731 – Cabana do Inferno (2002)

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Cabin Fever


2002 / EUA / 93 min / Direção: Eli Roth / Roteiro: Eli Roth, Randy Pearlstein / Produção: Evan Astrowsky, Sam Froelich, Lauren Moews, Eli Roth; Jeffrey D. Hoffman (Coprodutores Executivos); Susan Jackson (Produtora Executiva) / Roteiro: Rider Strong, Jordan Ladd, James DeBello, Carine Vincent, Joey Kern, Arie Verveen, Robert Harris


Meados dos anos 2000 era uma época em que eu acompanhava muito os fóruns de filmes de terror na Internet, a comunidade “Trash, Terror e Gore em Geral” no Orkut e lia compulsivamente o Boca do Inferno, com suas notícias e críticas. Foi um período também, que com o uso do emule, baixava diversos filmes que conhecia nesses espaços cibernéticos, onde demorava dias nessa tarefa, menos que o tempo que levava para chegar aqui no Brasil, isso quando eles eram lançados.

Ainda havia a tarefa hercúlea de embutir a legenda e gravá-los em DVD para assistir no meu DVD player (sempre odiei ver filmes no computador), que não era boiada como hoje em dia também. Dois dos longas mais emblemáticos desse período pirateiro e que parecia que nunca chegaria ao Brasil foi a refilmagem de O Massacre da Serra Elétrica (quem lembra o drama que a Europa Filmes fez para estrear o filme nos cinemas com seus adiamentos infinitos?) e esse Cabana do Inferno, que tinha gerado um hype absurdo (antes mesmo da palavra cair na moda) por conta da dose cavalar de violência e gore, que colocou um nome nos holofotes, a ser observado: Eli Roth.

Acho que Cabana do Inferno para mim foi um pouco prejudicado exatamente por esse buzz (antes mesmo da palavra buzz cair na moda) por essa expectativa. Eu realmente esperava um filme completamente diferente, sem todo o toque de humor negro, escracho e situações e personagens caricatos. Hoje em dia, a gente tá ligado que essa é uma marca registrada de Roth, mas não naqueles tempos. Esperava um filme sério, tenebroso, angustiante. Confesso que acabei gostando mais dele em uma segunda ou terceira revisitada, do que da primeira vez que o vi.

Só estourei uma espinha no rosto...

Só estourei uma espinha no rosto…

Fato é que realmente os pontos altos são exatamente a selvageria e o gore, e o ponto baixo, o humor forçado que certas vezes funciona, e outras não (leia-se o policial chapado tarado por festinhas ou o moleque loirinho de mullets que luta caratê e morde as pessoas). Claro que não poderíamos esperar nada diferente de um produto com efeitos especiais e maquiagem entregues pela KNB EFX de Kurtzman, Berger e Nicotero. E o tema da fita é extremamente propício a isso: um vírus que corrói a pele humana.

Um banho de sangue e nojeira com direito a necrose cutânea, escaras, feridas pustulentas e outras selvagerias como assassinatos violentos com tiros ou pauladas e um cachorro com raiva estraçalhando uma garota, será o futuro de um grupo propositalmente clichê de cinco jovens universitários que irão passar o final de semana em uma propositalmente clichê cabana rústica no meio da floresta. Logo no começo, um vagabundo encontra seu cachorro morto e acaba contraindo o tal do vírus hemorrágico.

Ao atacar os jovens em um surto misto de loucura e de necessidade de auxílio, ele é queimado vivo e acaba por cair em um riacho, que promove o abastecimento de água na região, o que irá infectar todo mundo que beber o líquido. Instala-se um clima de paranoia entre os jovens, gerando uma boa e velha febre da cabana (daí o título original, uma vez que não há absolutamente nada de infernal naquele casebre de madeira), jogando-os um contra os outros, além dos demais locais ao descobrirem o surto de infecção, obrigando-os a lutar por suas vidas.

Depilação oldschool

A primeira faz tchan…

É absolutamente perceptível a influência de Sam Raimi e Peter Jackson (que adorou o filme e o exibiu três vezes para sua equipe enquanto rodava O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei) com seus splatsticks Uma Noite Alucinante (a mais óbvia) e Fome Animal. Roth tenta, de sua forma, atualizar os trejeitos desses dois clássicos escatológicos do splatter com humor, digamos assim, para uma nova geração, metendo suas piadinhas sexuais ou de duplo sentido, como o lance da arma para os “crioulos” que o sulista republicano white trash guarda em sua mercearia, e que vira uma excelente gag logo no final da fita.

Fato é que Cabana do Inferno catapultou o nome de Roth e chamou a atenção de Quentin Tarantino, que virou parça do diretor, produziu seu próximo filme, o suprassumo do torture porn, O Albergue, o colocou para dirigir um dos falsos trailers de Grindhouse e lhe deu o papel do emblemático Antonio MAR-GHE-RI-TI em Bastardos Inglórios. E todos os seus filmes são recheados de influências do ponto de vista de um verdadeiro fã do cinema de horror, como o controverso Canibais (que finalmente estreou nos EUA na semana passada) e seu resgate do ciclo italiano de canibais, Bata Antes de Entrar (que teve estreia adiada aqui no Brasil), e sua pegada Atração Fatal e o vindouro Meg, com seu tubarão megalodonte gigante, sua empreitada no eco-horror.

Cabana do Inferno foi o menor orçamento de um filme da Lions Gate lançado em 2003 (1,5 milhões de dólares) e sua maior bilheteria (22 milhões), e o mais rentável filme de terror daquele ano. Gerou uma continuação, que confesso não ter assistido, e recentemente foi anunciado um remake (mas hein, um filme com apenas 13 anos de lançamento já rendendo refilmagem?), onde Roth será produtor executivo.

nijni

Passa um hidratante aí…



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] que sempre abusa do humor negro camp em seus longas de temática pesadíssima, como já o fizera em Cabana do Inferno e O Albergue. Muita gente torce o nariz, mas eu acho até de certa forma, saudável para quebrar um […]

  2. […] e tinham tido uma excelente experiência com Roth, que havia dirigido anteriormente para eles Cabana do Inferno (lançado diretamente em DVD por aqui), um filme gore e com pitadas de humor negro à lá […]

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