743 – Sinais (2002)

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Signs


2002 / EUA / 106 min / Direção: M. Night Shyamalan / Roteiro: M. Night Shyamalan / Produção: Frank Marshall, Sam Mercer, M. Night Shyamalan; Kathleen Kennedy (Produtora Executiva) / Elenco: Mel Gibson, Joaquim Phoenix, Rory Culkin, Abigail Breslin, Cherry Jones


M.Night Shyamalan é uma infeliz vítima de seu próprio sucesso. Quando ele arrebatou público e crítica em O Sexto Sentido e seu mais que lendário plot twist final, o indiano, cria de Alfred Hitchcock, talvez NUNCA imaginasse o estrago que estava fazendo com sua carreira, pelo nível de expectativa altíssima colocada em seus próximos filmes e pela incessante busca do público pelas reviravoltas em seus finais, como conseguiu até de certa forma cumprir em Corpo Fechado.

Hoje, 16 anos depois que Haley Joel Osment “viu pessoas mortas a todo momento” comprovamos que Shyamalan é bem na verdade um embuste, um truqueiro, uma fraude, sendo que ele falhou miseravelmente EM TODOS os seus próximos filmes, alguns dignos de pena como A Dama da Água, Fim dos Tempos e O Último Mestre do Ar, e sua carreira hoje se encontra no estágio: “fazendo found footage para a Blumhouse Pictures”, apesar da boa recepção da crítica para o inédito no Brasil, A Visita.

Mas Sinais ainda mostra certo respiro do diretor e é uma aula de suas influências cinematográficas. Eu nunca fui muito fã da fita, principalmente por um motivo que vocês que já acompanham o blog devem muito bem adivinhar: a mensagem carolona e panfletária religiosa que ele entuba no final da fita. Eu sou um bom e velho adepto do niilismo de Lucio Fulci, então sacumé, essa coisa de fé, perder e recuperá-la, por talvez sorte, acaso ou coincidência, para mim não cola.

Bloqueadores mentais!

Bloqueadores mentais!

Mas como não estou aqui para falar do meu ateísmo (e sempre chove comentários a respeito quando o faço) revendo Sinais pela segunda vez (sim, só tinha assistido uma única vez e não gostado) percebo que ele é sim um bom filme, Shyamalan ainda tem brilho na criação e manutenção do suspense, o longa tem um timing cômico realmente surpreendente (auxiliado pela estranha e ótima química de Mel Gibson e Joaquim Phoenix, e destaco aqui o engraçado diálogo sobre a atleta saltadora de vara ) e a direção é um verdadeiro primor. Sempre centralizando seus personagens na câmera, como dada as devidas proporções, o ponto de fuga de Stanely Kubrick, e com seus closes e planos americanos extensos que trabalha com os personagens.

Eu, como fã ardoroso de sci-fi e de filmes de invasão alienígena, e quando adolescente ficava fuçando na Internet de madrugada informações sobre os famigerados círculos nas plantações, adoro a história de Sinais, e principalmente aquela pegada Guerra dos Mundos, não de H.G. Wells e suas adaptações cinematográficas, mas a dramatização radiofônica de Halloween de Orson Welles. A cena da gravação amadora do alienígena aparecendo numa festinha de aniversário aqui em Terras Brazilis (claramente inspirada no famoso vídeo de Patterson-Gimlin do Pé Grande) é de meter medo de verdade.

Curioso é a reação de paranoia e medo crescente acompanhando as notícias da invasão pela televisão (ao melhor estilo sci-fi dos anos 50, como Vampiros de Almas), além de colocar os personagens principais em uma situação de verdadeira claustrofobia, enquanto presos em sua própria casa (ao melhor estilo A Noite dos Mortos-Vivos), a mercê das terríveis criaturas extraterrestres que encurralam o ex-reverendo e fazendeiro Graham Hess (Gibson), seu irmão Merril (Phoenix) e seus filhos, Morgan (Rory Culkin – irmão do Macaulay ) e Bo (uma novíssima Abigail Breslin) no porão (ao melhor estilo A Guerra dos Mundos, de novo).

A coisa na soleira da porta

A coisa na soleira da porta

Sinais vai sendo construído lentamente, preparando o espectador em banho-maria, deixando-o nervoso e assustado com os nervos a flor da pele (a cena quando Gibson vai de encontro de Shyamalan, ponta do diretor como o homem que atropelara a esposa do reverendo, responsável pela perda de sua fé, prende um dos ETs na dispensa é um bom exemplo), para um final abrupto e de saída fácil mais uma vez inspirado até o talo em Guerra dos Mundos, mas pelo menos sem reviravoltas costumeiras (e isso deve ter frustrado uma pá de gente, ô se deve).

Só que esse anticlímax final maniqueísta estraga tudo aquilo que o diretor vinha tecendo com maestria até então. Uma solução “milagreira” salva a família, um recurso dramático quase tão tosco quanto “era tudo um sonho” para claro, nosso herói resgatar sua fé, que deve sempre ser inabalável e inquestionável e estamos sempre errados se o fizer, amém, auxiliado por elementos fantásticos de uma premonição feita pela agonizante esposa do reverendo.

Sinais é o último bom filme de Shyamalan, mas confesso que precisei assisti-lo novamente agora nessa fase de escrita do blog para conseguir considera-lo (antes minha lista terminava em Corpo Fechado). Talvez isso aconteça quando eu assistir A Vila novamente, outro filme que não me desce de jeito algum (que até vai indo muito bem até aparecer o Koopa em cena), mas eu volto para lhes contar quando chegar seu devido post.

Aqueles que caminham entre as espigas

Aqueles que caminham entre as espigas



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Papa Emeritus disse:

    Eu acho Sinais “marromeno”. Só assisti uma vez, tem coisas no filme que gostei, e tem coisas que detestei.

    Eu também era aficionado em temas de Crop Circles e viciado naquela série de Alienígenas do Passado do History Channel. Mas a maioria dos Crop Circles são fraudes (senão todos, alguns são até discutíveis), e aquelas ideias de “deuses astronautas” é tudo furado quando você corre atrás de informações.

    Eu não duvido da existência de vida fora da Terra. Acho que é bem provável que exista vida inteligente e outras civilizações em outros planetas.

    Agora, eles terem saído de lá pra vir pra cá… não acredito em mais nada disso.

    Mas esse não é o motivo deu achar o filme “marromeno”, afinal filmes são basicamente fantasias (sem contar documentários, se bem que existem documentários falsos), e o legal da fantasia é você entrar no espírito e se envolver com a história. Mas achei a ideia do filme um pouco mal utilizada. No final das contas achei o resultado mediano.

  2. […] que ele conseguiu cumprir mais uma vez em Corpo Fechado, mas tentou abandonar o subterfúgio em Sinais, que recebeu uma recepção bem das mornas, e depois, já perdendo fôlego, voltou ao modus […]

  3. Carol disse:

    Adoro esse filme, embora também não goste do plot de gente recuperando a fé. Curiosidade: Mel e Joaquin juntos, imagina a bizarrice se fosse nos dias de hoje…

  4. […] Intruders acompanha a história de Anna, interpretada pela desconhecida Beth Riesgraf, uma jovem que sofre de agorafobia, um tipo de transtorno severo que a impede de sair de casa. Anna vive cuidando de seu irmão Conrad (Timothy McKinney) que está em leito de morte. Sua única relação social, além do próprio irmão, se dá com o entregador de comida Danny, interpretado por Rory Caulkin. Sim, você não leu errado, Rory é o irmão mais novo de Macaulay Caulkin e por mais surpreendente que possa parecer, é aquele garotinho asmático do filme Sinais! […]

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