734 – Dog Soldiers – Cães de Caça (2002)

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Dog Soldiers


2002 / Reino Unido, Luxemburgo, EUA / 105 min / Direção: Neil Marshall / Roteiro: Neil Marshall / Produção: David E. Allen, Christopher Flagg, Tom Reeve; Keith Bell, Brian O’Toole (Coprodutores); Caroline Waldron (Produtora Associada); Vic Bateman, Harmon Kaslow, Romain Schroeder (Produtores Executivos) / Elenco: Sean Pertwee, Kevin McKidd, Emma Cleasby, Lian Cunningham, Thomas Lockyer, Darren Morfitt


Dog Soldiers – Cães de Caça é o melhor filme de lobisomem desde os tempos áureos dos filmes de lobisomem nos anos 80, e ponto. Para ser mais sincero, talvez desde A Hora do Lobisomem, baseado no livro de Stephen King, que sucedeu os clássicos Um Lobisomem Americano em Londres e Grito de Horror, os suprassumos do gênero.

Isso se deve muito pela forma como Neil Marshall conduziu o longa, misturando elementos de horror com ação, muito na pegada câmera na mão que dá aquele toque de cinema de guerrilha, um excelente time de atores britânicos, e acima de tudo a escolha, acertadíssima de não utilizar CGI para a criação dos lobisomens. Como nos bons e velhos tempos, afinal sabemos os resultados desastrosos de lincatropos construídos por efeitos digitais, desde Um Lobisomem Americano em Paris, passando pela saga Underworld e até mesmo o contemporâneo francês O Pacto dos Lobos.

Os envolvidos acreditavam no exagero e saturação do CGI no gênero (isso em 2002, imagine hoje em dia…) e preferiram efeitos práticos, usando animatrônicos e fantasias com pernas de pau (para aumentar o tamanho das criaturas). Os efeitos de maquiagem foram supervisionados por Dave Bonneywell, o mesmo de O Enigma do Horizonte, O Filho de Chucky, Extermínio 2, Rei Arthur, Alexandre, Fúria de Titã e Hellboy II: O Exército Dourado. Já os animatrôncios ficaram a cargo de Richard Darwin de Hellraiser III – Inferno na Terra, Alien vs. Predador, Harry Potter e O Enigma do Príncipe, Planeta dos Macacos: A Origem, O Guia do Mochileiro das Galáxias e Missão Impossível – Protocolo Fantasma.

Outros dois pontos que devem-se salientar é a presença constate de humor negro com requintes do humor britânico (sem dúvida a melhor sacada é o “there is no Spoon” referência clara a Matrix, quando o soldado Spoon é morto), e claro, o gore, muito gore. Afinal, é a droga de um filme de lobisomem, então queremos ver o monstro que se transforma na lua cheia destroçando as pessoas com suas garras, arrancando nacos de carnes e vísceras com suas dentadas, sangue jorrando aos borbotões e por aí vai. É uma verdadeira sessão de sangreira desmedida toda vez que os meio homens, meio lobos, atacam algum membro do exército inglês.

Engole chumbo, Lobão!

Engole chumbo, Lobão!

Na verdade essa mistura com filme de guerra, e as incontáveis referência e homenagens ao filme Zulu de 1964 (onde soldados ingleses têm de enfrentar um bando de guerreiros zulus em maior número), se dá por conta da trama, onde um grupo do exército britânico está em treinamento nas florestas inóspitas da Escócia, e passam a ser atacados por uma alcateia de lobisomens, obrigados a se refugiar em uma casa, junto de uma bióloga que se mudou para o local para estudar as criaturas, e lutar por suas vidas, enquanto a munição vai diminuindo e o dia não nasce.

Rever Dog Soldiers é interessante por você sacar quantos rostos conhecidos hoje em dia, principalmente dos fãs de séries de TV, estão no elenco. Começamos pelo líder da equipe, o Sargento Wells, vivido por Sean Pertwee, que hoje faz o papel do mordomo Alfred na série Gotham. Depois temos o mocinho do longa, Kevin McKidd, que se tornou o Dr. Owen Hunt de Grey’s Anatomy. Por fim, o antagonista humano, Capitão Ryan, líder da equipe de forças especiais que pretendia capturar e estudar os lobisomens para usá-los como arma de guerra e colocou todo o time do Sgt Wells em perigo como dispensáveis, que é interpretado por Liam Cunningham, o Davos Seaworth, o Cavaleiro das Cebolas de Game of Thrones.

Aliás, o ritmo frenético que Marshall imprime nas batalhas contra os monstrengos e principalmente na investida final à casa, quando todo o filme converge para a hora do “lobo beber água” é sensacional, e deixa o nível de adrenalina lá no alto, o que se tornou até certo ponto uma marca do diretor, inclusive nos seus próximos longas, o espetacular Abismo do Medo e Juízo Final. Pena que depois ele ficou um bom tempo sem fazer nada para o cinema, focando seu trabalho na televisão, dirigindo episódios de Game of Thrones, Constantine e Hannibal. Só neste ano que ele dirigirá um dos segmentos da antologia Tales of Halloween e é cogitado como diretor de Skull Island: Blood of the Kong, nova versão de King Kong para a Universal.

Dog Soldiers – Cães de Caça é um daqueles filmes até subestimados, mas que com certeza, está no top cinco dos melhores filmes de lobisomem de todos os tempos. Para os fãs da criatura peluda que uiva para a lua cheia, é um prato cheio!

There is no spoon!

There is no spoon!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Papa Emeritus disse:

    Esse filme é muito bom. Pena que o tema “Lobisomem” não é mais abordado de forma decente nos dias de hoje. Teve um filme espanhol em 2011 chamado Lobos de Arga que até que achei legal, mas nada sensacional.

  2. Tonino disse:

    Realmente filmes de lobisomens – bons- estão em falta no mercado cinematográfico.

  3. Amyr Leão disse:

    O fato desse filme se utilizar de humor negro em seu final é uma das coisas mais fantásticas e legais que já vi na vida.

  4. […] Marshall (que antes já havia feito o ótimo filme de lobisomens Dog Soldiers – Cães de Caça) é brilhante por trabalhar em Abismo do Medo alguns dos piores medos do ser humano: lugares […]

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