745 – The Eye: A Herança (2002)

Gin_gwai_1254687120_2002

Gin gwai / The Eye


2002 / Hong Kong, Singapura / 99 min / Direção: Pang Brothers / Roteiro: Pang Brothers, Hui Yuet-Jan / Produção: Lawrence Chang, Peter Chan; Udom Piboonlaupdm (Coprodutor); Hui-Yuet-Jan (Produtor Associado); Allan Fung, Eric Tsang, Daniel Yun (Produtores Executivos) / Elenco: Angelica Lee, Lawrence Chou, Jinda Duangtoy, Yut Lai So, Candy Lo, Edmun Chen


O excelente The Eye: A Herança, mais um dos expoentes do cinema asiático de terror, catapultou a carreira dos irmãos Danny e Oxide Pang e levou para o mundo o cinema de horror feito em Hong Kong, que bebe na fonte tanto do J-Horror, como no cinema chinês, quanto na estética ocidental do subgênero sobrenatural, com uma edição mais rápida e uso do jump scare e efeitos em CGI (digo isso sem demérito).

O filme tem realmente algumas cenas bem emblemáticas e assustadoras do subgênero, como a famosa sequência angustiante do elevador (daquelas que elevam o nível de tensão e cagaço de qualquer um), o garoto que aparece todo momento perguntando sobre seu boletim ou a esposa e filha fantasmas de um açougueiro que sempre volta ao estabelecimento e fica lambendo as carnes penduradas. Entre outras.

Além de ser completamente atmosférico, rendendo boas doses de susto e angústia, The Eye: A Herança possui uma trama simples e interessante, que dá bastante pano para manga para abusar de expedientes perfeitos para assustar os incautos. Lee é uma violinista cega que recebe um transplante de córneas e tem a recuperação completa de sua visão.

Porém, ao invés de conseguir enxergar apenas nosso plano de existência, a moça passa a ver pessoas mortas, todo tempo, em diversos lugares e situações. Sem entender direito o que acontece, uma vez que não consegue distingui-los devido ao seu pequeno repertório visual por conta da cegueira, Lee fica aterrorizada ao ser assombrada por aqueles espectros que desencarnaram e não deixaram nosso mundo por diversos motivos de cunho religioso.

Não olhe para trás!

Não olhe para trás!

Com a ajuda do Dr. Wah, por quem passa a ter uma queda, e a recíproca é verdadeira, Lee tenta então descobrir quem foi a doadora das córneas, para elucidar o motivo de ser amaldiçoada com tais visões pré e pós-cognitivas. Viajando até um vilarejo no interior do país, descobre-se que os órgãos pertenceram anteriormente a uma garota clarividente, tida como bruxa pelos matutos moradores do local, que se suicidara após a visão de um trágico incêndio de largas escalas, sendo desacreditada por todos o peso na consciência de não conseguir evitar todas aquelas horríveis mortes.

Seguindo a cartilha do cinema asiático de terror, apesar de não encontrarmos aqui um espírito vingativo cabeludo, a resposta para os problemas de Lee está em descobrir o amargurado tormento da garota e tentar encontrar uma forma com que ela descanse em paz e receba o perdão de sua mãe após o suicídio.

The Eye: A Herança fez um baita sucesso, não só no Sudeste Asiático, mas também nos EUA e até no Brasil, no mercado de home video, em uma época áurea que muito do cinema de terror oriental era lançado nessas bandas (mesmo que com um senhor atraso), o que como disse lá em cima, credenciou os irmãos Pang em realizar uma sequência, igualmente lançado no Brasil com o nome de Visões (e que ainda depois rendeu um terceiro filme) e também a fazer as malas para Hollywood, dirigindo o fraquinho Mensageiros e Perigo em Bangkok, com Nicholas Cage, refilmagem de seu primeiro longa.

Isso né, sem esquecer que The Eye ganhou uma sofrível versão americana (até aí nenhuma novidade), batizada por essas bandas de O Olho do Mal, com uma igualmente sofrível Jessica Alba no elenco. Preferível ser cego a assisti-lo.

Sem criatividade para a legenda dessa foto

Sem criatividade para a legenda dessa foto



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: