739 – Ju-On – O Grito (2002)


Ju-On / The Grudge


 2002 / Japão / 92 min / Direção: Takashi Shimizu / Roteiro: Takashi Shimizu / Produção: Takashige Ichise , Kunio Kawakami, Yoshinori Kumazawa, Hiroki Numata /  Elenco: Megumi Okina, Misaki Itô, Misa Uehara, Takako Fuji, Yuya Ozeki


O sucesso de Ring – O Chamado de Hideo Nakata foi o responsável pela popularização do gênero J-Horror não só no Japão como em todo o ocidente. Outro filme que se aproveitou desse bom momento foi Ju-On – O Grito, de Takashi Shimizu, que traz mais uma história sobre espíritos vingativos, é um dos marcos do gênero e também ganhou sua própria versão americanizada.

E os elogios que impulsionaram Ju-On – O Grito vieram de pessoas que tinham gabarito no cinema de terror. Sam Rimi disse que era “o filme mais aterrorizante que já viu. Não dá para recuperar o fôlego”. Eli Roth, diretor de Cabana Infernal e O Alberque também deu seu testemunho: “absolutamente aterrorizante”.

E não foram exagerados, não. Realmente Ju-On – O Grito é um dos filmes mais assustadores já feitos. Shimizu joga você em uma montanha-russa de tensão e horror sem te dar chance de respirar, com uma narrativa não linear que conta uma história de forma bastante inteligente, criando uma ligação entre os vários elementos e várias pessoas colocadas em contato com a maldição do filme. E o melhor de tudo é que Shimizu nunca deixa sua obra cair na vala comum, com situações óbvias e explicações esdrúxulas, tipo de armadilha preferida das produções americanas (até mesmo do seu remake, lançado aqui no Brasil como O Grito, também dirigido por Shimizu).

rrrrrrrrrrrrrrrrrrrr…

Ju-On é a tal maldição que se inicia quando uma pessoa morre com um forte rancor. No caso do filme, um marido e pai de família (Takeo Saeki) acometido por um ataque de cólera e ciúmes, mata a sua esposa, Kayako e seu filho pequeno, Toshio, e se suicida na sequência. Nem o pobre do gato escapa da fúria do japonês louco. Pois então, os fantasmas dos três ficam ali presos na casa onde ocorreu o assassinato, passando a maldição a todos que entram naquele local.

Contado em forma de episódios, que vai fazendo o link de como a maldição se espalha para cada um dos personagens, primeiro conhecemos a assistente social voluntária Rika, que é designada a cuidar de uma velha senhora que aparentemente mora sozinha exatamente naquela casa. Ao chegar ao local, ela encontra uma sujeira danada e a idosa semi-catatônica. Não demora muito para que ela conheça os antigos moradores, Toshio e Kayako.

Esse primeiro contato vai ser o pano de fundo para o desenrolar de toda a trama, para descobrirmos como a maldição afetou a família que morava na casa que Rika foi visitar, seu chefe, os investigadores de polícia, o antigo policial que cuidou do caso da morte da família Saeki e até de sua filha, utilizando de elipses temporais tanto do passado quanto do futuro, fazendo com que a narrativa do filme seja um dos seus pontos altos. Todos que entraram naquela casa estão destinados a morrer, mais cedo ou mais tarde e não há nada que seja capaz de impedir a maldição do rancor de exterminar suas vítimas, através das aparições terrivelmente sinistras de Kayako, Toshio, e vez ou outra, de Takeo.

O samba do japonês doido

Falando nisso, as aparições de Kayako são de fazer marmanjo cagar nas calças de medo. Interpretada pela bailarina Takako Fuji, que repetiu esse papel, assim como Yuya Ozeki que interpretou Toshio, pelo menos mais umas seis vezes contando todas as versões japonesas (houve duas versões anteriores feitas no final da década de 90 direto para a televisão antes desse reboot e mais uma continuação) e americanas (onde a trinca de atores originais estão repetindo seus papeis, assim como na sequência, o Grito 2, também dirigido por Shimizu). A cena em que ela desce as escadas se contorcendo, com um apavorante gemido que parece um barulho de estática, o ranger de seus ossos e estalar da coluna, é uma das mais assustadoras de todo o cinema de horror.

Seguindo a escola do J-Horror, Ju-On – O Grito repete basicamente a mesma fórmula do gênero, que foi usada em outras produções como o próprio Ring – O Chamado, Dark Water – Água Negra e O Telefone, que são tomadas lentas com a câmera estática. E isso é o que mais me chama atenção no cinema oriental, porque acredito que se tivéssemos uma experiência extrassensorial com um fantasma na vida real, seria mais ou menos como acontece nesses filmes. Não seria de forma abrupta, seguida de um aumento no volume para assustar a plateia como no cinema americano e o fantasma viria voando para cima da gente. Ele estaria ali parado, se aproximando lentamente enquanto somos testemunhas oculares, morrendo de medo e completamente impotentes.

A fotografia escura, a trilha sonora de Shiro Sato e seus efeitos sonoros, que são realmente apavorantes, contribuem ainda mais para a atmosfera do filme e fazem com que Ju-On – O Grito seja um dos melhores filmes do terror moderno do sol nascente e uma experiência assustadora ao limite.

Búúúúúúú!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] vínhamos vendo até então nas narrativas mais estendidas e sóbrias como em Ring – O Chamado e Ju-On – O Grito, por exemplo. E quando chega no terceiro ato e você pensa que está tudo resolvido… BANG! […]

  2. Íris disse:

    Mil vezes melhor que a versão americana.

  3. Hitoshi disse:

    O filme no torrent não é o filme certo. Esta é a versão de 2000. (Percebam que as cenas no trailer são diferentes das do filme)
    O quê eu estava procurando é esse aqui: http://www.youtube.com/watch?v=5G56KY8N33c

  4. Allan disse:

    Não consigo achar esse filme em bom estado… Já conseguiu alguma boa fonte, Marcos? Desde já, muito obrigado! Site nota dez.

  5. Lucas disse:

    Óla! primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo excelente trabalho feito nos Reviews e escolha de filmes. Descobri esse site ou blog recentemente e fiquei surpreendido com a qualidade. Quanto a Juon, na verdade esse filme não é um Reboot e sim uma continuação dos dois primeiros filmes de baixo orçamento. Pra comprovar isso há um gancho no primero filme pro segundo e do segundo pro terceiro, que este filme em questão. Em todo caso, fica a dica e estou adorando a extensão para 1001 filmes.

  6. LéoJéo disse:

    Pois é, se não me engano o filme de 2002 é o “Ju-On 2″…

    O “Ju-On 1” se inicia com a história do professor Kobayashi indo até a casa verificar o motivo de Toshio não estar indo as aulas. Tendo uma ligação direta com os “curtas” de 2 a 3 minutos “4444444444” e “Katasumi” (tem youtube e the pirate bay).

    Parabéns pelo site de qualidade e bem diversificado dentro do universo do horror!
    abraços

  7. Stela Ortiz disse:

    A legenda pr-br não tá sincronizada, e aínda tem uma legenda em inglês incorporada..
    Mas o filme é ótimo e o site é D+ 😀

  8. Ryan disse:

    Blog Excelente,Marcos você assistiu Martyrs? um dos filmes mais chocantes que já vi,ele aparecerá por aqui? Abraço!

  9. […] vínhamos vendo até então nas narrativas mais estendidas e sóbrias como em Ring – O Chamado e Ju-On – O Grito, por exemplo. E quando chega no terceiro ato e você pensa que está tudo resolvido… BANG! […]

  10. […] 2000. Dois desses filmes ficaram extremamente famosos para o resto do mundo: Ring – O Chamado e Ju-On – O Grito, tanto que até ganharam versões na terra do Tio […]

  11. […] a Ghost House Pictures. Pô, um nome como Raimi credencia o longa, até porque, ele mesmo é fã de Ju-On – O Grito, e considera “o filme mais assustador que já assistiu”. Pelo menos é o que diz o quote no DVD […]

  12. […] de antemão: se você é fã do J-Horror moderno, graças a fitas como Ring – O Chamado e Ju-On – O Grito, e principalmente suas refilmagens americanas e estiver esperando um filme repleto de jump scares e […]

  13. […] Takashi Shimizu é aquele nome do cinema japonês que sempre despertou interesse dos fãs do horror em geral e principalmente do J-Horror. Apesar de ter entrado em decadência e sumido, como o próprio gênero (vídeo o recente péssimo Voo 7500), naquele boom do terror oriental da década passada ele foi responsável por alguns de seus melhores exemplares, como o Ju-On – o Grito. […]

  14. Sam Buarque disse:

    Esse filme com a legenda sincronizada simplesmente desapareceu da internet! As sequências também são impossíveis de encontrar, lamentável! Saudade das comunidades do Orkut, nisso a galera em bastante solidaria. Blog e textos incríveis! Muito bem escritos, parabéns!

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