primeiro do novo século!

O Creeper, como ele ficou conhecido, de fato ganhou notoriedade e tem lá seu espacinho no panteão do terror, principalmente para toda uma nova geração que não cresceu com a influência factual de Freddy, Jason, Chucky, Leatherface, Michael Myers e Pinhead. Mas nada próximo da ambição de todos os envolvidos, e digo isso muito mais pela capacidade de não ter conseguido montar uma franquia, principalmente pela péssima segunda parte, e também por todos os pés atrás do mundo com o diretor e roteirista Victor Salva.

Versão "Aquático" do He-Man

Versão “Aquático” do He-Man

Para quem não liga o nome a pessoa, Salva era um dos futuros promissores lá no final dos anos 80, descoberto por Coppola e dirigido Palhaço Assassino, porém acabou preso acusado de pedofilia após molestar sexualmente um dos atores mirim do filme. O sujeito passou um ano no xilindró, sua carreira degringolou, ele acabou voltando aos poucos para o mercado, dirigindo um filme para a Disney (???!!!) em 1995 chamado Energia Pura, e estava praticamente no ostracismo até Olhos Famintos.

Isso porque o filme foi um verdadeiro hit naquele ano faturando quase 60 milhões de dólares no mundo todo (contra um orçamento de 10 milhões) e mais de 15 milhões só em seu primeiro final de semana, sendo a maior bilheteria de estreia de um filme no feriado americano de Labor’s Day naqueles tempos, sendo quebrado somente pela sua própria sequência em 2003. Como disse, justificado pela trama, pela figura do Creeper e claro, tendo Coppola como godfather.

Os irmãos Trish e Darry (Gina Philips e Justin Long) estão em uma road trip pelo interior do Nebraska para visitar sua família, quando são assediados por um misterioso caminhão que encontrão mais tarde estacionado em frente a uma igreja. Os dois decidem investigar quando descobrem uma centena de corpos costurados pela parede e teto do porão.

Ao conseguirem escapar do local, eles procuram as autoridades locais e descobrem, por meio de uma senhora clarividente chamada Jezelle (Patricia Belcher), que eles estão sendo perseguidos por uma antiga criatura, uma espécie de demônio mutante alado, com a aparência de um espantalho, que se alimenta de órgãos humanos para manter sua imortalidade, e precisa caçar suas presas a cada 23 anos.

Irmãos coragem

Irmãos coragem

O Creeper, interpretado por Jonathan Breck, está sob pesada – e excelente –maquiagem, supervisionada por Brian Penikas, o mesmo de A Hora de Pesadelo 3 – O Guerreiro dos Sonhos, A Família Adams, Stigmata, e mais recentemente, Piratas do Caribe, Jogos Vorazes, Guardiões da Galáxia e Interestelar. A trama, escrita por Salva, também se desenvolve muito bem, até lembrando sim aquela pegada que me explicaram da fita: a mistura de Stephen King com Arquivo X, e o terceiro ato, com os jovens e toda a força policial presos em uma delegacia escura, é cheia de suspense, até sua conclusão bem das pessimistas.

Outro ponto interessantíssimo é a questão musical. O título original, Jeepers Creepers surgiu inspirado pelo jazz de Louis Armstrong de mesmo nome, feito para o filme Coragem a Muque, de 1938. A canção foi composta pelo personagem de Armstrong para um cavalo (???!!!). “Jeepers Creepers” é na verdade uma gíria, blasfêmia eufemística para Jesus Cristo. E na fita toda vez que a música tocasse, era para se tomar cuidado (independente da versão, uma vez que ela ganhou diversos covers durante o passar dos anos) porque significa que o Creeper está por perto.

Pois bem, Olhos Famintos (mas sério, de onde tiraram esse título em português, uma vez que não faço ideia como olhos podem sentir fome, mas beleza…) podia realmente ter gerado um icônico movie maniac, até pela qualidade do filme e do personagem, mas acredito que como disse, sua continuação tenha atrapalhado o processo. Mas para os fãs do Creeper, a boa notícia é que o terceiro filme da trilogia foi anunciado durante o Festival de Toronto desse ano, trazendo Salva e Coppola novamente como diretor, roteirista e produtor. É aguardar ser algo mais próximo do primeiro que do segundo.

French kiss

French kiss



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Matheus L. CARVALHO disse:

    Esse filme me assustou pra c- na primeira vez que o vi!
    Ainda hoje, me choca, mas, mesmo assim, é um dos filmes mais originais do novo século. Uma pena que não existem mais filmes com esse nível de originalidade e horror.

    Concorda, Marcão?

    Abraço!

  2. joaoprs disse:

    Eu gosto MUITO desse filme!

    Acho que existem tantas coisas implícitas na trama…

    Penso que esse filme e esse vilão são um tipo torto de autoanalise do diretor/roteirista.

    Chefe, você acha que Creeper é o primeiro “monstro” gay do cinema?

    • Marcos Brolia Marcos Brolia disse:

      Olha João, acho que ele é bi, e não gay. Lésbicas e bi já vimos bastante, principalmente nos filmes de vampiras. Bom, se serve, O Monstro do Armário talvez fosse o primeiro monstro gay, mas zueira porque é Troma, né?

      Cara, também acho que tem muita coisa implícita. Principalmente no segundo filme, aquele dos estudantes presos no ônibus no milharal, aquela cena do Creeper lambendo a janela, certeza que é bem isso que você falou, da autoanalise do Salva. Dá até certo asco, sabendo de seu passado pedófilo.

      Valeu pelo comentário.

      Abs

      Marcos

      • joaoprs disse:

        Esqueci do monstro do armário (adoro!!! Kkk). Vacilo.

        As vampiras eu lembrei da Catherine Deneuve e Susan Sarandon, belíssimas!

        Chefe, você é um guru dos amantes do terror!

        Gostei bastante desse novo formato do projeto. Reinventar-se é lei! Antes eu acompanhava as resenhas aqui e as notícias em outro site – onde os textos não tem o borogodó cômico que encontro aqui- mas agora só me “alimento” aqui!

        Abraço!

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