744 – Telefone (2002)

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Pon / Phone


2002 / Coréia do Sul / 104 min / Direção: Ahn Byeong-ki / Elenco: Ha Ji-won, Kim Yu-mi, Choi jae-woo, Choi Ji-weon, Eun Seo-woo


Não é só do Japão que vive o cinema de terror asiático. A Coréia do Sul também foi um grande expoente do subgênero no início da década de 2000 e até mesmo um dos mais prolíficos celeiros cinematográficos da década passada, lar de nomes como Park Chan-Wook e Bong Joon-ho.

Telefone é um desses exemplares do K-Horror (Korean Horror), que emula muito dos trejeitos do J-Horror, mas com uma estética um pouco mais ocidentalizada que seus vizinhos da Terra do Sol Nascente.

Digo isso porque além de copiar os já famosos fantasmas cabeludos, e uma metáfora fantasmagórica de aversão a tecnologia em contraponto das tradições milenares orientais (nesse caso o telefone celular, como Ring – O Chamado já havia feito com as fitas VHS e Dark Water – Água Negra com prédio de apartamentos), seu ritmo é completamente diferente, mais acelerado, com edição e cortes mais rápidos e menos arrastados, maior quantidade de ação física e utilização do jump scare como recurso de susto (mas nada próximo a banalização do mesmo como se vê no cinema atual).

Encoxto

Encoxto

Telefone é uma peça assustadora, mas irregular, com um roteiro que chega a ser até bem confuso, principalmente em sua desnecessária e arrastada primeira metade, mostrando só ao que veio mesmo do meio até seu explosivo final, aquele preparado para a boa e velha vingança espectral, afinal, sabemos que basicamente só esse expediente fora usado no cinema de horror asiático, aqui, inspiradíssimo em Edgar Allan Poe.

Ji-Won é uma jornalista que escreveu uma série de artigos denúncia sobre pedofilia, e passa a receber ameaças de morte em seu celular. Ela muda seu número e aceita a oferta de sua amiga próxima, Ho-Jung e de seu marido, Chang-hoon para morar em sua casa vazia no interior. Porém ela começa a receber estranhas ligações nesse novo número, além de ouvir toda noite “Sonata ao Luar” de Beethoven no piano, sem que ninguém no local a tocasse.

Em paralelo, a filha de Ho-Jung, que é sua afilhada, após atender a uma das chamadas do celular de Ji-Won passa a ter um estranho comportamento violento com relação a sua mãe e uma misteriosa atração sexual pelo seu pai. Enquanto isso, a repórter passa a investigar os antigos donos daquele número de celular e descobre que eles morreram em circunstâncias bizarras, e uma das proprietárias era a estudante Jin-hee, que desaparecera sem deixar vestígios (e costumava tocar “Sonata ao Luar” no piano).

Me tlaz um pastel de flango!

Me tlaz um pastel de flango!

Indo a fundo, Ji-Won descobre que Jin-Hee teve um caso com Chang-hoon, seu professor, que decidira terminar o relacionamento secreto, fazendo com que a garota fique obsessiva, como manda a cartilha. Okay, nesse momento você já desenha completamente a trama, só que o final revela uma reviravolta que foge um pouco do clichê já pré-estabelecido.

ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Você vai imaginar que a garota ameaçava o casamento do adúltero e ele tinha a matado, como zilhões de filmes com essa temática. Mas acontece que aqui Ho-Jung foi a responsável pelo assassinato da amante do marido, e depois do ato, a emparedou em casa, junto com o celular pré-pago que usava para o marido receber as ligações. Como disse lá em cima, ao melhor estilo Edgar Allan Poe, a nossa heroína descobre tudo isso exatamente ao ligar para o número e escutá-lo chamar atrás da parede. Sorte que a bateria do celular era infinita! Lógico que o espírito rancoroso da estudante surgirá para executar sua vingança.

Telefone é um dos bons exemplares do K-Horror, que hoje parece um tanto quanto batido, uma vez que fez parte de uma verdadeira enxurrada do subgênero, assim como o próprio J-Horror, caindo no mesmo problema da exaustão da fórmula, mas que funciona de sua metade para frente e apresenta uma característica atmosfera assustadora assim como seu fantasma que dá as caras para o susto final.

Quando visualiza sua menagem do WhatsApp mas não responde...

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Edu Constantino disse:

    KKKKKKKK e quando vc precisa ler umas 5 vezes a resenha pra entender quem é quem

  2. Luiz Carlos Marcolino disse:

    Como de praxe, um ótimo post! Parabéns! Sei que não têm nada a ver, mas me lembrei imediatamente desse filme: http://www.imdb.com/title/tt0081203/
    🙂

  3. Edu Constantino disse:

    KKKK E quando vc tem que ler umas 5 vezes pra entender quem é quem na história

  4. […] Seguindo uma linha de raciocínio detetivesca e com algumas cenas interessantes de suspense, só que muito mais ocidentalizado do que o cinema de terror asiático de costume, principalmente do vizinho Japão, sem aquela pegada assustadora e atmosférica, Espelho vai enveredando por teorias que vão de psicologia e passam por física quântica, até chegar ao seu plot twist final, que aí sim voltamos a bom e velha história de vingança fantasma, e uma pegada ao melhor estilo Edgar Allan Poe, parecido com o que já fora feito em outro K-Horror postado aqui anteriormente, Telefone. […]

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