755 – O Massacre da Serra Elétrica (2003)

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The Texas Chainsaw Massacre


2003 / EUA / 98 min / Direção: Marcus Nispel / Roteiro: Scott Kosar / Produção: Michael Bay, Mike Fleiss; Joe Dishner, Kim Henkel, Tobe Hooper (Coprodutores); Matthew Cohan, Pat Sandston (Produtores Associados); Jeffrey Allard, Ted Field, Andrew Form, Brad Fuller, Guy Stodel (Produtores Executivos) / Elenco: Jessica Biel, Jonathan Tucker, Erica Leershen, Mike Vogel, Eric Balfour, Andrew Bryaniarski, R. Lee Ermey


No último sábado, morreu Gunnar Hansen, o ator islandês que interpretou Leatherface em O Massacre da Serra Elétrica original, de Tobe Hooper, vítima de câncer no pâncreas, aos 68 anos. Mais uma perda trágica para o cinema de terror nesse 2015 zicado que já nos levou Wes Craven, Christopher Lee, Roddy Piper (Eles Vivem) e Robert Z’Dar (Maniac Cop – O Exterminador).

Calhou que o remake de O Massacre da Serre Elétrica fosse o post desta sexta-feira, e sinceramente, de coração, eu gosto dessa refilmagem, me julguem. Eu não sou tão xiita com relação a remakes como muitas pessoas, porque na verdade, uma nova versão, roupagem, ou o que seja de um filme clássico, não significa que substitua o original e que ele deixará de existir. Ambos estarão lá na eternidade cinematográfica para quem quiser ver, compará-los, apreciá-los, e tudo mais. Minha birra é com remakes ruins. O que de verdade não acho esse o caso.

Claro, ele tem seus defeitos, e diferenças gritantes com relação ao cânone que são motivos de torcer o nariz, mas ele funciona, tem uma boa direção do Marcus Nispel, certa dose de violência gráfica, apesar dos cortes para evitar um NC-17 (muito maior que o original, por exemplo, só lembrar que não se vê UMA GOTA de sangue derramando), homenageia as mortes do seminal longa de Tobe Hooper e consegue dar aquela atualizada para um novo público, uma nova geração. Mas o grande PROBLEMA é exatamente o Leatherface.

Here's Johnny... oh, wait

Here’s Johnny… oh, wait

O primeiro longa produzido pela Plantinum Dunes de Brad Fuller, Andrew Form e Michael Bay (!!!!), traz um brucutu, todo bolander no papel do vilão inspirado em Ed Gein, interpretado por Andrew Bryniarski, em detrimento do gordinho retardado vivido por Hansen. Mais ou menos a mesma ideia de girico do roqueiro metido a diretor, Rob Zombie, colocando o parrudo white trash do Tyler Mane para ser seu Michael Myers.

Além da completa descaracterização do personagem há grandes mudanças no roteiro que acabam fazendo falta no frigir dos ovos, como, por exemplo, o fato de nunca ser mencionado ou ficar implícito o fato da família ser canibal, a violação de túmulos (motivo da viagem de Sally e seu irmão deficiente físico – obviamente de fora de um filme politicamente correto pós-11 de setembro – ao glorioso estado do Texas) e a inexistência do caroneiro, vivido por Bill Moseley no original, substituído por uma das vítimas do Leatherface. Aliás, a família “serra elétrica” é completamente nova e diferente, com sete membros ao total, e sem o infame “vovô”, presente nos quatro filmes da série até então.

A fotografia estourada no calor do Texas e o decrépito design de produção do filme de 1974 também foram substituídos por um tom mais escuro, sépia, com uma atmosfera mais industrial, ocre, suja e enferrujada (Daniel C. Pearl foi o diretor de fotografia de ambas as produções). Isso sem contar aquele tom documental de cinema verité que também aqui se converte em uma narrativa mais convencional hollywoodiana.

Congelando de medo!

Congelando de medo!

Aliás, continua-se taxado como uma história baseada em fatos reais (John Larroquete reprisou sua participação na narração inicial, que também remete aos efeitos sonoros e música do original) e há um foco na investigação policial dos bizarros e terríveis crimes cometidos pela família Hewitt (ah sim, Leatherface deliberadamente ganhou nome e sobrenome: Thomas Hewitt)

Sem dúvida a principal adição dessa nova versão de O Massacre foi o personagem de R. Lee Ermey, o Xerife Hoyt. Claro que todo papel de Ermey parece uma variação tonal do Sargento Hartman de Nascido Para Matar de Stanley Kubrick, mas sabemos que o cara sabe muito bem viver um psicopata, e caiu como uma luva como o líder dessa nova família esquisita e congênita de gente maluca que matam gente sob o sol escaldante do Grande Estado do Texas.

Mas apesar dos apesares, de Jessica Biel não ser uma Scream Queen como Marilyn Burns e Bryniarski viver um Leatherface selvagem e troncudo, muito menos assustador e verossímil que o “gordinho-psicopata-retardado-da casa ao lado” de Hansen, e não ser amoral, transgressor e perverso como o clássico de Hooper, como disse lá em cima, eu gosto dessa refilmagem. É bem violenta, brutal, suja, desconcertante, aflitiva, tem sua dose de adrenalina e perseguição, e serve ao seu propósito.

NOW DROP AND GIVE ME 25!

NOW DROP AND GIVE ME 25!

Agora valem parágrafos sobre o DRAMA que foi o lançamento de O Massacre da Serra Elétrica nos cinemas do Brasil pela Europa Filmes. Quem aí se lembra de quantas e quantas vezes o filme foi adiado, sendo lançado nas telonas SOMENTE EM FEVEREIRO DE 2005, depois que praticamente todo mundo já havia baixado e visto por meios ilícitos? Eu lembro que naquela época eu ainda tinha algumas restrições contra download de filmes. Se soubesse que chegaria aos cinemas ou as vídeo-locadoras, com certeza que esperaria, ainda mais porque naqueles tempos para baixar um filme no eMule ou no KaZaa (e entupir seu computador de vírus), encontrar a legenda, sincronizar e queimá-lo em DVD (eu sempre detestei ver filme no PC) era uma tarefa hercúlea.

Só que daí a Europa começou a patifaria de anunciar o filme e adiá-lo infinitas vezes. Eu lembro muito dos fóruns das comunidades de terror do Orkut (o saudoso Trash, Gore e Terror em Geral), ou mesmo no próprio Boca do Inferno na época, de pessoas que já haviam assistido ao filme e gostado, bons elogios, e toda a expectativa aumentava, mas daí vinha o descaso da distribuidora com os fãs. Lembro da galera xingando, organizando um “piquete internético” para todo mundo enviar e-mail perguntando quando ia estrear de verdade, rolar uma petição, etc.

Bom, o imbróglio foi tanto que não aguentava mais e baixei-o para finalmente conseguir assistir. Quando chegou aos cinemas, lógico que foi flopado, já que quase dois anos de atraso é muita coisa para aqueles que realmente queriam ver o longa. Tanto que a sua continuação, que na verdade foi um prequel, O Massacre da Serra Elétrica – O Início, foi direto para o home video. Só contando o causo…

Teje morto, Marcos Mion!

Teje morto, Marcos Mion!


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Um bom texto e entendi bem o teu ponto, até concordo em quase tudo. Aquilo ali pra mim não é nem de longe o Leatherface, mas sim um Jason genérico, copiado até no lance de ter deformidades.

    Só uma pequena correção: o Caroneiro original foi vivido pelo Edwin Neal, um cara que com certeza odiou o filme, devido ao inferno que foi a produção, hehe. Ele não continuou no cinema de horror e partiu pra dublagem de desenhos e games, além de fazer papéis fixos em diversas versões dos Power Rangers (ele até foi o Lord Zedd no Power Rangers no Espaço!). O Bill Moseley na verdade foi o Chop Top, apenas no segundo filme da franquia.

  2. Matheus L. CARVALHO disse:

    Ah, Marcão, eu não gostei do filme.

    Sua menção ao falecimento de Gunnar Hansen merece destaque, sem dúvida. Até porque, ele foi o verdadeiro Leatherface, não esse sujeito desconhecido.
    A fita tem todas as tiradas de remake mal-feito, e de filmes da Dimension, a começar pelo tom sei-lá-o-quê da fotografia e as mortes super-violentas e nada chocantes.
    Eu achei uma pena ver R. Lee Emery num filme como esse – um ator de talento, que deu 100% de si em “Nascido para matar”, se perdeu nesse filme. Sem contar, também, que Jessica Biel continua uma atriz mais-ou-menos, mesmo depois desse filme…

    Mas sabe o que é pior? O prequel, O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA – O INÍCIO. É um lixo também.
    Lamentável ver os criadores do Verdadeiro envolvidos nesse filme – e no outro, também.

    Desculpe a honestidade, Marcão.
    Mas esse remake é muito ruim, mesmo.

    Um abraço.

  3. Papa Emeritus disse:

    Eu também gosto desse remake! Mas eu não gostei dele imediatamente. Eu não lembro se assisti ele em 2005 ou antes, mas foi mais ou menos nessa época. Lembro que minha primeira impressão foi “WTF”!

    Eu tinha ficado indignado com aquela “afronta” que tinham feito com o clássico de Tobe Hooper. Tá, passou um tempinho e fui assistir de novo, e eu vi que o filme não era tão ruim quanto eu pensava. Passou mais um tempo e assisti de novo, e comecei a gostar do filme. E a cada nova assistida que eu dava, mais eu gostava do filme.

    O original ainda é meu favorito, mas eu posso dizer que gosto bastante do remake. Gosto com um efeito meio retardado, mas gosto.

  4. lmerce disse:

    Eu gosto desse filme. Divide opiniões e é compreensível, por se tratar de remake de um dos filmes mais cultuados da cena. Não é demente como o de 74, onde você tinha cada personagem mais doente que o outro. Mas é um filme forte e violento à sua maneira. Fizeram do Leatherface um bruta montes e ele acabou encaixando bem nessa refilmagem, onde a violência é mais brutal e menos psicológica.

  5. Angelus Burkert Angelus Burkert disse:

    Lembro que quando esse filme lançado, eu loquei o VHS azul (saudades). Nessa época eu devia ter 8 ou 9 anos e minha mãe sempre falava do Massacre da Serra Elétrica, mas eu nem sequer imaginava que havia uma versão original, mas a ideia de matar pessoas com uma serra elétrica e litros de sangue jorrando na tela era fenomenal mesmo para a minha cabecinha juvenil.

    A primeira vez que assisti eu adorei o filme, de verdade, fiquei vidrado com tudo que vi. Anos depois, assisti o original e fiquei mais deslumbrado ainda. Eu gosto desse remake, não é tão porcaria como a maioria dos remakes que tem por aí e gostei da ideia de traduzir o filme pra um outro século. Hoje em dia não acho o melhor filme do mundo, mas com tanta bomba que foi socada na franquia depois desse, devo dizer que é um dos meus preferidos depois do original.

  6. Guilmer disse:

    “Marcos Mion”

    HAHAHAHAHAHAHAHA chorei

  7. […] então, a ideia foi manter o nível de gore e sujeira, muito também inspirado na refilmagem de O Massacre da Serra Elétrica, há dois anos. Na verdade, parando para pensar, A Casa de Cera tem muito mais de Armadilha Para […]

  8. […] de um filme clássico de terror, a Platinum Dunes acertou novamente com Horror em Amityville. O Massacre da Serra Elétrica de 2003 deu uma nova roupagem para o seminal filme de Tobe Hooper, e agora a revisita a mais famosa […]

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