728 – Perseguição (2001)

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Joy Ride


2001 / EUA / 97 min / Direção: John Dahl / Roteiro: Clay Tarver, J.J. Abrams / Produção: J.J. Abrams, Chris Moore; W. Mark Milchan (Produtor Associado); Jeffrey Downer, Bridget Johnson, Patrick Markey, Arnon Milchan (Produtores Executivos) / Elenco: Steve Zahn, Paul Walker, Leelee Sobieski, Jessica Bowman, Brian Leckner, Matthew Kimbourgh, Ted Levine


Lembro quando assistir Perseguição pela primeira vez e tinha achado um filme bem dos bacanas, com toda aquela pegada de um thriller com road movie, que me lembrou na lata o clássico das reprises da madrugada, Encurralado de Steven Spielberg, mais A Morte Pede Carona e Corrida com o Diabo. Eis que depois de muitos anos ao revê-lo para esta humilde resenha, minha maior surpresa foi o nome do roteirista e produtor do longa: J. J. Abrams.

Sim, bem antes de Lost, Alias, de renovar as franquias de Star Trek e Missão: Impossível e ser o escolhido para a ultra esperada catarse coletiva chamada Star Wars Episódio VII, o rapaz escreveu e produziu esse suspense redondinho, estrelado por Steve Zahn e também um Paul Walker desconhecido, que atuara há poucos meses em um tal filme de carros tunados chamado Velozes e Furiosos.

Walker interpreta Lewis, sujeito que resolve voltar para a casa durante as férias de verão e resolve dar carona para sua ex-paixonite de colégio e vizinha, Venna (vivida pela Leelee Sobieski com sua peculiar beleza excêntrica). Só que durante a viagem ele descobre que seu irmão mais velho, Fuller (Zahn) fora preso e tem de passar no xilindró para pagar a fiança do mano e também lhe dar uma carona.

No meio da viagem pelos desertos e planícies dos EUA, Fuller compra um rádio transmissor amador e instala no carro recém-adquirido que Lewis comprou só pelo rabo de saia. Eles acabam por sintonizar um sujeito que tem a meiga alcunha de Rusty Nail, ou Prego Enferrujado em bom português, com a voz cavernosa de Ted Levine, o eterno Buffalo Bill de O Silêncio dos Inocentes, e decidem pregar um trote com o caminhoneiro.

Vai dar farol alto na mãe!

Vai dar farol alto na mãe!

Lewis passa a imitar voz de mulher, delicadamente apelidada de Candy Cane (Pirulito) e marca um date com o viajante solitário fã de Sula Miranda e Gaúcho da Fronteira em um motel de beira de estrada, para aproveitar e sacanear um republicano xenófobo folgado que esculhambou o atendente do estabelecimento e ainda foi folgado com Fuller. A pegadinha termina com Rusty colocando o cara em coma com o maxilar todo quebrado na porrada.

Bom, a brincadeira foi de mau gosto, mas os irmãos nunca imaginariam que estavam lidando com um verdadeiro psicopata, que ficou #chateado com a zoação e resolve transformar a vida dos dois no inferno, perseguindo-os pelas estradas com seu Fenemê, arrebentando seu carro, os chantageando, sequestrando Venna e sua colega de quarto da facul e fazendo ambos comer o pão que o diabo amassou.

Claramente vê-se toda a influência de Spielberg na construção da fita, e o diretor John Dahl consegue manter o nível de suspense e adrenalina lá no alto, o que um bom filme de perseguição em estradas pede em sua cartilha. Outro detalhe dos mais bacanas é que nunca vemos claramente a fisionomia de Rusty Nail, sempre visto de relance e encoberto pelas sombras, mas a impressão é que dá é que o sujeito ou é deformado, ou feio para burro, e que além de psicótico, tem a autoestima mais baixa do que sola de sapato de anão, por isso resolve dar um corretivo nos irmãos zueiros pelo bullying. Mas ele é parrudão, isso nós sabemos com certeza. Levine faz só sua voz, colocada apenas na pós-produção, enquanto Matthew Kimbrough o interpreta fisicamente.

Perseguição é um bom thriller da temática “psicopata na estrada”, com um ótimo ritmo, direções e atuações na medida sem comprometer e boa dose de suspense, além de um final “feliz” mas pessimista, se você entende o que eu digo. Recomendado para um programa cinematográfico sem muitas pretensões, para os fãs de Abrams e para os saudosos do Paul Walker que nos deixou em um irônico acidente de carro em 2013.

Já pintei no pára-choque Um coração e o nome dela

Já pintei no pára-choque um coração e o nome dela!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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