730 – Bubba Ho-Tep (2002)

bubba-ho-tep-2002-poster

Bubba Ho-Tep


2002 / EUA / 92 min / Direção: Don Coscarelli / Roteiro: Don Coscarelli (baseado no conto de Joe R. Lansdale) / Produção: Don Coscarelli, Jason R. Savage / Elenco: Bruce Campbell, Ossie Davis, Ella Joyce, Heidi Marnhout, Bob Ivy


Olha, confesso que tenho lá minhas restrições com Don Coscarelli. Eu não gosto tanto de Fantasma como muita gente por aí, e tampouco quanto deveria, e acho John Morre no Final miseravelmente ruim e chato. Claro que respeito sua fibra e a carreira completamente independente e DYI que construiu no cinema de gênero.

Agora Bubba Ho-Tep é deliciosamente divertido! E não poderia ser diferente, sendo protagonizado por Bruce Campbell fazendo o papel de Elvis Presley! Mas não pense que ele se passa antes da morte do Rei do Rock, não. Sua trama se desenvolve nos dias atuais, e como dizem por aí: Elvis não morreu! Ele está internado em um asilo no interior do Texas, vivinho da silva.

Na real, o roteiro nonsense de Coscarelii, baseado no conto de Joe R. Lansdale elucida que o cantor, cansado da fama, da falsidade dos amigos, do vício e da relação fria com sua esposa Priscilla, procurou seu mais proeminente imitador, Sebastian Haff, e trocou de lugar com ele. Então aquele que bateu as botas foi o sósia, e Elvis vivia sua carreira como imitador, em uma vida simples, até que em uma queda do palco, fraturou o quadril e passou sua velhice naquele asilo deprimente.

Dupla do barulho!

Dupla do barulho!

Mas as aventuras de Elvis, the Pelvis não terminaram, pois ele descobre que uma múmia egípcia, isso mesmo, UMA MÚMIA, que aparecera por lá após seu sarcófago ter se perdido quando o ônibus que a levava para uma turnê de exibição pelo estado cair em um rio, está sugando as almas dos idosos do local (pelo orifício anal, diga-se de passagem) para manter sua vida eterna.

Aliás, como o próprio filme explica didaticamente em sua introdução, o nome Bubba Ho-Tep vem da junção de Ho-Tep, descendente de uma das 17 dinastias do Egito, que viveu entre 3100 e 1550 A.C., e sobrenome de um faraó egípcio, e Bubba é o apelido pejorativo do homem do sul dos EUA, branco, caipira redneck e morador de trailer.

E o nível de bizarrice só aumenta, quando o aliado na luta de Elvis contra a múmia é ninguém menos que o ex-presidente JFK. Outro que deveria estar morto, certo? Mas nada disso, em uma trama conspiratória, ele foi levado de Dallas, transformado em um negro (!!!???) e a parte do seu cérebro que fora arrebentada pelo tiro de Lee Havery Oswald, foi substituída por areia. E olhe que no conto ainda há uma velha paciente que jura ser John Dillinger, que sofreu uma operação de mudança de sexo, mas que não foi utilizada nas telas.

Múmia sulista!

Múmia sulista!

Bubba Ho-Tep uma tosqueira só, obviamente, que conta com uma múmia que usa chapéu e escaravelhos gigantes propositadamente ridículos. Mas o filme mesmo é de Campbell, mostrando como o cara é um PUTA ATOR e seu timing para a comédia é impressionante. Fora claro, a certa semelhança física dele com Elvis, todos seus trejeitos, seus solilóquios sobre seu drama pessoal de estar esquecido em um asilo, as brigas com Priscilla, o abandono de sua filha e um tumor na cabeça do pau que ele carrega. A maquiagem envelhecendo o eterno Ash para transformá-lo no Rei, que está perfeita, foi obra do sempre fodástico Robert Kurtzman, o K da KNB EFX Group.

Aliás, o mais importante grupo de FX do cinema de terror (e que, por conseguinte, deve ser o mais caro), topou fazer os efeitos de maquiagem apenas pelo custo dos equipamentos, para você ver a importância de Coscarelli para o gênero e todo seu ardor febril independente do cinema de baixo orçamento. O budget ridículo foi de um milhão de dólares, nenhuma música do Elvis é tocada e nenhuma cena de seus filmes exibidas na televisão, pois isso custaria praticamente a metade do orçamento só para seu licenciamento. E apenas 32 cópias do filme foram feitas, com a sua promoção toda feita pé na estrada, na raça por Coscarelli, com a ajuda de Campbell.

Bubba Ho-Tep é redondinho, caricato, divertido e prova que o diretor realmente manja daquilo que faz, e depois de exibido nos festivais e lançado em DVD pela MGM, ele logo ganhou essa aura de filme cult e indie que carrega até hoje, com toda a razão.

Kung-fu King!

Kung-fu King!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Papa Emeritus disse:

    Filme super divertido. Botar Elvis como protagonista, e interpretado por Bruce Campbell (que faz os trejeitos do Rei muito bem), numa história que se passa DEPOIS da suposta morte do cantor… hahahaha, muito bom. E melhor, enfrentando uma múmia. rsrs

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: