738 – Hellraiser: Caçador do Inferno (2002)

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Hellraiser: Hellseeker


2002 / EUA, Canadá / 86 min / Direção: Rick Bota / Roteiro: Carl V. Dupré, Tim Dary / Produção: Michael Leahy, Ron Schmidt; Jesse Berdinka, Joel Soisson (Produtores Executivos) / Elenco: Dean Winters, Ashley Laurence, Doug Bradley, Rachel Hayward, Sarah-Jane Redmond, Jody Thompson, Kaaren de Zilva


Olhe, de todas as grandes franquias do cinema de terror, com suas continuações quase infinitas, eu acredito que a única que não tenha sequer uma sequência que seja boa, é Hellraiser.

Sexta-Feira 13 é excelente até O Capítulo Final e depois Jason Vive também é ótimo. A Hora do Pesadelo tem o querido Os Guerreiros dos Sonhos e o incrível O Novo Pesadelo. Halloween 2 – O Pesadelo Continua é quase tão bom quanto o primeiro. Até os filmes do Chucky, Pânico, Jogos Mortais, e mesmo alguns mais recentes, como Atividade Paranormal, todos tem pelo menos algum outro filme, que não seu original, que seja interessante. Menos Hellraiser!

Puta merda, e olhe que é uma cinesérie que já teve dez continuações (se eu não perdi a conta) e NENHUMA se salva. No máximo é um regular Hellraiser 2 – Renascido das Trevas, e olhe lá. Esse Hellraiser: Caçador do Inferno é outro que entra nesse balaio de gato de decadência a que foi submetida a cria de Clive Barker.

Até porque no mesmo caso do anterior, Hellraiser: Inferno, a trama originalmente não era de um filme da franquia. Era uma história qualquer comprada pela Dimension Films. Para economizar uns tostões em contratar um roteirista para reescrever toda uma nova história, o script foi adaptado para enxertar os cenobitas e as referencias ao passado de Kirsty Cotton, a garota do primeiro filme, sobrinha do hedonista Frank Cotton, o sujeito que tentou ludibriar Pinhead e cia limitada no clássico dos clássicos, Hellraiser – Renascido do Inferno, interpretada mais uma vez por Ashley Laurence.

Nunca vi esse cubo, seu moço!

Nunca vi esse cubo, seu moço!

Aliás, isso talvez seja o único micro trunfo que esse filme meia-boca tenha, tentando de alguma forma, fazer uma ligação com a franquia e remetendo ao original. Kristy está casada com Trevor (Dean Winters), um mal caráter e adúltero homem de negócios. Ambos sofrem um acidente de carro logo no começo da fita e Trevor acorda em um hospital, sofrendo de amnésia e com a esposa desaparecida, possivelmente dada como morta.

Claro que as primeiras suspeitas vão cair sobre o sujeito. Tentando entender o que aconteceu, ele passa a ser acometido por uma série de alucinações (a maioria delas absolutamente TODAS as moças do filme querem dar para ele) e passa a encontrar pessoas próximas sendo mortas de forma bizarra. Tudo isso gira em torno do misterioso cubo que ele comprara em um antiquário para dar de presente de aniversário de casamento para a noiva, sem fazer ideia do pão que o diabo amassou que a mulher já passou por conta dele.

Bem, entre pesadelos, aparições sem graça dos Cenobitas e a volta do Pinhead de Doug Bradley completamente no automático, o filme todo é um xoxo só, que não aproveita em nenhum momento o retorno de uma personagem principal da trama original. Seu reencontro com o vilão SM cheio de pregos na cabeça, que poderia ser no mínimo interessante é completamente sem graça e decepcionante. Aliás, absolutamente NADA sobre o passado da garota é citado: a morte do pai, do tio, os acontecimentos no sanatório e na dimensão dos Cenobitas abordado no segundo filme. Niente. Para piorar, a sequência em que isso deveria ser retomado, foi parar na lata de lixo da sala de edição por decisão do diretor Rick Bota.

O final tem um plot twist bem interessante, tenho que confessar. Mas quando chega naquelas tantas, depois de você aguentar a pseudo trama de suspense e investigação, misturado por uma horror psicológico canhestro, atores péssimos e direção sem inspiração alguma, o trem já passou e você está rezando aos céus (ou aos infernos) para que Hellraiser: Caçador do Inferno acabe logo, uma vez que a tortura de assisti-lo parece maior do que viver a eternidade tendo a pele rasgada pelos ganchos dos cenobitas.

Ói nóis aqui traveiz!

Ói nóis aqui traveiz!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Thiago disse:

    Eu não sabia que havia esse filme… ai quando vi a postagem no facebook só consegui pensar: “Porra! Essa merda não acaba não?!”

    • Marcos Brolia Marcos Brolia disse:

      Não tem fim, cara…

    • Acho que meu comentário não foi .-.
      Eu amo Hellraiser e tudo que o Clive Barker escreve. Eu disse escreve. Mas as continuações do Hellraiser são sofríveis, eu tento gostar. Esses dias eu elogiei em um ato de desespero o quinto filme e depois fiquei pensando: “Como eu posso me enganar tanto?”. Eu juro que tento gostar, mas elas também não ajudam cacete.

  2. A atuação de Dean Winters é algo bizarro. Parece um boneco de cera.

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