742 – A Sétima Vítima (2002)

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Darkness


2002 / EUA, Espanha / 103 min / Direção: Jaume Balagueró / Roteiro: Jaume Balagueró, Fernando de Felipe / Produção: Julio Fernadéz, Brian Yuzna; Antonio Nava (Coprodutor Executivo); Carlos Fernandéz, Guy J. Louthan, Bob Weinstein, Hervey Weinstein (Produtores Executivos) / Elenco: Anna Paquin, Lena Olin, Iain Glen, Giancarlo Giannini, Fele Martínez, Stephan Enquist


Já falei aqui como a Espanha é um excelente celeiro do cinema de terror e fantástico. No meio dos anos 90 até o final dos anos 2000, principalmente, surgiram uma leva de excelente cineastas espanhóis que fizeram com que o gênero despontasse e virasse objeto de exportação, principalmente para o mercado americano. Alex de La Iglesia, Juan Carlos Amenábar, J.A Bayona são alguns desses nomes.

Entre eles, dois merecem destaque: Paco Plaza e Jaume Balagueró, que trilharam uma interessante carreira solo até se juntarem em REC, o melhor filme de terror da década passada. Eu conheci Balagueró exatamente em A Sétima Vítima (não confundir com o filme homônimo de 1943 produzido por Val Lewton), certa noite assistindo sua exibição no Telecine, uma produção ibero-americana que tem a produção da Fantastic Factory do filipino Brian Yuzna, esse já velho conhecido do fã de horror, e do espanhol Julio Fernandéz,.

Se eu não me engano isso foi em 2005 ou 2006, sendo que na Espanha ele fora lançado em 2002 e nos EUA só chegou aos cinemas dois anos depois, mantido na geladeira pela Miramax/Dimension, que comprou seus direitos de distribuição, e ainda mutilou a fita para pegar uma classificação PG-13.

Antes do escamagris

Antes do escamagris

A Sétima Vítima é aquele tipo de filme que tem um potencial gigantesco desperdiçado, nem falando da direção de Balagueró e nem na atuação dos atores, mas sim em seu roteiro mal executado, cheio de buracos e situações inverossímeis que desafia demais a lógica do espectador, principalmente no que tange o relacionamento familiar, e acaba prejudicando demais no construir dos elementos da trama, apesar de seu final trágico e pessimista.

A fita começa mostrando um acontecimento de 40 anos atrás, onde seis crianças desaparecem após a prática de um ritual oculto interrompido. Um casal americano, Maria (Lena Olin) e Mark (Iain Glein, hoje mais conhecido como o Jorah Mormont de Game of Thrones) muda-se para uma tétrica e afastada casa na Espanha com seus filhos, a adolescente Regina (Anna Paquin, a Vampira/Sookie Stakehouse) e Paul (Stephan Enquist), o caçula.

Mark passa a sofrer de um grave colapso mental que o transforma em uma pessoa violenta, transtorno que já o acometera no passado, enquanto um anunciado eclipse solar se aproxima. A relação na família começa a ficar estremecida, e uma misteriosa força obscura passa a aterrorizar o garoto mais novo, que passa a ficar calado e acordar com hematomas, algo ignorado de acordo pela mãe, uma das grandes falhas do roteiro. O pai de Mark, e seu médico, Albert (o sempre ótimo Giancarlo Giannini) também parece não ligar muito o que se passa com o neto e os ataques do filho.

I wanna do bad things with you!

I wanna do bad things with you!

Bom, tudo isso para que Regina, a única que não julga a inteligência do espectador e seu namoradinho, Carlos (Fele Martínez) resolvam tentar entender o que há de errado com aquela sinistra casa e que influencia o comportamento errático do pai, apavora seu irmão e isso sem contar uma sombrias presenças que surgem pelos cantos escuros. Em suas investigações, encontram o arquiteto do local que os conta que o imóvel fora construído sob restritas ordens para se parecer um templo circular, onde uma seita satânica sacrificaria sete crianças durante um eclipse (que vejam só, se repete cada 40 anos) para liberar a vinda das trevas para nosso mundo.

Regina então, crente de que Paul será a sétima vítima, procura ajuda de seu avô, uma vez que o pai está transtornado e poderá matar o próprio filho e a manhã é uma relapsa de mão cheia, para tentar impedir a tragédia. ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Mas eis que na verdade, a sétima vítima é Mark, a criança original que escapara, auxiliado pelo pai no último momento, que arquitetara esse plano durante todo esse tempo para que fosse morto pelas mãos de alguém que o amasse. O ponto interessante é que numa malsucedida operação de traqueostomia, tudo manipulado pelas forças das trevas, Regina acaba matando o próprio pai acidentalmente, libertando a danação eterna e ferrando com o rolê todo.

A Sétima Vítima é um típico filme que intriga em uma primeira assistida, impressiona por sua atmosfera e pela sua tentativa de originalidade, pela excelente direção de Balagueró e a fotografia soturna de Xavi Giménez, e apesar de seu final macabro, peca em entregar aquilo que se propõe por conta das pontas soltas do próprio roteiro, não resistindo a uma boa segunda (ou terceira) revisão.

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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