749 – O Devorador de Pecados (2003)

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The Order /The Sin Eater


2003 / EUA, Alemanha / 102 min / Direção: Brian Helgeland / Roteiro: Brian Helgeland / Produção: Craig Baumgarten, Brian Helgeland; Giovanni Lovatelli (Coprodutor); Thomas M. Hammel, Michael Kuhn (Produtor Executivo) / Elenco: Heath Ledger, Shannyn Sossamon, Benno Fürmann, Mark Addy, Peter Weller, Francesco Carnelutti


Grande parte dos filmes envolvendo a Igreja Católica, suas ordens secretas, conspirações, perda da fé, heresias, exorcismos e tudo mais, sempre tem uma premissa interessante que poderia render um filme incrível. Claro, que nem sempre esse é o resultado. Na verdade, o caso até é raro. Mas O Devorador de Pecados fica ali no mediano.

Dirigido e escrito por Brian Helgeland, e com o saudoso Heath Ledger no elenco, e todo mundo que esteve com ele em Coração de Cavaleiro, Mark Addy (que depois seria Robert Baratheon em Game of Thrones) e Shannyn Sossamon (recentemente em Wayward Pines) – que por sinal, é do mesmo Helgeland – O Devorador de Pecados é aquele tipo de filme que rosqueia a lâmpada, mas não a acende.

Na trama, Ledger é o padre Alex Bernier, que faz parta da quase extinta ordem dos Carolíngios, pertencentes ao último império medieval da França, conhecidos por sua busca pelo conhecimento e métodos nada ortodoxos, que entravam sempre em conflito com o Vaticano. Seu mentor, Dominic (Francesco Carnelutti), quem o adotara com a morte de seus pais e lhe o ingressaria na ordem, é morto em circunstâncias misteriosas (a Igreja o acusa de suicídio) e Alex vai até Roma para investigar sua morte.

Armado na fé!

Armado na fé!

Alex, junto do Padre Thomas Garrett (Addy) descobre que o responsável pela morte de Dominic pode ter sido uma criatura secular conhecida como Devorador de Pecados, que, hã, devorava os pecados dos pagãos e excomungados por meio de um ritual específico na hora da extrema-unção, fazendo com que dessa forma eles tivessem direito a entrar no Reino dos Céus. Claro que isso deixa a Igreja bem putinha, afinal né, só a salvação por ela que lhe dá direito a esse convite celestial.

O tal do Devorador no caso é um sujeito chamado William Eden (Benno Fürmann, papel original de Vincent Cassel, que logo abandonou o barco por “diferenças criativas”), que durante a construção da basílica de São Pedro, testemunhou um acidente que tirou a vida de seu irmão amado, que não pode ser absolvido pela Igreja por ter oferecido um copo de água a um herege em Jerusalém. O Devorador é chamado às pressas, o absolve e acolheu o jovem William como seu protegido, passando-lhe a incumbência futura.

Acontece que vamos descobrir no decorrer do longa que toda a vida de Alex, desde a morte de seus pais, até o acolhimento por Dominic e sua chegada à Roma, foi planejada e executada, com o auxílio e acordos do poderoso Cardeal Driscoll (Peter “Robocop” Weller) que almeja se tornar o próximo papa e faz parte de uma outra ordem secreta e ritualística DO MAL dentro da Igreja, para que ele fosse o escolhido de Eden para substituí-lo como o Devorador de Pecados.

A mulher do padre!

A mulher do padre!

O que irá jogar contra Alex é exatamente o quanto ele anda questionando sua fé, sua decepção com a Igeja e seu amor platônico por Mara Sinclair (Sossamon), quem auxiliara em um exorcismo, e fugira recentemente de uma instituição psiquiátrica. Mas ainda assim ele pegou a moça e levou junto dele para a Itália. O resultado será trágico e afetará profundamente nas escolhas finais do pároco.

Fato é que a fita tem lá seus momentos, mas também tem suas derrapadas, principalmente com um nada convincente Fürmann no papel do Devorador, que está completamente no automático, fora que a direção e o desenrolar da fita são bem modestos, tendo um potencial enorme na sua história que infelizmente é desperdiçado. Ele não assusta, envolve só até certo ponto, e fica naquela sensação de coito interrompido.

Isso fez com que O Devorador de Pecados, que até teve lançamento nos cinemas no Brasil (lembro que foi até na tela grande que o vi pela primeira vez) seja medíocre, naquele real sentido da palavra, e facilmente esquecível depois, não se tornando um daqueles filmes marcantes do subgênero. Pelo menos em nenhum momento ele faz panfletagem carola, problema anacrônico dessas produções, e coloca a Igreja Católica como o verdadeiro mal mesquinho, que ele é, e o próprio responsável pela perda de fé e o surgimento de métodos “alternativos” de absolvição.

Why so serious?

Why so serious?



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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