737 – Halloween – Ressurreição (2002)

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Halloween: Resurrection


2002 / EUA / 94 min / Direção: Rick Rosenthal / Roteiro: Larry Brand, Sean Hood / Produção: Paul Freeman; Malek Akkad (Coprodutor); H. Daniel Gross, Louis Spiegler, Bob Weinstein, Harvey Weinstein (Coprodutores Executivos); Moustapha Akkad, Ralph Rieckermann (Produtores Executivos) / Elenco: Jamie Lee Curtis, Brad Loree, Busta Rhymes, Bianca Kajlich, Sean Patrick Thomas, Daisy McCrackin, Katee Sackhoff


Bem, disputar qual é a pior sequência de Halloween (oficial, sem contar as cometidas pelo roqueiro metido a diretor, Rob Zombie, que ganha de forma hors concours) é como briga de foice no escuro, mas acho que Halloween – Ressureição é o pior de todos, definitivamente. E olha que tem uma parte 5 e 6 aí que é dureza de aguentar.

O grande problema dessa nova aparição de Michael Myers nas telonas é obviamente, o oportunismo de todos os envolvidos. Do bom e velho Sr. Caça-Níquel da franquia, o produtor executivo Moustapha Akkad e os irmãos Weinstein da Dimension Films/ Miramax, que querem continuar capitalizando com o serial killer mascarado ad infinitum.

Depois de uma porrada de sequências malfadadas e devidamente ignoradas na cronologia da franquia (que só considerava Halloween – A Noite do Terror e Halloween 2 – O Pesadelo Continua), Myers voltou à ativa no decente Halloween H20 – 20 Anos Depois, cuja ideia era exatamente resgatar a personagem de Jamie Lee Curtis, a eterna Laurie Strode, e atualizar a cinesérie para uma nova leva de fãs adolescentes, vindo na rabeira do sucesso de Pânico.

Mas (sempre tem um…) inventaram mais uma continuação, que é esse aborto da natureza chamado de Halloween – Ressureição, que deveria ser um curta metragem apenas com a cena em que Laurie está internada em um hospício, após descobrir que decapitara acidentalmente um policial, pai de família, no final de H20, uma vez que o sacana do Myers colocou a máscara no pobre diabo que teve a cabeça separada do corpo. Aliás, vale lembrar que Curtis só topou participar disso aqui para ter a certeza absoluta, em contrato, que Strode não voltaria em outra sequência.

Filma eu!

Filma eu!

Depois que o vilão finalmente mata sua irmã, nos primeiros únicos 15 minutos aproveitáveis do longa, a coisa descamba para uma sequência de erros vergonhosa, colocando um grupo dentro de um reality show (vamos lembrar que estamos no começo dos anos 2000, quando esse estilo de programa televisivo tinha se tornado uma febre, incluindo aqui no Brasil com a chegada de Casa dos Artistas e Big Brother Brasil na TV aberta), que se passará na noite de Dia das Bruxas, dentro da antiga casa dos Myers em Haddonfield.

Pega que o produtor do programa é o Busta Rhymes, que também sabe lutar caratê e dá uns roundhouse kick em Michael Myers! Precisa falar mais alguma cosia? Claro que precisa, uma vez que todos os atores são os mais péssimos e amadores possíveis, a casa dos Myers de um sobrado no subúrbio de Illinois parece ter as dimensões de um enorme casarão gótico vitoriano por dentro (com direito a masmorras e passagens secretas que dão para um túnel subterrâneo), o programa deve ter sido o mais flopado da história, uma vez que só parece que um grupo de adolescentes babacas está assistindo em uma festa e a galera está sendo assassinadas em frente às câmeras e nunca, nenhuma polícia chega ao local. Fora que as mortes já não causam nenhum impacto, nessa altura do campeonato.

Apesar de beeeeeem lá no subtexto manter uma espécie de crítica velada aos reality shows, a busca pelo sucesso instantâneo, que geraram no futuro uma cacetada de ex-BBBs e celebridades de Internet, por exemplo, e ao sensacionalismo e manipulação da mídia em busca de audiência, nada disso se sustenta, diferente, por exemplo, de outro filme do mesmo período com uma temática parecida, O Olho que Tudo Vê (falarei mais sobre em seu respectivo post). Isso porque todas as fórmulas tanto do slasher tradicional dos anos 80, e do slasher 2.0, aqueles filhos de Wes Craven e Kevin Williamson, já estavam completamente saturadas, e ver Myers na ativa de novo (e a própria Jamie Lee Curtis), em um longa tão fraco, é realmente deprimente.

Mas se Halloween – Ressureição teve uma utilidade nessa vida, foi de enterrar de vez a franquia, e parar de explorar as sequências infindáveis do clássico que John Carpenter concebera lá no longínquo ano de 1978. Isso até Rob Zombie aparecer na brincadeira…

Amor fraternal! <3

Amor fraternal! <3



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. studiomarvin disse:

    Sinceramente, prefiro pensar que a saga de Michael Myers acabou em Halloween 20 Anos Depois. O filme é redondinho, cumpre o que promete, finjo que esse Ressurreição aqui nem existiu.

  2. Papa Emeritus disse:

    Realmente, se fosse apenas os 15 minutos iniciais esse troço daí se salvava. Mas eles tinham que fazer merda, né? rsrs

    Mas Rob Zombie conseguiria piorar as coisas ainda mais depois disso.

  3. Elias Pacheco disse:

    Halloween, pra mim, acabou no terceiro (que pelo menos era engraçadinho). Toda aquela babaquice de Myers voltando pra matar uma parente desconhecida, criada com outra família e não sei o que envolvendo seitas malucas, não desceu. E também não vi graça no H20, que seguiu um rumo muito parecido com o que foi visto no quarto filme (não sei se dava pra ser diferente). Ressurreição talvez seja mais lixo que a pior refilmagem de todos os tempos (lê-se Halloweeen de R. Zombie).

  4. […] a Tombstone Distribution. O filme tem no elenco Ken Kirzinger (Freddy vs. Jason), Brad Loree (Halloween: Ressureição), Lochlyn Munro (Freddy vs. Jason), Emilie Ullerup (O Duende: Origens), Calum Worthy, Sarah Lind, […]

  5. Matheus L. CARVALHO disse:

    Eu concordo.
    Analisando HALLOWEEN RESSURREIÇÃO agora, vejo que é, de fato, o pior da série.
    Os primeiros vinte minutos do filme deveriam ser suficientes para contar a história toda, mas, não foi assim, e, Michael se transformou em um coadjuvante em sua própria franquia – do primeiro ao sétimo, ele foi o ASTRO – e virando motivo de piada. Dá pra ver que Michael perdeu seu charme e sua selvageria nesse filme. Uma pena. Só não foi destruído completamente, porque veio Rob Zombie, que acabou não só com o personagem, mas, também com o Mito, em seus remakes horrorosos.
    Lamentável ver o primeiro dos assassinos slasher do cinema ser ridicularizado dessa maneira.

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